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coruche à mão

preservar memória / criar valor

coruche à mão

preservar memória / criar valor

MADEIRAS - MARCENARIA, CARPINTARIA, RESTAURO

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É curioso que quando falo sobre  marcenaria e carpintaria, em regra, as pessoas têm dificuldade em perceber as diferenças, considerando que ambas utilizam a madeira como matéria-prima. Importa dissociar esta duas atividades: digamos que a primeira permite usar criatividade e a outra tem de ser desenvolvida de forma exata e rigorosa.

 

A saber:

O marceneiro dedica-se quase exclusivamente à produção de móveis, conservação e restauro de objetos decorativos em madeira. O trabalho de um marceneiro é substancialmente artesanal. Importa salientar que, apesar do marceneiro ser um artesão, nos dias hoje é comum usar bastante maquinaria  para desenvolver a sua atividade.

O carpinteiro trabalha essencialmente com  madeira maciça, no seu estado natural. O ofício da carpintaria vem já desde os primórdios da humanidade e abrange desde a construção de carros de tração animal, telhados, cofragens, escadas, portas, soalhos, até obras de muito maior dimensão, por exemplo na construção naval.

 

Fonte: https://www.zaask.pt/blog/qual-a-diferenca-entre-marceneiros-e-carpinteiros/, 2016/02/04

 

 Os últimos marceneiros de Coruche

 

Já são poucos os marceneiros em Coruche. Estão referenciados no livro “Mãos com Alma – artes e ofícios em Coruche”  três dos artesãos que ainda estão no ativo, são eles:

João Manuel de Sousa Manaia

Moisés Oliveira Batista

Joaquim Manuel Marques Hilário

Há relativamente pouco tempo o fotógrafo Hugo Lourenço publicou na sua página de facebook uma foto que me tocou, não só pela plasticidade mas, sobretudo, pela mensagem, a qual confirma que os efeitos da globalização são evidentes. A foto mostra as marcas do tempo, quer ao nível do espaço, do artesão, mas também o facto de a porta estar entreaberta, quase fechada, denota que o fim pode estar próximo...

 

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 Créditos fotográficos: Hugo Lourenço

 

Transcrevo aqui uma nota biográfica do artesão visado:

“João Manuel de Sousa Manaia nasceu em 1937, natural e residente em Coruche. Terminada a escolaridade, João Manaia, aos nove anos de idade, começou a trabalhar na oficina de carpintaria/marcenaria, propriedade do seu pai, Carlos Manaia, e do seu irmão Guilherme Manaia. No início começou com a função de auxiliar, limpava a oficina, mais tarde como aprendiz, até que chegou o momento de desenvolver as suas próprias peças. Tem dedicado grande parte da sua atividade profissional à construção de móveis e restauro. Marcenaria é a profissão da sua vida, desenvolvida ao longo de mais de sessenta anos. À data está no ativo, a funcionar na sua pequena oficina, marcada pelo tempo, na travessa dos Guerreiros – Coruche.”

in, Fatela, Paulo – Mãos com Alma: artes e ofício tradicionais em Coruche, edição Associação  para a Promoção Rural da Charneca Ribatejana, 2014, pág. 20 e 21.

 

No âmbito da carpintaria, e neste primeiro post sobre este assunto, o destaque vai para o  Manuel Marques Hilário, o qual conseguiu realizar o seu sonho: construiu um barco que navega nas águas do Sorraia. O projeto desenvolveu-se entre 2012/2013.

 

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 Fotos: Arquivo Câmara Municipal de Coruche

  

Transcrevo aqui uma nota biográfica do artesão visado:

“Manuel Marques Hilário nasceu em 1934, natural e residente em Coruche. Aos treze anos de idade Manuel Hilário deu início à sua atividade de marceneiro, na oficina de Joaquim da Silva. Mais tarde, já adulto, estabeleceu-se por conta própria, fazendo as mais diversas peças de mobiliário, desde o tradicional ao mais requintado. Dedicou-se, também, ao restauro de móveis. Em 2012/2013 construiu um barco que permite navegar.”

in, Fatela, Paulo – Mãos com Alma: artes e ofício tradicionais em Coruche, edição Associação  para a Promoção Rural da Charneca Ribatejana, 2014, pág. 27.

 

Dinâmica:

Propor a fotografos de Coruche, que registem artesãos e/ou peças no âmbito deste post.

Enviar fotografias para o e-mail: paulo.fatela@sapo.pt, no prazo de um mês, contado a partir da data deste post.

Talvez esta dinâmica dê lugar a uma exposição em espaço fisico.

 

Revisão: Ana Paiva