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coruche à mão

preservar memória / criar valor

coruche à mão

preservar memória / criar valor

FIOS - LINHO, ALGODÃO, LÃ e OUTROS

Publico neste post um conjunto de quatro taleigos em crochet, sendo que dois produzidos por duas mulheres que estiveram de forma marcante na minha vida.  As outras duas peças foram trazidas até mim por Raquel Marques e são da sua mãe Maria Filomena Carvalho. São peças dos anos oitenta do sec. XX. Obrigado!!!

 

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Autora: Maria Mendes ( minha sogra)

ano:1981

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Autora: Maria Filomena Carvalho

ano: 1983

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Autora: Maria Filomena Carvalho

ano: 1983

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Autora: Rita Costa Turicas (minha tia e madrinha de batismo)

ano:1980

 Créditos fotográficos: Paulo Fatela

 

 

 

 

FIOS - LINHO, ALGODÃO, LÃ e OUTROS

Chegaram vários taleigos ao Coruche à Mão, partilha de Ana Maria Ribeiro, Mariana Neves e Luísa Serrão. Obrigado!!! 

 

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Taleigo para colocação de chinelos

Materiais: Tecidos (capulana e tecido de algodão)

Peça de produção contemporrânea, detalhes / fuxicos

Autora: Ana Maria Ribeiro

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Taleigo bordado

Materiais: Tecido e linhas de algodão

Peça de produzida há mais de cinquenta anos

Autora: Ana Maria Ribeiro

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Taleigo para pão (bordado a ponto de cruz)

Materiais: Tecidos (quadrlié) e linhas de algodão

Autora: Mariana Neves

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Taleigo (bordado a ponto de cruz)

Materiais: Tecidos de fibras sintéticas, quadrlié e linhas de algodão policromáticas 

Autora: Luísa Serrão

 

Créditos fotográficos: Paulo Fatela

 

GASTRONOMIA

Ana Maria Ribeiro partilhou no Coruche à Mão uma receita de familia:

 

"CABRITO ou BORREGO ASSADO 

 

A assadura do cabrito no Natal ou do borrego no domingo de Páscoa remete-me para a minha infância quando íamos à Estação de Santa Apolónia em Lisboa, levantar o cabaz (de verga forrado a serapilheira) com o cabrito e outras iguarias enviadas da Serra da Estrela pelos maus avós maternos.

 

Também a receita da sua confeção vem desses tempos de criança, feita pela minha mãe e já há alguns anos por mim adotada, sentindo quase que um dever esta transmissão de legado gastronómico com toda a carga afetiva que transporta e com muito gosto faço para toda a família.

Atualmente não dispondo dessas raças da Serra da Estrela, recorro ao borrego mais próximo, aqui de Montemor-o-Novo, de denominação de origem protegida (DOP) o que faz toda a diferença, pois sabemos que o sucesso de qualquer prato está diretamente associado à qualidade da matéria prima.

 

De Véspera tempera-se numa assadeira a carne já lavada e escorrida com uma mistura dos seguintes ingredientes: sal, piri-piri, alhos (picados), cravo de cabecinha, louro, pimentão doce (pó), azeite e um pouco de vinho branco, barrando-se os pedaços de carne com este preparado e fica a repusar com uns ramos de salsa.

 

No dia seguinte acrescenta-se mais um pouco de vinho branco e azeite (se necessário) e leva-se ao forno, virando-se os pedaços de carne de vez em quando, de modo a assar uniformemente.

 

Acompanha com batatinhas assadas à parte com azeite, sal e um pouco de água e grelos cozidos e temperados com um bom azeite."

Texto: Ana Maria Ribeiro

 

Antes:

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Depois:

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Créditos fotográficos: Fernando Serafim e Ana Serafim

Tratamento de imagem: Paulo Fatela

 

METAIS - LATOARIA, FERREIROS, RECORTES EM ZINCO E LATÃO, ESCULTURA - OBJETOS DECORATIVOS

SERRALHARIA ARTÍSTICA

 

Neste post publico uma nota biográfica e algumas fotografias de peças do artesão José Miguel Teles, cuja atividade é relativamente recente. As peças do José Miguel são bastante criativas e de excelente execução, carateristicas essenciais  em meu entender para que tenha a denominação de ARTESÃO. Merece o meu respeito e apoio. Votos para que prolongue as suas produções por muitos anos...

 

Esquiço biográfico:

 

José Miguel Teles nasceu em 1963, em Coruche.

Zé Miguel, como é conhecido começou a trabalhar em 1978 numa serralharia, em Coruche, tendo mais tarde sido operário fabril (manutenção de equipamentos). Nas atividades profissionais desenvolvidas lidou sempre  com as mais diversas peças metálicas.

Em 2002 de forma espontânea reutilizou peças metálicas e,  produziu uma peça decorativa.

Durante alguns anos foi desenvolvendo o seu hobbie, sempre na prespetiva de realizar peças para si próprio.

O ano de 2015 trouxe-lhe o desafio de mostrar as suas peças decorativas ao público em geral,  aconteceu na  FICOR – Feira Internacional da Cortiça em Coruche. Após o primeiro certame têm se seguido outras participações de âmbito local e regional.

Optou por atribuir  uma denominação à  sua atividade “ARTDECOR”.

Zé Miguel encontra-se em fase de processo de obtenção da carta de artesão, a emitir pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional / CEARTE, na área de serralharia artística.

 

Imagens de algumas peças:

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Designação: Candeeiro

Material: reutilização de diversas peças metálicas

Dimensão: 1,72m x 0,79m

Créditos fotográficos: Paulo Fatela

 

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Designação: Candeeiro

Material: reutilização de diversas peças metálicas

Dimensão: 0,68m x 0,36m

Créditos fotográficos: Paulo Fatela

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Designação: Candeeiro

Material: reutilização de diversas peças metálicas

Dimensão: 0,68m x 0,35m

Créditos fotográficos: Paulo Fatela

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Créditos fotográficos: Paulo Fatela

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Designação: Bengaleiro

Material: reutilização de ferraduras

Dimensão: 0,27m x 0,50m

Créditos fotográficos: Paulo Fatela

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Designação: Suporte de guardanapos

Material: reutilização de  ferraduras

Dimensão: 0,15m x 0,10m

Créditos fotográficos: Paulo Fatela

 

Gostaria de fazer um passo a passo de uma peça do artesão aqui visado! Assim sendo, será um até breve...

 

 

 

 

 

 

FIOS - LINHO, ALGODÃO, LÃ e OUTROS

Participação de Ana Maria Ribeiro no desafio TALEIGOS.

 

Neste post publico um conjunto de taleigos que amávelmente Ana Maria Ribeiro  partilhou no Coruche à Mão. São peças que herdou da sua sogra e, mostram genuinamente os taleigos tradicionais. Os taleigos resultavam da reutilização de tecidos de algodão e eram formados por um conjunto de retalhos. Já em outros tempos se reutilizavam materiais, obviamente que as circunstâncias eram outras... Mas o principio mantém-se.

 

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Créditos fotográficos: Paulo Fatela

 

 

 

 

 

 

 

 

PALAVRAS ESCRITAS

Este é o segundo post de poesia, na rúbrica Palavras Escritas. Trata-se de poesia inspirada na nossa terra, CORUCHE, do autor João RomãoAssiste-me uma dupla satisfação na publicação deste post, considerando o autor ser um jovem que revela sensibilidade e  interesse não só pela poesia, mas também, pela nossa ruralidade (sem preconceito) e, pelo facto de ter confiado no Coruche à Mão para divulgação do seu projeto.

Esquiço Biográfico:

João Romão, é um jovem coruchense, nasceu a 18 de outubro de 1985 em Santarém. Fez a sua formação superior em direito, exerce a sua profissão nessa área e, também, como formador. Há relativamente pouco tempo regressou à sua terra natal e, por gosto pelas palavras iniciou um projeto de poesia, o qual pretende ver materializado em tempo. Contudo é esta forma de expressão artística  que marca o regresso às suas origens.

Assim sendo, publico três poemas de João Romão, os quais são "ilustrados" com fotografias de Paulo Marques.

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RURALIDADE

 

do pouco fizeste muito

da pedra, farinha e pão

tens o verde no teu peito

assim é o teu coração

 

vives a vida dos simples

na fé tens a proteção

na saúde e na doença

segues o teu condão

 

da mão fazes alfaia

do campo a tradição

corta o choupo com a zagaia

a arte de fazer à mão

 

venham ceifeiras

venham máquinas

nenhuma te há-de vencer

vives a vida dos simples

assim é saber viver.

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VILA ENCANTADA

 

Noutros tempos passados

Vivias o bem viver

Os mouros e outros que tais

Não te souberam prender

 

Altos nobres, e reis

Conservaram o teu valor.

Ave noturna na torre

Qual alado protector

 

Corujas à tua volta

Pousam , no ocaso do sol posto

Vêm na noite mansinha

Alumiar as tuas faces no rosto

 

Mitos e lendas que contam

No apogeu da tua entrada

Teu lúgubre condão

É seres Coruche, vila encantada.

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 VIVÊNCIAS

 

por mim percorro sorraias

ansiando chegar ao mar

caminhando pelas praias

na esperança de voltar

 

na volta não tragas nada

não vale a ocasião

tens a vila em teu regaço

no castelo o coração

 

gentes ávidas de ser

saber sabendo mais

não voltes para percorrer

os doirados arrozais

 

simples, belo e natural

canta o pardal a canção

poisado no salgueiral

a confortar seu coração

 

em tuas águas me banhei

e nelas musas não vi

em mil vivências encontrei

uma memória de ti.

 

FIOS - LINHO, ALGODÃO, LÃ e OUTROS

Chegaram ao Coruche à Mão mais dois taleigos, no âmbito do desafio de produção de taleigos, desta vez de Maria Lubélia Raposo e Leonor Ferreira. Obrigado 

 

Peça de Maria Lubélia Raposo, taleigo com duas frentes, linho bordado a ponte de cruz.

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Peça de Leonor Ferreira, taleigo produzido com retalhos e rendas.

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  Créditos fotográficos: Paulo Fatela

 

 

 

GASTRONOMIA

PÁSCOA

São cada vez menos as pessoas que  seguem à risca o jejum imposto no período da quaresma (não comer carne na sexta feira santa), o mesmo não se pode dizer das tradições gastronómicas associadas à Páscoa, considerando ser a festa mais importante do mundo cristão.

Com origem no hebraico Peseach, a Páscoa começou por ser uma festa judia que  significa passagem ou transição. A Páscoa cristã é uma adaptação das celebrações judaicas, em que se celebra a libertação do povo Judeu e a passagem para a Terra Prometida com a travessia do Mar Vermelho, liderada por Moisés.

Para os primeiros cristãos, a data celebrava a ressurreição de Jesus Cristo e a semana anterior à Páscoa é considerada a Semana Santa, que tem início no Domingo de Ramos, que marca a entrada de Jesus em Jerusalém.

Em Portugal, a festa comemorativa da morte e Ressurreição de Jesus Cristo está associada a vários costumes que ainda se mantêm e que incluem comer cabrito assado no forno e como sobremesas as amêndoas, os ovos de chocolate e o folar.

 

Cabrito, cordeiro ou borrego?

28783396_1779031052128894_4108902482197628670_n.jpCréditos fotográficos: Célia Recatia

 

Na Páscoa, a tradição manda comer cordeiro assado no forno. Este costume pode variar consoante a região do país, mas afinal é cabrito, cordeiro ou borrego? Vamos por partes: cabrito é a cria da cabra e do bode, o cordeiro (até 7 meses) é a cria da ovelha e do carneiro e o borrego é um cordeiro entre 7 e 15 meses. A carne de cordeiro é mais clara e macia que o cabrito, que tem um sabor mais suave. Já o borrego é uma das carnes mais apreciadas em Portugal, especialmente no interior do país. O cordeiro simboliza Cristo, filho e cordeiro de Deus, sacrificado em prol do rebanho (humanidade).

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1scoa

 

Algumas receitas publicadas nos livros: Comeres de Coruche e Coruche à Mesa e Outros Manjares :

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Créditos fotograficos: http://media.rtp.pt/praca/wp-content/uploads/sites/37/2017/04/130.jpg

 

CABRITO FRITO 

Ingredientes:

Cabrito

Sal

Alho

Pimentão da horta

Vinho branco

Louro

Pimenta

Banha

 

Cabrito ou mesmo borrego; mas é melhor e mais usual cabrito.

Corta-se o cabrito em bocados de tamanho médio. É temperado com sal, alho, pimentão da horta, vinho branco, louro e pimenta (marina algumas horas).

Dá-se uma fervura ao cabrito num tacho bem tapado e com todos os ingredientes.

Quando começar a estar quase tenro, tira-se para fora do molho e frita-se em banha ficando bem lourinho.

Junta-se depois o molho em que foi cozido, passado pelo passador e deixa-se ferver um pouco.

Acompanha com batatas assadas no forno.

 

Preparação das batatas

Num tabuleiro, põe-se uma boa colherada de banha e deixa-se aquecer no forno juntando-se-lhe depois um pouco de água quente e a seguir as batatinhas que foram previamente esfregadas com sal.

Vão ao forno até ficarem assadas e lourinhas.

 In: “Comeres de Coruche”, Associação para o Estudo e Defesa do Património Cultural e Natural do Concelho de Coruche, 1993, pág. 22

 

BORREGO NO FORNO

De véspera tempera-se o borrego, depois de partido, com vinho branco, sal, colorau, pimenta, piripiri, louro, salsa bem picadinha ou mesmo picada no almofariz.

Num tabuleiro, deita-se azeite que cubra o fundo. Por cima deste umas cebolas às rodelas e depois borrego e, entre os pedaços, batatas pequenas que foram mergulhadas no infusório onde o borrego foi temperado, e pode juntar-se um pouco de molho. Por cima do borrego pode colocar-se uns bocados de banha, especialmente se o borrego tiver sido muito bem limpo de gorduras e peles. Vai ao forno a assar.

In: Labaredas, José – Coruche à mesa e outros manjares, Lisboa: Assírio e Alvim, 1999, pag.238

 

ENSOPADO DE BORREGO

Num tacho de barro levam-se a fritar as tiras de toucinho com um pouco de banha. Retira-se o toucinho e no pingo frita-se o borrego partido aos pedaços, depois destes terem sido passados por farinha. Depois dos bocados aloirados, deitam-se os dentes de alho, uma boa cebola picada miúda, uma folha de louro , três cravos de cabecinha, uns grãos de pimenta preta, ao consoante e um pouco de vinagre. Quando o já tiver  refogado com os restantes ingredientes ( e se limpou impecavelmente o borrego de gorduras, sebos e peles, é talvez conveniente neste momento juntar um pouco de banha de porco). Vai-se então juntando água a ferver, para o caldo, retificando-se os temperos de sal e vinagre, indo depois escaldar sopas de pão caseiro duro, podendo também juntar-se uns raminhos de hortelã.

Também, por vezes, quando a carne era pouca, se juntavam umas batatas cortadas às rodelas, sendo neste caso necessário adicionar mais água

In: Labaredas, José – Coruche à mesa e outros manjares, Lisboa: Assírio e Alvim, 1999, pag 245

 

 

Et voilá!!! Clotilde Fatela confecionou, no domingo de Páscoa cabrito assado no forno:

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 Créditos fotográficos: Paulo Fatela