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coruche à mão

preservar memória / criar valor

coruche à mão

preservar memória / criar valor

PELES E COUROS - CORREEIROS, SAPATEIROS, PEÇAS DECORATIVAS E ÚTEIS

Sapateiros

 

Com a industrialização do calçado e as alterações da sociedade os sapateiros passaram a dedicar-se à reparação de calçado. Em Coruche ainda há algumas exceções, como é exemplo o António José Salgueira, António Simão Domingos Pereira e Manuel Luís Cláudio, os quais através de encomenda produzem essencialmente botas.

 

Nos finais do séc. XIX até meados do séc. XX foram vários os sapateiros que desenvolveram atividade em Coruche, produziam calçado por medida, sobretudo botas, botins e tamancos (calçado usado no meio rural), para senhora, homem e criança.

 

Heraldo Bento referenciou-me alguns dos homens que se dedicaram ao ofício de sapateiro, em Coruche:

Vidigal Manaia; Luís Nunes Carrapo; Evangelista; João da Costa (João Custódio); António Casimiro; Roberto da Silva; Fausto da Silva; Elias & Filho; Victor Gomes; José Carvalho; António Júlio; Galveia; Eduardo Cardoso; António Raimundo Rodrigues (Nérinha); José Rosalino Cordeiro de Almeida; António Roberto; Emídio da Silva; Alcídes da Silva; César e José Teles (Cabeço).

 

Manuel Caldinhas referenciou na Freguesia da Lamarosa três artífices:

António José Salgueira; António Simão Domingos  Pereira e Henrique Figueiras, dois dos quais ainda desenvolvem atividade.

 

Manuel Luís Cláudio indicou vários colegas de profissão que exerceram atividade na Freguesia do Couço:

José Teles Russo; Joaquim Teles Russo; Joaquim Garcia; Adelino Garcia; João Cláudio Garcia; António Gil; Henrique Figueiras; Vicente Aleixo; Manuel Ribeiro Nunes; Alfredo Teles Russo; António Belchíra; António Filipe; José David; Artur Benedito; Henrique Espada; Inácio Espada e Carlos Casanova.

Fonte: Fatela, Paulo – Mão com Alma, artes e ofícios tradicionais em Coruche, edição Associação da Charneca Ribatejana, 2014, pág. 237.

 

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DSC06384[1].jpgCréditos fotogáficos: Hélder Roque 

 

Fotos de Algumas peças utilizadas pelo sapateiros

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Ferros de burnir - para polir

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023.JPG Sevelas - para cozer

 

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027.JPGAlicates turquesa . para arrancar pregos entre outros usos 

 

029.JPGBigorna 

Créditos fotográficos: Paulo Fatela

 

 

 

GASTRONOMIA

Do pinheiro ao pinhão

  

Pinheiro manso (Pinus pinea)

 

As suas origens são antiquíssimas, remontando ao tempo de D. Sancho I.

D. Dinis utilizou os pinheiros mansos com o evidente propósito de proteger as terras aráveis com uma barreira natural.

Com o rei D. Fernando o pinhal será usado para construção naval, mas já com pinheiro bravo.

O pinheiro manso é uma gimnospérmica, da família das Pináceas, a mesma família dos abetos e larícios, subfamília das Pinóideas e género Pinus.

É uma árvore que frequentemente ultrapassa os 30 metros de altura, de folha persistente.

A copa do pinheiro manso é redonda no seu capelo, assemelhando-se a um cogumelo.

As folhas são agulhas verdes-claras, rígidas com 10 a 20cm de comprimento e 1 a 2mm de grossura, agrupadas duas a duas. As flores masculinas são cones quase cilíndricos com 15mm de comprimento, agrupados na parte terminal dos ramos de cor amarela. As pinhas estão isoladas ou agrupadas em duas ou três de dimensões apreciáveis (8 a 15cm de comprimento com cerca de 10cm de diâmetro), de cor pardo castanho-avermelhado, e escamas com um pinhão de 15 a 20mm de comprimento. Floresce de março a maio, demorando as pinhas a amadurecer três anos e libertando os pinhões ao quarto ano.

Em Portugal abundam em maior quantidade a sul do Tejo.

De acordo com os dados divulgados pelo Instituto da Floresta Nacional a área de povoamento de pinheiro manso em Coruche é de 9130ha.

Outrora o pinheiro manso tinha apenas rentabilidade na sua morte, utilizando-se a madeira para a construção marítima e construção civil. Hoje a indústria do pinhão tornou-se uma mais-valia para o mercado nacional e exportação.

Os pinhões, fruto do pinheiro manso, são uma fonte de riqueza para o país, onde a cozinha e doçaria tiram partido das suas reais qualidades.

DSCN3403.JPG Pinhas

Foto 7.JPGPinhão

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Miolo de pinhão 

 Créditos fotográficos: Paulo Fatela 

Fontes:

Cravidão, João - A madeira em Coruche: historial de artes e ofícios já extintos em Coruche, Coruche: Museu Municipal/Câmara Municipal, 2015.

http://naturlink.pt/article.aspx?menuid=55&cid=3681&bl=1&viewall=true

 

O meu amigo Amorim Alves, natural da aldeia de Santa Justa, freguesia do Couço – Coruche, teve a cortesia de me facultar peças usadas para a obtenção do miolo de pinhão, bem como fez uma descrição do saber fazer, considerando que foi e ainda é uma atividade que acontece na localidade.

 

Saber fazer:

O miolo de pinhão provém de pinhais de pinheiro manso onde, tradicional e praticamente, não se usam tratamentos fitossanitários ou adubos durante o período vegetativo, o que lhe poderá vir a conferir o direito ao uso da menção “Pinhão biológico”. As pinhas são colhidas  entre os meses de dezembro e março e colocadas depois ao sol, em eiras. As pinhas são abertas sob ação do calor solar ou, quando tal não é possível, a abertura é forçada pela aplicação de calor seco (fornos), sendo usada a caruma. São descascadas com um utensílio, em ferro, recorrendo a um cepo como suporte, e posteriormente crivadas numa rede larga. Soltos os pinhões, são partidos utilizando-se duas pedras, uma como base e outra de mão. São novamente crivados com uma malha mas fechada. Obtido o miolo, vai a torrar em forno de lenha.

 

Conjunto de imagens de utensilios e processos para obtenção do miolo de pinhão:

Foto 6.JPG Utensílio em ferro para descascar as pinhas

Foto 5.JPG Cepo - base de apoio para o descasque das pinhas

Foto 2.JPG Crivo - malha larga, permite a separação da casca da pinha do pinhão

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Foto 4.JPG Crivo - malha apertada, permite a separação da casca do pinhão do miolo

Foto 5 (2).JPG Pedra de base e de mão - para extrair o miolo do pinhão

DSCN3407.JPG Descasque das pinhas

DSCN3404.jpg Extração do miolo do pinhão

Créditos fotográficos: Paulo Fatela

 

A industrialização do miolo do pinhão

 

O Grupo Cecílio é uma empresa sediada em Coruche, de cariz familiar, e conta com mais de sessenta anos de experiência no âmbito dos produtos alimentares. A empresa é detentora de marcas de confiança do consumidor, com destaque para os produtos miolo de pinhão e arroz.

Em 2015 alargou  a gama de produtos e passou a comercializar, também, uma gama variada de frutos secos.

No âmbito do miolo de pinhão desenvolve a marca Pinheiro 

Empresa Cecilio.png

 Fonte: http://www.cecilio.pt/pt/index.html

 

Uso: O miolo de pinhão é muito apreciado como aperitivo, mas também é usado na doçaria tradicional, como por exemplo na Pinhoada. Também se usa em alguns pratos de culinária, como ingrediente de diversas receitas de arroz e de saladas.

 

Aplicações do miolo do pinhão na doçaria tradicional de Coruche:

 

Bolinhos de pinhão (Couço)

 

Ingredientes:

3 claras

500 g de açúcar

500 g de pinhão

 

Batem-se muito bem as claras em castelo, incorpora-se em seguida o açúcar, mexendo sempre. Juntam-se por fim os pinhões, misturando-os muito bem na massa. Vão ao forno, em pequenos montículos, até ficarem loirinhos.

 

Nógados de pinhão e mel sobre folhas de laranjeira

 

Ingredientes

½ litro de mel

500 g de pinhões torrados

Folhas de laranjeira

 

Deita-se num tacho o mel até fazer um ponto espesso a que se juntam os pinhões torrados.

Ainda quente deitam-se pequenas porções sobre folhas de laranjeira previamente lavadas.

Servem-se depois de frios.

DSC07541 recortada.jpg Foto: Arquivo da Câmara Municipal de Coruche

  

In: “Comeres de Coruche”, Associação para o Estudo e Defesa do Património Cultural e Natural do Concelho de Coruche, 1993, págs. 40 e 41.

Revisão Ana Paiva

 

Fotografias no âmbito do repto lançado no facebook, as duas primeiras são cotersia de Fernando Marques.

 

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GASTRONOMIA

MEL

 

A propósito das várias aplicações do mel na gastronomia...

 

Estamo-nos a aproximar do dia de Todos-os-Santos, celebração em honra de todos os santos e mártires, é festejado pelos  crentes de muitas das igrejas da religião cristã.

A Igreja Católica celebra a Festum Omnium Sanctorum (Festa de Todos-os-Santos) no dia 1 de Novembro. A Igreja Ortodoxa celebra esta festividade no primeiro domingo depois do Pentecostes fechando a época litúrgica da Páscoa, tal como a Igreja Católica Oriental. A Igreja Anglicana também celebra o dia de Todos os Santos com o mesmo significado que nas Igrejas Católicas e Ortodoxa. Na Igreja Luterana, o dia é celebrado principalmente para lembrar que todas as pessoas batizadas são santas e também aquelas pessoas que faleceram no ano que passou, pelo que o significado da celebração também é quase idêntico ao de outras igrejas cristãs.

As broas de mel são uma tradição gastronómica da festividade do dia de Todos os Santos, assim divulgo neste forum duas receitas, uma publicada no opúsculo Comeres de Coruche e outra no Coruche à mesa e outros manjares. Contudo lanço, também, o desafio as vários amigos para partilharem receitas.

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_de_Todos-os-Santos

 

Broas de Mel

1 tigela de azeite

2 tigelas de mel

2 tigelas de água

3 tigelas de farinha de trigo

1 tigela de farinha de milho

Canela q.b.

Erva doce q.b.

 

Põe-se ao lume os líquidos com os temperos e quando ferverem  juntam-se as farinhas que se  mexem muito bem com uma colher de pau.

Tendem-se depois as broas pondo em cada uma, uma amêndoa.

Vão ao forno a cozer

 

In: “Comeres de Coruche”, Associação para o Estudo e Defesa do Património Cultural e Natural do Concelho de Coruche, 1993, pág. 43

 

Broas

400 g de farinha de milho

1 kg de farinha “Espiga”

1 Kg de farinha “Branca de Neve”

15 pedrinhas de sal

125 g de manteiga

180 g de banha

3 dl de azeite

meio litro de mel

1 cálice de aguardente

2 pacotinhos de canela

1 pacotinho de erva-doce

700 g de açúcar amarelo

2 colheres de chá de “Pó Royal” e água.

 

Coloca-se num alguidar a farinha de milho e as pedrinhas de sal e escalda-se com um pouco de água a ferver. Leva-se a derreter a manteiga e a banha e deitam-se sobre a farinha escaldada.

Junta-se o resto ds ingredientes com exceção das farinhas. Às farinhas mistura-se o “Pó Royal” deitando-se depois a pouco e pouco até estarem bem incorporadas.

Por fim tendem-se as broas para tabuleiros que devem estar polvilhados com farinha. As broas devem ser pinceladas com gema de ovo. Vão ao forno até a gema  ganhar um bela cor  acastanhada e as broas ganharem um pouco de solo.

 

In: Labaredas, José – Coruche à mesa e outros manjares, Lisboa: Assírio e Alvim, 1999, p. 267.

 

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Broa de mel - produção casa "Flausino" 

Créditos fotográficos: Paulo Fatela 

 

São seis as variedades de broas que a padaria Rosão, com instalações em Lamarosa - Coruche, produz e comercializa.

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Broa da aldeia - produção padaria Rosão

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Broa da avó - produção padaria Rosão

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Broa de café - produção padaria Rosão

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Broa de mel à antiga - padaria Rosão

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Broa de mel e noz - padaria Rosão

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Broa de mel e milho - padaria Rosão

Créditos fotográficos: Paulo Fatela

 

Receita partilhada por Luísa Serrão:

 

Broas de mel

500 grs  açúcar amarelo

2,5 dl  mel

0,5 l azeite

1 Kg de farinha branca de neve

1 pacote de erva doce

1 pacote de canela em pó

1 l de água

Nozes (picadas)

 

 

Leva-se a ferver a água, o açúcar,  o mel, o azeite, a canela e a erva doce, baixa-se o lume e deita-se a farinha. Moldam-se as broas e vão ao forno a alourar.

 

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 Créditos fotográficos: Luisa Serrão 

 

Receita partilhada por ML Mesquita:

 

Broas de mel da avó Joana

0,5l de azeite

0,5l de mel

0,5l de água

erva doce e canela a gosto,

150grs de açúcar amarelo

1/2kg de farinha de milho

1/2kg de farinha de trigo

 

Ferve-se  num tacho o azeite a água o mel a erva doce a canela e o açúcar amarelo. Quando levantar fervura vão-se deitando as farinhas que já foram previamente misturadas, mexendo sempre até a massa secar. Deixa-se arrefecer e de seguida tendem-se as broas, levam-se ao forno com amêndoa por cima.

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  Créditos fotográficos: Lubélia Raposo / Edição: Paulo Fatela 

 

Receita partilhada por Maria Helena Reis:

 

Broas de açúcar

1l de água

1/2 l de azeite

1kg de açúcar amarelo

1kg de farinha de trigo

1colher de sopa de canela

1colher de sopa de erva doce (depende do gosto )

Nozes (picadas)

 

Vão todos ingredientes a ferver com excepção da farinha que é colocada lentamente, com o lume brando. Quando a massa se descolar da panela retira-se do lume e  ainda morna tendem-se as broas. As nozes são colocadas antes da farinha . Vão ao forno a alourar.

 

Receita partilhada por Manuela Mesquita:

 

Broas de mel e noz

 

1 l de mel

1 l de água

0,5 l de azeite

250 grs de açúcar

800 grs de farinha de trigo

250 grs de farinha de milho

1 colher de chá de erva doce

1 pitada de sal

100 grs de nozes

 

Levam-se ao lume os líquidos e a canela, erva doce e o sal, quando começarem a ferver juntam-se-lhes as farinhas misturadas previamente, e as nozes aos pedacinhos, mexe-se tudo muito bem e retira-se do lume. Deixa-se a massa arrefecer,  moldam-se as broas a gosto, coloca-se um pedaço de noz em cima e levam-se ao forno, num tabuleiro levemente untado com gordura. Podem ser polvilhadas com açúcar. 

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   Créditos fotográficos: Manuela Mesquita

 

Receita partilhada por Eunice Silva:

 

Broas de mel com amêndoas

 

70 ml de mel

70 ml de azeite

70 ml de água

120 g de açúcar

250 g de farinha

200 g de amêndoa moída

2 colheres de chá de fermento em pó

3 colheres de chá de canela moída

 

Num tacho coloca-se o mel, o azeite, a água e o açúcar e leva-se ao lume para aquecer e dissolver o açúcar.

Numa taça grande mistura-se a farinha, o fermento, a amêndoa e a canela. Faz-se um buraco no meio e deita-se a mistura anterior, mexe-se até formar uma bola que se solta da taça.
Unta-se as mãos em azeite e formam-se bolinhas do tamanho de uma noz, achatam-se, ligeiramente, e coloca-se uma amêndoa em cima, pincelam-se com leite ou com gema de ovo diluída numa colher de sopa de leite.
Leva-se ao forno aquecido a 180º em tabuleiro forrado com papel vegetal, durante cerca de 15 minutos.

 

Foto.jpgCréditos fotográficos: Eunice Silva 

 

 

 

ARTES PLÀSTICAS

ESCULTURA

A escultura é uma arte que representa imagens plásticas em relevo total ou parcial. Na escultura existem várias técnicas de trabalhar os materiais, como a fundição, moldagem, aglomeração de partículas para a criação de um objeto, e outras. Vários materiais são utilizados na escultura, uns mais perenes como o bronze ou o mármore, outros mais fáceis de trabalhar, como a argila, a cera ou a madeira.

A Grécia clássica é considerada o berço ocidental da arte de esculpir, desde os seus primeiros artefactos até o apogeu da era de Péricles (século V a.C.), com as esculturas da Acrópole de Atenas. Foi também quando alguns escultores começaram a receber reconhecimento individual.

Os romanos abraçaram a cultura clássica e continuaram a produzir esculturas até o fim do império, numa escala monumental e numa quantidade impressionante. As peças foram distribuídas por todo o império e eram essencialmente em mármore.

Após o fim do império e a idade média, onde pouco se fez, surgem algumas esculturas góticas (séculos XII e XIII) como decoração de igrejas.

Tudo pareceu culminar no Renascimento, com mestres como Donatello.

Quando Benvenuto Cellini criou um saleiro em ouro e ébano em 1540, mostrando Neptuno e Anfitrite em formas alongadas e posições desconfortáveis, transformou o Naturalismo e criou a obra maior do Maneirismo. A sua forma mais exagerada deu lugar ao Barroco.

Após os excessos do Barroco, o Neoclassicismo é um retorno ao modelo helenista clássico, antes dos anos confusos do Modernismo, que nos trouxe a magnífica obra em bronze do francês Auguste Rodin e o seu O Pensador, e depois encerrou a tradição clássica com o Cubismo, o Futurismo, o Minimalismo, as Instalações e a Pop Art.

 

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Escultura

 

Inicio a rúbrica sobre ESCULTURA com referência a Romão Santos e às suas produções em pedra. 

 

POEMA DE PEDRA LIOZ

 

Álvaro Góis,

Rui Mamede,

filhos de António Brandão,

naturais de Cantanhede,

pedreiros de profissão,

de sombrias cataduras

com bisontes lendários,

modelam ternas figuras

na brutidão dos calcários

 

Ali, no esconso recanto,

só o túmulo e mais nada,

suspenso no roxo pranto

de uma frestas geminada.

Mas no silêncio da nave,

como um cinzel que batuca,

soa sempre em truca… truca,

lento, pausado, suave,

truca, truca, truca, truca,

sob a abóbada romântica,

como um cinzel que batuca

numa insistência satânica,

truca, truca, truca, truca,

truca, truca, truca, truca,

 

Álvaro Góis,

Rui Mamede,

filhos de António Brandão,

naturais de Cantanhede,

ambos ali estão,

truca, truca, truca, truca,

vestidos de surrobeco

e acocorados no chão,

truca, truca, truca, truca,

 

No friso, largo de um palmo,

que da volta a toda a arca,

um Cristo, de gesto calmo,

assiste ao chegar da barca.

Homens de vária feição,

barrigudos e contentes,

mostram, no riso dos dentes,

o gozo da salvação,

Anjinhos de longas vestes,

e cabelo aos caracóis

tocam pífaros celestes, entre cometas e sóis.

Mulheres e homens de paz,

esgazeados de remorsos,

desistem de fazer esforços,

entregam-se a Satanás

 

Fixando a pedra, mirando-a.

Quando mais o olhar se educa,

Mais se entende o truca… truca…

Que enche a nave, transbordando-a,

truca, truca, truca, truca,

truca, truca, truca, truca.

 

No desmedido caixão,

Grande senhor aqui jaz.

Pupilo de Satanás?

Alma pura, de eleição?

Dom Afonso ou Dom João?

Para o caso tanto faz.

 

António Gedeão

João Romão Santos (Romão Santos) nasceu em 1971, em Coruche.

Fez formação na Escola Secundária de Coruche, onde completou o GAC (curso geral de administração e comércio) e o CCA (curso complementar e administração).

Em meados de 2002 iniciou-se nas Artes Plásticas, na vertente de escultura, como autodidata. Desde essa data conta já com mais de uma dezena de exposições realizadas, diversificando sempre nos materiais utilizados, tais como a pedra, o ferro, a madeira, etc.

Desenvolve também alguns trabalhos na área da decoração de interiores, bem como restauro e reciclagem de diversas peças.

A pedra que mais utiliza é o moleano, bem como os granitos e os mármores, que podem ser trabalhados em separado ou em conjunto.

 

Revisão Ana Paiva

 

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Titulo: Sagrada Família

Material: Xisto

Dimensão: 0.28m x 0.09m - 0.21m x 0.09m e 0.17 x 0.09m

Autor: Romão Santos

 Créditos fotogáficos: Carlos Silva

 

Retomo esta rúbrica agora com referência ao artista André Banha.

André Banha estabelece uma relação com a exterioridade pelas instalações utilizando a madeira. São construções de Mundos num microcosmos onde cada um dos que experienciam tais instalações lida com relações tácteis, vividas no jogo com o corpo das obras, texturas e volumes. A experiência direta com a madeira, com a visualidade táctil e as formas em volumes, que se impõem ao corpo de quem as experiencia, estabelece um jogo de afetos.

In: Catalogo Bienal de Coruche - Percursos com Arte - 2013

 

Esquisso biográfico de André Banha

 

André Banha, nasceu em Santarém, em 1980, reside em Santana do Mato – Coruche é licenciado em Artes Plásticas pela Escola Superior de Arte e Design das Caldas da Rainha, em 2006, é atualmente representado pela VPF – Cream Art Gallery, Lisboa.

 

EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS Desenho, Escultura, Academia das Artes, São Miguel, Açores, 2008 (catálogo). Segurei-te o pôr-do-sol, VPFcream Art, Lisboa, 2008. O que existe no interior de um ovo? Galeria santa Clara, Coimbra, 2008. De dentro…, no espaço 20m3, Galeria Carlos Carvalho – Arte Contemporânea, Lisboa, 2007 (catálogo). Abrigo-me, Galeria Violeta – Caldas Contemporary Art, Caldas da Rainha, 2006, De dentro…, no espaço 20 m3, Galeria Carvalho, Arte Contemporânea, Lisboa, 2008, Desenho e Escultura, Academia de Artes doos Açores, A casa das duas portas, Biblioteca da FCT/UNL, Campus de Caparica, 2010, desenha, escultura, VPF Cream Art Gallery, 2010/11.

 

EXPOSIÇÕES COLECTIVAS Jeune Création Européenne, 2007 – 2009 (catálogo): - Théâtre de Montrouge, Montrouge, França, Setembro – Outubro 2007; - Klaipeda Exhibition Hall, Klaipeda, Lituânia, Março – Abril 2008; - Galerie Im Traklhaus, Salzburg, Áustria, Novembro 2008 – Janeiro 2009; - Museo d’Arte Contemporanea Villa Croce, Genova, Itália, Fevereiro – Março 2009; - Centre Cultural Metropolità Tecla Sala, L’Hospitalet de Llobregat, Catalunya, Espanha, Abril – Maio 2009; - Museu Amadeu de Sousa Cardoso, Amarante, Portugal, Junho - Julho 2009. Finisterra, no âmbito do evento Allgarve, Convento do Espírito Santo, Loulé, 2008 (catálogo). Fazer falar o desenho, Museu de Arte Contemporânea – Forte São Tiago, Funchal, 2007 (catálogo).

 

PROJECTO FÁBRICA – Import / Export, Antiga fábrica de curtumes, Guimarães, 2007 (catálogo). Coimbra – Aix-en-Provence – Convento de São Francisco / Galeria Santa Clara, Coimbra, 2007. Anteciparte, 3ª Edição, Lisboa, 2006 (catálogo). SALON, Galeria Violeta – Caldas Contemporary Art, Caldas da Rainha, 2006. LuzBoa, II Bienal Internacional da Luz, Lisboa, 2006 (catálogo). Ateliers Livres, Museu Atelier João Fragoso, Caldas da Rainha, 2006. Jovens Artistas, Estado das Artes, Torres Vedras, 2005. ESAD CALDAS 2005 IPL, Caldas da Rainha, 2005 (catálogo). Caldas Late Night, Caldas da Rainha, 2005.

 

PRÉMIOS Menção Honrosa, Anteciparte, 3.ª Edição, Lisboa, 2006. Menção Honrosa, Bienal de Artes Plásticas de Coruche, Coruche, 2009, Primeiro prémio na  Bienal de Artes Plásticas de Coruche, Coruche, 2013.

 

Fonte:

Catalogo Bienal de Artes Plásticas de Coruche – 2013

http://www.artecapital.net/vpfcreamart/index.php?id=15

 

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 Titulo: Segurei-te o pôr do sol

Escultura com recurso a madeira

Autor: André Banha

Créditos fotográficos: Ana Marques

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S/ titulo:

Escultura com recurso a madeira

Autor: André Banha

Créditos fotográficos: Ana Marques

 

 

Novo registo nesta rubrica agora com referência ao artista plástico Alberto Simões de Almeida.

 

Esquisso biográfico: 

 

Alberto Simões de Almeida

Nasceu em Coruche, em 21 de Novembro de 1952.

Licenciado em Engenharia Eletrotécnica pelo Instituto Superior Técnico, cedo enveredou pelo ensino, lecionando actualmente a disciplina de Matemática no Ensino Secundário.

Especificamente em arte, concluiu o Curso de Pintura e o Curso “Temas de Estética e Teorias da Arte Contemporânea”, na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa.

Posteriormente, concluiu a Pós-Graduação em Comunicação Educacional Multimédia, estudos que integravam formação em “Semiótica das Representações Visuais”, na Universidade Aberta, em Lisboa.

Expondo regulamente desde 2000, participou em mais de sessenta exposições coletivas e realizou oito exposições individuais, a saber: Galeria Municipal de Arruda dos Vinhos, Galeria EDEN - Lisboa, Centro Cultural de Samora Correia, Centro Cultural da Malaposta, Ateneu Comercial de Lisboa, Bienal de Artes Plásticas de Coruche, Galeria de Arte do Estoril, e Casa Mantero em Sintra.

Está representado nos acervos das Câmaras Municipais de Arruda dos Vinhos, Sines e Sintra, integrando também o espólio artístico da Casa Pedro Álvares Cabral / Casa do Brasil, em Santarém.

 

Fonte: Catálogo da Bienal de Artes Plásticas – Percursos com Arte - 2013

 

Fotos de esculturas realizadas em 2014 /2016

 

Sete elementos e quadrado preto

Explorando ideias desenvolvidas por Wassily Kandinsky, neste projecto foi idealizada a utilização de um quadrado preto (quase sempre usado como suporte) e sete elementos de diferentes formas, dimensões e cores (dois rectângulos um branco e outro amarelo, um círculo vermelho, e quatro réguas  duas cinzentas, uma vermelha e outra azul).

A interacção entre os sete elementos sempre iguais e do quadrado preto gerou diferentes topologias, levando a que a percepção do conjunto dos elementos seja sempre questionada acerca do ângulo de observação.
Diferentes pessoas questionadas consideraram que a orientação das esculturas de parede podia variar, rodando-as; ou criaram novas opções de distribuição dos elementos, num processo criativo.”

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Territórios - Territories

“Defendendo a supremacia da pintura não figurativa sobre a pintura de imitação da natureza, Kazimir Malevitch (1879-1935) introduziu, em 1913, um novo conceito que designou como “Suprematismo”, em que considerou ser primordial a abstracção geométrica baseada na pura não-objectividade, assumindo o artista a primazia da sensibilidade plástica pura, acima de toda a finalidade materialista. Em 1915, Malevitch expôs trinta e nove quadros em S. Petersburg, então Petrogrado, capital da Rússia; nas obras expostas, predominavam os quadrados e os rectângulos, as linhas e os círculos, e a cruz; utilizando uma reduzida paleta de cores, sempre saturadas, assumia uma representação não objectiva, desnudando os objectos de qualquer significação, defendendo que “a realidade em arte é o efeito sensitivo da cor”, atingindo assim “a superioridade absoluta da emoção pura”. No entanto, só em 1925, Malevitch fez a sistematização teórica do “Suprematismo”, através do manifesto “Do Cubismo ao Futurismo ao Suprematismo: o Novo Realismo na Pintura”, escrito em colaboração com o poeta Maiakóvski (1893-1930).

Em 1919, El Lissitzky (1890-1941) integra-se no movimento suprematista, tendo desenvolvido os projectos designados por “PROUN”, que descreveu como “uma estação a meio caminho entre a pintura e a arquitectura”, uma forma de arte em que fazia construções montadas sobre as superfícies das paredes, estabelecendo como objectivo essencial a libertação da arte de qualquer interpretação emocional da realidade, através do desenvolvimento de uma nova linguagem abstracta, baseada em elementos correlacionados, estruturas internas, energias e tensões espaciais.

Passados cerca de cem anos, a proposta ora apresentada por Alberto Simões de Almeida revive a concepção suprematista, jogando com os elementos geométricos elementares e com a precariedade de cores, quase sempre planas; trata-se de uma evocação, ora aproximando-se, ora afastando-se, dos trâmites que fundamentaram esse movimento. O ponto de partida foram os desenhos de El Lissitzky, reinterpretando-os, redimensionando-os a três dimensões, buscando a abstracção numa fuga constante a referentes, tentando anular significações, apesar de ser inevitável que qualquer observador possa fazer as suas próprias aproximações mentais à realidade.

As esculturas de Alberto Simões de Almeida são estruturas assimétricas, em que a presença de linhas de fuga introduz uma sensação dinâmica, por vezes bem explícita. À utilização das formas geométricas puras e absolutas características do “Suprematismo” (círculo, quadrado, rectângulo, triângulo e cruz), conjugadas de maneira independente ou combinada, acrescentou a elipse, forma geometricamente mais elaborada. Embora a paleta de cores utilizadas seja reduzida, o branco e o preto integram quase todos os trabalhos, com predomínio do preto no plano-base das esculturas de parede.”

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Fonte:www.albertosimoesdealmeida.com

 

 

 

MÃOS NA MÚSICA

SAXOFONE

 

Saxofone é um instrumento de sopro patenteado em 1846 pelo belga Antoine Joseph Sax, mais conhecido pela alcunha de Adolphe Sax, um respeitado fabricante de instrumentos, que viveu em França no século XIX. Os saxofones são instrumentos transpositores, ou seja, a nota escrita não é a mesma nota que ouvimos (som real ou nota de efeito). A maior parte dos saxofones são em Si♭ (como o sax tenor) ou em Mi♭ (como o sax alto e o barítono). O soprano é normalmente em Si♭.

 

Ao longo do tempo diversas modificações foram feitas, como a chave de registo automática, introduzida no início do século XX em substituição às duas chaves de registo que deveriam ser alternadas manualmente pelo instrumentista. Entretanto, as características gerais do instrumento permanecem as mesmas dos originais criados por Adolphe Sax.

 

O saxofone é um instrumento fabricado em metal, geralmente em latão, com chaves, numa mecânica semelhante à do clarinete e à da flauta. É composto basicamente por um tubo cónico, com cerca de 26 orifícios que têm as aberturas controladas por cerca de 23 chaves e uma boquilha que pode ser de metal ou de resina, na qual se acopla uma palheta.

 

A família do saxofone é extensa. Todos os membros compartilham a mesma digitação e a escrita é sempre em clave de sol, variando a transposição de acordo com o registo do instrumento. Dentre os sete instrumentos originalmente produzidos, há:

 

Saxofone sopranino;

Saxofone soprano;

Saxofone alto;

Saxofone tenor;

Saxofone barítono;

Saxofone baixo;

Saxofone contrabaixo.

 

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Saxofone

 

Coruche tem, em meu entender, um executante de excelência no âmbito do saxofone, pelo que neste post publico um esquiço biogáfico desse artista:

 

David Manuel Carvalho Carrapo (David Carrapo) nasceu a 18 de março de 1969, em Coruche.

Aos nove anos de idade integrou a banda da Sociedade Instrução Coruchense, onde permaneceu quinze anos. Com treze anos de idade fez parte do primeiro grupo de baile denominado Paraíso e, posteriormente, com uma outra formação, do Contacto 003, grupo que teve a duração de dez anos e realizou vários trabalhos discográficos. Fez parte de outros grupos, nomeadamente David e Quim, David e Carlos Marmelada e Santos da Casa (banda rock), os quais deram origem aos Filhos da Terra, banda que conta com trinta anos de existência.

Atualmente faz trabalhos como freelancer com vários músicos e integra, como saxofonista, uma banda emblemática, sediada em Lisboa, os DuraLex Sede Lex. Contudo, o boom do seu trabalho no presente é desenvolvido a solo, tocando saxofone nos mais diversos eventos.

  

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 Créditos fotográficos: Ana Marques / Edição: Paulo Fatela

 Revisão Ana Paiva

FIOS - LINHO, ALGODÃO, LÃ e OUTROS

TECELAGEM

A visada neste post é uma daquelas artesãs que me faz lamentar o facto de eu não ter estrutura para a apoiar e incentivar a continuidade da sua arte, tudo me leva a crer que Lourdes Sousa faz parte do grupo "Os últimos artesãos de Coruche". Contudo não está no âmbito do Coruche à mão fazer análise relativamente ao desaparecimento, em Coruche, destas artes milenáres. Assim sendo,  fica aqui o registo de alguns que fizeram percurso, no caso em tecelagem.

Hoje reporto um esquiço biográfico de Lourdes Sousa e duas peças por ela produzidas:

 

"Maria de Lourdes Luís de Sousa (Lourdes (Sousa) nasceu em 1968, em Santarém.

Foi em Coruche que cresceu, passou a adolescência e parte da vida adulta. Fez formação na área do artesanato, no Instituto Ricardo Espírito Santo nos anos de 1992 e 1993 e no CEARTE de 1994 a 1997.

Em 2002, por razões familiares, optou por mudar a sua residência de Coruche para Castelo de Vide, onde instalou um atelier/loja de artesanato, a maioria das peças que comercializava eram executadas por si.

Uma das áreas do artesanato a que mais se dedicou foi a tecelagem, executando cortinados, toalhas, etc."

 

Fatela, Paulo – Mão com Alma, artes e ofícios tradicionais em Coruche, edição Associação da Charneca Ribatejana, 2014, pág. 30.

 

 

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 Designação: Colete

Material: Linho com tela de cores e ráfia

Dimensão: 034m x 0.65m

Créditos fotográficos: Hélder Roque

 

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  Designação: Cortinado

Material: Linho 

Dimensão: 1.35m x 1.95m

Créditos fotográficos: Hélder Roque

 

Hoje reporto um esquiço biográfico de Maria Marques e foto de uma peça por ela produzida:

 

"Maria Augusta Marques (Maria Marques)

Nasceu em 1934, no Couço - Coruche. Aos dez anos de idade, depois de ter concluído a instrução primária, foi par Abrantes como aprendiz de tecedeira. Após terem sido adquiridos os conhecimentos básicos regressou ao Couço.  Por um conjunto de circunstâncias sociais da época foi obrigada a trabalhar no campo.

Maria Augusta casou-se e teve dois filhos. Só em 1986, através de um homem de cultura, o coucenses José Labaredas,  inicia a atividade na Câmara Municipal de Coruche produzindo peças de tear e dando formação nessa área."

Fatela, Paulo – Mão com Alma, artes e ofícios tradicionais em Coruche, edição Associação da Charneca Ribatejana, 2014, pág. 28.

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 Designação: Colcha

Material: Algodão 

Dimensão: 1.30m x 1.90m

Créditos fotográficos: Hélder Roque

 

MÃOS NA MÚSICA

Sociedade de Instrução Coruchense (SIC)

 

A Sociedade de Instrução Coruchense foi constituída em 9 de abril de 1896, sendo a mais antiga associação em Coruche.

Os seus fundadores foram Artur Peixoto Ferreira (Landal), David Augusto da Silva Sousa, Miguel Teotónio Mendanha, João Maria Gonçalves Júnior, António Lopes Carvalho e Joaquim Valério dos Santos.

Na base da sua existência estiveram desde sempre trabalhadores por conta própria, barbeiros, alfaiates, sapateiros, albardeiros, funileiro, marceneiros, entre outros, residentes na vila de Coruche, manifestando-se logo desde o início uma enorme pluralidade de proveniências geográficas, profissionais e graus de escolaridade.

 

A histórica da SIC cruza-se com várias gerações. Durante longos anos a SIC teve uma atividade cultural relevante, sendo exemplo disso os encontros de bandas regionais e das festividades. A SIC foi, em tempos, a única presença cultural de destaque nas programações festivas de Coruche.

 

Ao longo de mais de um século foram vários os Regentes e Maestros que passaram pela SIC, nomeadamente:

 

Joaquim Valério dos Santos (1.º regente)

José Alboim Foes

Capitão Serra e Moura

António Joaquim Ferreira Andrade

Manuel Vargas

José Esteves Graça

Capitão Fontora Rebelo

António Pereira Preguiça

Luís de Castro

Raul Moreno

António de Almeida

Frederico Coelho Vargas

Basílio Monteiro

Elói José

Tenente José Alves Ribeiro

Portalete

Alberto Nunes Formigão

Ricardo Vieira

José Marquês

Armando Reigota

Gualberto Fonte Santa

Rogério Paulo Martins da Silva

Carlos Eduardo Gaudêncio da Silva (atual regente-maestro)

 

O meu avô João foi músico na SIC e eu tenho memória disso, bem como de uma fotografia emoldurada que estava colocada num dos compartimentos da casa dos meus avós. Essa fotografia ficou na minha posse e, mais tarde, oferecia-a à Banda, quando o meu amigo António João Bacalhau foi diretor da coletividade.

 

Fonte: Bacalhau, António João – “Memória da SIC” ,editado aquando do centenário da SIC – 1896-1996

 

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Revisão: Ana Paiva

 

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 1960 -  Fotos: Arquivo Câmara Municipal de Coruche

 

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2015 -  Fotos: Arquivo Câmara Municipal de Coruche

 

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 2016 -  Créditos fotográficos - Ernesto dos Santos 

MADEIRAS - MARCENARIA, CARPINTARIA, RESTAURO

Este post pretende mostrar as principais ferramentas outrora utilizadas pelos carpinteiros nas abegorias, em regra eram feitas pelos próprios. Normalmente utilizavam a madeira de azinho ou de freixo.

 

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garlopa - plaina grande, usada para aplainar tábuas

 

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rebaixador - para fazer rebaixos em tábuas

 

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guilherme-parafazer correções em juntas de madeira

 

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plaina pequena - para desbaste em superfície lisa

 

 

 

 

 

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plaina de asa - para usar em pequenas superfícies

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 plaina de volta - para aplainar superfícies curvas

 

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Machadinha, com mais de 80 anos, da família Cravidão "Instrumento utilizado pelo madeireiro para fazer a contagem das árvores a abater, calcular o seu valor e fazer uma oferta ao proprietário. Fazia uma pequena marca, com a lâmina, em cada árvore, do lado (de dentro)". Depois de cortadas, marcava cada toro, com as iniciais, de um lado e de outro; quando o toro levava duas marcas de cada lado"

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Serra de sambrar

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Serra

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Serra de rodear 

 

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 Esquadro 

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 Esquadro pequeno

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 Suta

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 Meia esquadria

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Rodas - para medir as rodas das carroças

 

 

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Serrote de traçar

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Machados 

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Pedra de afiar 

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Couto 

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Lima de folha de oliveira 

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Traveira 

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 Desempenadeira - para desempenar superfícies

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Compasso de volta - para medir peças pequenas

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Compassos de bicos - para medir grandes superfícies 

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Arco de pua - para fazer furos

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Goiva - para fabrir furos redondos

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Bedame - para abrir furos estreitos

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 Nivel de madeira caixa - para nívelar superfícies

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Enxó  - para desbastar superfícies 

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Verruma - para fazer pequenos furos 

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 Graminho - para traçar paralelas

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 Graminho - para fazer rasgo nas dornas

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Moldes - para várias aplicações

 

Fonte: Cravidão, João - A Madeiras em Coruche: historial de artes e ofícios já extintos em Coruche”, Coruche: Museu Municipal/Câmara Municipal, 2015, págs. 27, 28, 93, 94, 95, 96, 97 e 98 (peças propriedade de Simão Nunes)

PELES E COUROS - CORREEIROS, SAPATEIROS, PEÇAS DECORATIVAS E ÚTEIS

Para iniciar esta rúbrica publico um bonito texto produzido pelo meu amigo Joaquim Santos, que teve a gentileza de partilhar e colaborar no Coruche à mão. 

 

"Lembranças de outros tempos….

 

A mente humana é um lugar desafiante onde, entre outras coisas, está muita informação guardada.  Alguma dessa informação que vai sendo revelada ao longo da nossa vivencia faz parte do mistério da vida….

Desta forma dei por mim a pensar como e onde terei eu aprendido o significado da palavra Burnil,  a mesma que também é conhecida na gíria como Mulim, Melim ou Moleira. O que é e para que serve?

A primeira vez que ouvi estas palavras foi num mundo que já não existe, que faz parte do meu imaginário. Era um mundo onde eu cabia dentro de uma cesta de verga, que a senhora minha Avó orgulhosamente usava nas idas diárias ao mercado municipal de Coruche. Recordo-me de muita gente em meu redor. Tudo era gigante, as bancas preenchidas de vendedores de produtos hortícolas frescos, peixe, carne, bolos de mel (meus preferidos), era uma azafama total. Percorríamos demoradamente todas as bancas em busca dos produtos mais frescos ou simplesmente para que a senhora minha avó cumprimentasse cada uns dos vendedores(as).

Era uma vivencia cheia de cores e cheiros e nesse percurso havia também lugar a outro dos pontos altos da manhã. A visita às traseiras do mercado, onde por entre o amontoado de carrinhas e carros ainda restavam as ultimas carroças e respetivas mulas, que aguardavam pacientemente que seus donos vendessem os seus produtos para voltarem a casa.

 Foi numa dessas visitas que me foi apresentada a peça fundamental no equilíbrio da relação entre a carroça e a tração animal e o seu condutor e que se destacava pela sua exuberância na decoração. O Burnil, Mulim, Melim ou Moleira.

De que é feito? Pelas mãos sábias de artesãos antigos fazia-se o Mulim de um braçado de palha entrançado com uma determinada configuração e medida. Era revestido a cabedal, cozido à mão e decorado com apliques de lã de cores variadas e garridas. Cada Mulim, representava na sua decoração a zona do país a que pertencia, bem como, o bom gosto do seu proprietário. Era comum serem ricamente decorados com apliques de lã ao longo do “castelo”, reforçado com pequenos guizos, espelhos, apliques de tecido de cores garridas, enfim tudo era válido para dar nas vistas e tornar aquele conjunto ainda mais interessante e vivo.

A função desta peça é simplesmente a de proteger o pescoço  do animal na zona da entrada do garrote de forma a que o animal consiga sem desconforto puxar a carroça. Nesta peça encostava a canga da carroça, que depois de bem apertada pela “tiradeira” e pela “barrigueira” ajustava na perfeição a carroça ao animal que a iria puxar.

O Mulim é composto por um Arco ou Arção, parte interior que envolve o pescoço do animal e pelo Castelo que pode ter vários tamanhos . Naturalmente que quanto maior  o Castelo, mais festivo e ornamental se torna. Contudo, os mulins de trabalho têm normalmente castelos pequenos de forma a não embater em árvores baixas quando utilizados para lavrar, por exemplo; Na parte superior do Mulim e atrás do Castelo existe o vaso onde encaixa a canga da carroça e se fixam os cangalhos; a sua zona inferior é rematada pelas “orelhas” ou “bolas”, onde se aperta os dois gomos do Mulim e se ajusta em redor do pescoço do animal atando com o atilho, onde se encaixa a guizeira.

Passei os anos seguintes a ver no sótão da minha avó um Mulim pendurado. Resistiu anos à poeira e a outros condicionalismo e mais tarde chegou até mim. É uma peça da história e a prova viva de um mundo rural que já não existe. Desta peça dependia o rendimento da tração animal nos trabalhos agrícolas, transporte de géneros e pessoas, que com o evoluir dos tempos foi sendo substituída por outras formas mais modernas e mais adaptadas à realidade atual até às máquinas agrícolas.

Existem relíquias destas  em vários sótãos e arrecadações esperando a sua oportunidade de serem restaurados ou recuperados para orgulhosamente contarem a sua historia, ou simplesmente mostrados e postos a uso. Poucos são já os mestres capazes de os recuperar e cada vez há menos interessados na sua utilização. Mas ainda assim ainda existe quem teime em não deixar estas peças ao abandono, retrato de vivências de um Portugal rural difícil e duro."

 

Joaquim Santos

"Escreve ainda num misto entre novo e antigo acordo ortográfico. Um curioso sobre questões ligadas à etnografia."

 

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Vista geral de um mulim

Créditos fotográficos: Ana Marques

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Pormenor do castelo

Créditos fotográficos: Ana Marques

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Orelhas e atilho de prender

Créditos fotográficos: Ana Marques

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 Adornos no topo do castelo

Créditos fotográficos: Ana Marques

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 A mula Mourisca e o seu mulim

Créditos fotográficos: Ana Marques

 

GASTRONOMIA

AS AROMÁTICAS (ervas) 

No âmbito da rubrica de gastronomia  venho colocar no Coruche à mão alguma informação de ervas aromáticas existentes em Coruche, as quais dão sabor e perfumam os melhores pratos tradicionais e elevam as experiências mais contemporâneas.

Assim o enfoque, neste primeiro momento, vai para o alecrim e a hortelã.

 

ALECRIM (Rosmarinus officinalis)

O alecrim é um arbusto comum na região do Mediterrâneo, desenvolve-se preferencialmente em solos de origem calcária. Devido ao seu aroma característico, o romanos designaram-no como rosmarinus, que em latim significa orvalho do mar. É um arbusto muito ramificado, sempre verde, com hastes lenhosas, folhas pequenas e finas, opostas, lanceoladas.

A parte inferior das folhas é de cor verde-acinzentado enquanto a superior é verde brilhante. As flores reúnem-se em espiguilhas terminais e são de cor azul ou esbranquiçada. O fruto é um aquênio. Floresce quase todo o ano e não necessita de cuidados especiais nos jardins.

Toda a planta exala um aroma forte e agradável. Utilizada com fins culinários, medicinais e religiosos, a sua essência também é utilizada em perfumaria, como por exemplo, na produção da água-de-colónia.

A sua flor é muito apreciada pelas abelhas produzindo assim um mel de extrema qualidade. Há quem plante alecrim perto de apiários, para influenciar o sabor do mel.

Devido à sua atratividade estética e razoável tolerância à seca, é utilizado em arquitetura paisagística.

O alecrim é facilmente podado em diferentes formas e tem sido utilizado em topiária. Quando cultivado em vasos, deverá ser mantido de preferência aparado, de forma a evitar o crescimento excessivo e a perda de folhas nos seus ramos interiores e inferiores, o que poderá torná-lo um arbusto sem forma e rebelde. Apesar disso, quando cultivado em jardim, o alecrim pode crescer até um tamanho considerável e continuar uma planta atraente.

Fresco (preferencialmente) ou seco, é apreciado na preparação de aves, caça, carne de porco, salcichas, linguiças e batatas assadas.

A medicina popular recomenda o alecrim como um estimulante às pessoas atacadas de debilidade, sendo empregado também para combater as febres intermitentes e a febre tifóide.

Em templos e igrejas o alecrim é queimado como incenso desde a antiguidade. Na igreja Ortodoxa o seu óleo é utilizado até aos nossos dias  para unção. Nos cultos de religiões afro é utilizado em banhos e como incenso.

Fonte: https://www.google.pt/?gws_rd=ssl#q=wikipedia+ervas+aromaticas+alecrim

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 Créditos fotográficos: Ana Marques

 

HORTELÃ

A hortelã-verde (Mentha spicata), também conhecida como hortelã-de-leite, hortelã-das-cozinhas, hortelã-dos-temperos, hortelã-vulgar, hortelã-das-hortas, hortelã-comum ou simplesmente hortelã, é uma planta herbácea perene, da família Lamiaceae (Labiadas), atingindo 30 cm a 100 cm.

É uma planta originária da Ásia, mas prolifera  em todo o mundo, porque tolera bem diferentes condições climáticas, desde que não falte água. Em climas frios pode perder as partes aéreas no Inverno, sobrevivendo através dos seus rizomas, que só morrem se o solo congelar completamente.

É utilizada como tempero em culinária, como aromatizante em certos produtos alimentares, ou para a extração do seu óleo essencial. Por vezes, simplesmente cultivada como planta ornamental. É uma das plantas mais usadas do mundo.

É também utilizada como planta medicinal.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Hortel%C3%A3-verde

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 Créditos fotográficos: Ana Marques

 

CEBOLINHO (Allium schoemoprasum)

 

O cebolinho, é uma planta originária da Europa é muitas vezes confundida com o allium  fistulosum, a qual é uma planta de origem asiática muito utilizada na cozinha do extremo Oriente. O cebolinho é uma planta vivaz, que se desenvolve em tufos muito densos. Apresenta folhas verde-escuras, roliças, que atingem no máximo 30 cm de altura. Em junho, cobrem-se de flores rosa-pálido, semelhantes a pompons. Tais flores devem ser imediatamente retiradas para que as novas folhas possam rebentar.

Relativamente à plantação é recomendado dar um espaçamento por metro linear, plantando de 0,20 x 0,10cm, aplicando entre 0,5 gramas de sementes a 0,6 por m². O broto germina no prazo de seis a catorze dias, conforme o local e método de plantação.

O solo deve ter textura média e ser bem drenado, podendo ser plantado o ano todo. Atinge cerca de 0,2 m de altura e pode ser colhida após um prazo médio de três a quatro meses, após a sementeira.

A plantação também poderá ser feita em vasos.

As folhas frescas têm um agradável e suave sabor parecido com o da cebola, sendo especialmente utilizadas cruas em saladas, em pastas de queijo fresco e também em pratos de ovos e queijo. Usam-se os talos em saladas de verduras e de batatas, omeletes e vários outros pratos com ovos. Podem ainda ser salpicados em sopas, batatas assadas, puré de batata ou servidos crus na decoração de pratos.

 

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Allium_schoenoprasum

Revisão Ana Paiva

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  Créditos fotográficos: Ana Marques

 

 SALSA  (Apium)

A salsa é cultivada há mais de trezentos anos, sendo uma das ervas aromáticas mais populares da gastronomia mundial.

A reprodução é feita por sementes. As sementes são colocadas num local ensolarado e em solo drenado que não seja demasiado compacto. Também pode ser cultivada em vasos fundos numa janela ensolarada. A germinação é lenta,  quatro a seis semanas.

A salsa fresca é rica em vitaminas e  ajuda o movimento intestinal, tem vários benefícios para a saúde e  também uso decorativo. É uma boa fonte de antioxidantes, ácido fólico, vitamina C e vitamina A. A salsa não deve ser consumida em excesso por mulheres grávidas. O seu sabor é suave tornando-a numa das mais populares ervas aromáticas, é universalmente utilizada em sopas, molhos, pratos de carne, de peixe, de marisco, omeletas e massas.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Salsa_(planta)

019.JPG Créditos fotográficos: Paulo Fatela

 

COENTROS (Coriandrum)

O coentro é uma erva aromática cuja origem é incerta, sabe-se que os antigos egípcios já a utilizavam para embalsamar os corpos e como planta medicinal (a eles se atribuíam propriedades digestivas, calmantes e, quando usado externamente, para alívio de dores das articulações e reumatismos).

Os gregos e os romanos  utilizavam o coentro em pratos e bebidas.

O coentro pode ser plantado diretamente no solo ou em vasos. A colheita poderá ser feita após aproximadamente 50 dias da plantação da semente. O ciclo de produção desta planta é relativamente curto, se comparado ao de outras plantas como a salsa.

O coentro é muito utilizado na cozinha indiana e árabe. Em Portugal, é bastante usado no Alentejo, para enriquecer pratos tais como as açordas, sopa de cação e carne de porco à alentejana, e também para temperar saladas. A região da grande Lisboa  também se rendeu ao seu aroma perfumado e passou a integrá-lo na sua alimentação.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Coentro

024.JPG  Créditos fotográficos: Paulo Fatela