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coruche à mão

preservar memória / criar valor

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FIOS - LINHO, ALGODÃO, LÃ e OUTROS

Conforme já publicado, tinha intenção de ter disponivel neste forum um video passo a passo de bordado a ponto de cruz. Soliticei à artesã Manuela Mesquita e a Tânia Prates, com formação em multimédia, para concretizarem esta minha vontade.

Concretizou-se!!!

Os videos foram visualizados pela 1ª vez no dia 15/05/2016, no auditório José Labaredas - museu municipal de Coruche.

A partir de hoje estão disponiveis no youtube.

Em https://www.youtube.com/channel/UCrTUoSBR79bu-jmf40mz0Vw estão alojados os vídeos relativos a bordado em ponto de cruz com a artesã Manuela Mesquita, realizados por Tânia Prates, a ambas o meu muito OBRIGADO.

Relembro que há poucos vídeos em português, neste âmbito, mas com a nossa carolice conseguimos disponibilizar material produzido em Coruche, com mãos e cabeça.

APRESENTAÇÃO DO CORUCHE À MÃO, EXPOSIÇÃO DE BORDADOS EM PONTO DE CRUZ E DEGUSTAÇÃO GASTRONÒMICA

Aconteceu em 15/05/2016 a apresentação do Coruche à mão, foi no museu municipal de Coruche, na presença de muitos amigos e seguidores do blog.

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Com a Vice-Presidente da Câmara Municipal de Coruche - Engª Fátima Galhardo, Helena Diogo Claro, Ana Paiva e Tânia Prates da equipa do Coruche à mão

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 Auditório do museu municipal de Coruche

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 1ª exibição do passo a passo de bordado a ponto de cruz

DSC00239.JPGDetalhe da mesa de apresentação. Trata-se de um conjunto de várias peças que resultam a partir das mãos,  foram ou irão ser abordados no Coruche à mão.

Créditos fotográficos: Ana Marques

 

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Alguns detalhes da exposição e das peças produzidas: 

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 Peças de Guilhermina Simões e Ana Paiva

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 Peça de Eunice Silva 

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 Peça de Ana Ribeiro

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 Peças de Ana Paiva, Guilhermina Simões, Rosa Lagriminha, Lurdes Martinho e Eunice Silva

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 Peça de Manuela Mesquita

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 Peça em fase de produção de Helena Diogo Claro

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Peças de Helena Diogo Claro, Eunice Silva, Clara Palminha e Ana Ribeiro

Créditos fotográficos: Ana Marques

 

 Mesa de degustação

Foi uma mostra éfemera de produtos gastronomicos publicados no Coruche à mão pelas mãos de:

Ana Paiva; Luis Masques; Cristina Pereira; Natalina Asseiceira; Amorim Alves; Fernando Serafim; Luís Simões; Jacinto Rodrigo e José Alfredo Ferreira, Ldª. 

Muito obrigado pela partilha

  

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DSC00338.JPG Pão - Amorim Alves

DSC00227.JPGDetalhe decorativo

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 Bolo de mel - Cristina Pereira

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Bolos de mel - Luís Simões 

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Enchidos - Jose  Alfredo Ferreira, Ldª

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 Arroz doce - Ana Paiva

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 Arroz doce - Fernando Serafim 

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 Arroz doce - Natalina Asseiceira

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 Mel - Jacinto Rodrigo

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 Favas -  Luís Marques 

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 Créditos fotográficos: Ana Marques

 

Mais um conjunto de fotos do evento supra, agora com a cortesia de José Fatela  

IMG_6983.JPGApresentação do blog com a Vice-Presidente, Engª Fátima Galhardo (Gostei quando se referiu à minha pessoa como "agregador de particulas")

IMG_6993.JPGApresentação do video passo a passo do bordado de ponto de cruz.

IMG_6963.JPGPeça de Eunice Silva

IMG_6966.JPGPeças de Clotilde Fatela, Lurdes Martinho, Rosa Lagriminha e Guilhermina Simões

IMG_6968.JPGPeças de Ana Paiva

IMG_6973.JPGPeça de Ana Paiva

IMG_6976.JPGPeça de Guilhermina Simões

IMG_6977.JPGPeça de Ana Paiva

 

IMG_7013.JPGPeças de Fátima Esteves, Docelina Cardoso, Márcia Branco, Carlota Branco e Luisa Serrão

IMG_7023.JPGModelo desenhado por Helena Diogo Claro

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IMG_6998.JPGMel - Jacinto Rodrigo

IMG_7007.JPGBolo de mel - Cristina Pereira

IMG_7001.JPGPão - Amorim Alves

IMG_7008.JPGEnchidos - José Alfredo Ferreira, Ldª / Bolos de mel - Luís Simões

 Créditos fotográficos: José Fatela

 

Cortesia de Hugo Lourenço, colaborador do Coruche à mão.

_HGL8584.JPGApresentação do Blog Coruche à mão

_HGL8589.JPGMesa com alguns dos produtos gastronómicos para degustação

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_HGL8604.JPGMomento de socialização - O virtual não substitui o presencial!

 Créditos fotográficos: Hugo Lourenço

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

GASTRONOMIA

Em 21/02/2016 publiquei um post sobre favas, faço nele referência a uma deliciosa receita de arroz de favas. O meu amigo Luís Marques confeciona excelentemente  arroz de favas, o meu prato favorito, aceitou o desafio do Coruche à mão. 

Obrigado pela partilha da receita e pelo grande almoço. 

 

"Arroz de favas

(para 6 pessoas)

 

 Ingredientes:

Favas descascadas – 700 g

Linguiça – 600 g

Chouriço de sangue – 600 g

Entrecosto – 1 kg

Toucinho alto salgado – 50 g

Cebolas médias – 2

Vinho branco – 3 dl

Coentros – 1 molho

Rama de alho

Arroz carolino – 150 g

Piripiri – 1

Açúcar amarelo – 1 colher de chá

Sal qb

Azeite

 

Coloca-se um tacho largo em lume brando, com um golpe de azeite, o toucinho cortado em fatias finas sobre as quais se depositou a cebola picada grosseiramente e aguarda-se que o mesmo derreta, mexendo ligeiramente com a colher de pau, para não pegar ao fundo.

Quando a cebola amaciar coloca-se o chouriço de sangue já cortado às rodelas da espessura de um dedo e a linguiça em rodelas um pouco mais finas, envolvem-se com a cebola e deixa-se cozinhar um pouco, após o que se introduz o entrecosto, o piripiri, o vinho branco e uma boa dose de coentros amarrados pela rama do alho (boneca). Deve ter-se atenção, durante a cozedura, à necessidade de ir acrescentando um pouco de água.

Assim que as carnes se encontrarem quase cozinhadas introduzem-se as favas e cobrem-se com água morna. Nessa altura retira-se a boneca e volta-se a colocar outra, assim como o açúcar amarelo e um pouco de sal.

Sendo as favas ainda pequenas, ao fim de 15 minutos de cozedura estão prontas para se integrar o arroz. Se necessário junta-se um pouco mais de água a ferver, retifica-se de sal e deixa-se cozer até que o arroz fique al dente, altura em que se retira do lume e, com o tacho bem tapado, aguardam-se 5 minutos para servir.

Acompanha com salada de alface com cebola cortada às rodelas e coentros migados, temperada com azeite, vinagre e sal.

Bom apetite... e não esquecer um bom vinho tinto."

Por: Luís Marques

 

As favas na horta do meu amigo Luís:

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As favas no tacho:

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As favas no prato:

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 Créditos fotográficos: Paulo Fatela

Revisão: Ana Paiva

 

CORTIÇA - FIGURADO, PEÇAS ÚTEIS

O sobreiro (Quercus suber)

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 Fotografia arquivo Câmara Municipal de Coruche

 

O sobreiro é uma árvore perene da família das Fagáceas (Quercus suber), a que também pertencem o castanheiro e o carvalho. Existem 465 espécies de Quercus, principalmente em regiões temperadas e subtropicais do Hemisfério Norte. A cortiça extrai-se da espécie Quercus suber L.

É devido à cortiça que o sobreiro tem sido cultivado desde tempos remotos. A extração da cortiça não é, em regra, prejudicial à árvore, uma vez que esta volta a produzir nova camada de “casca” (suber) a cada nove anos, período após o qual é submetida a novo descortiçamento. Recentemente têm-se desenvolvido processos mais mecanizados, como o caso da máquina que corta a cortiça, evitando lesões prejudiciais à vida do sobreiro e que facilita o trabalho dos tiradores, sem os substituir, aumentando assim a produtividade.

A cortiça é um produto mediterrânico, produzido apenas por um conjunto restrito de países, dos quais se destaca Portugal como maior produtor.

 

A cortiça é, sem dúvida, uma matéria-prima utilizada em todo o mundo, nas mais diversas atividades e negócios. A sustentabilidade ecológica da cortiça confere-lhe as caraterísticas  necessárias para se impor como a matéria-prima de referência, num planeta que se quer cada vez mais protegido ambientalmente.

 

É indubitável que a cortiça é possuidora de qualidades únicas, sendo acima de tudo um material 100% natural, reciclável e biodegradável. Estas caraterísticas elegeram ainda a cortiça como recurso utilizado em áreas inovadoras como o mobiliário, moda, indústria aeroespacial, etc.

 

Em Portugal existem mais de 720 mil hectares de montado do sobro e Coruche assume-se (a nível concelhio) como o maior produtor de cortiça, pois só de uma unidade industrial de Coruche saem diariamente cinco milhões de rolhas de cortiça para todo o mundo.

 

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sobreiro

http://www.amorim.com/a-cortica/mitos-e-curiosidades/O-Sobreiro/110/

Fatela, Paulo – Mãos com Alma: artes e ofícios tradicionais em Coruche, edição   Associação para o Desenvolvimento da Charneca Ribatejana, 2004.

 

A produção de peças artesanais, em Coruche, a partir da cortiça, não é demonstrativa de inovação; contudo, existem alguns artesãos em Coruche que desenvolveram ou desenvolvem peças, essencialmente decorativas.

Dinis Azevedo, Henrique Barroso, Arlindo Pirralho, José Inácio Carvalho, Paulo Nunes e António Arsénio Jerónimo produzem essencialmente miniaturas (artesanato tradicional), na maioria reveladoras das suas vivências rurais. António Jerónimo distingue-se, considerando que a sua  produção é essencialmente constituída por peças úteis.

 

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 Artesão: António Jerónimo

Designação: Recipiente para produtos diversos

Material: Cortiça

Dimensão: 0,33m x 0,29m

Créditos fotográficos: José Fatela

 

Revisão: Ana Paiva

 

 

GASTRONOMIA

TOURO BRAVO

O uro ou auroque foi um animal que viveu no período do Neolítico, em quase toda a Europa, e que alguns sustentam deu origem ao TOURO, outros consideram que é descendente do touro africano, introduzido pelos  Cartagineses, cruzados na península com o dos Celtas

Existem vários tipos de touros, nomeadamente os domésticos, que vivem em estábulos ou são criados em pastagens e se destinam para o trabalho e alimentação humana, e os selvagens ou de lide, que vivem nos campos e lezírias.

O touro de lide, que se conserva na península Ibérica, distingue-se pela bravura da sua investida.

Fonte: Lexioteca – Moderna Enciclopédia Universal, edição Círculo de Leitores, pág. 275.

 

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Créditos fotográficos por João Dinis

 

Perde-se no tempo a relação da tauromaquia com o concelho de Coruche.

Coruche é dos poucos concelhos no país, se não o único, onde podemos encontrar todos os elementos ligados à tauromaquia.

Existiram e existem várias ganadarias, nomeadamente de António Silva, Vale Sorraia, David Ribeiro Telles, Lopes Branco, Herdeiros de Alberto Cunhal Patrício e outras.

Entre cavaleiros, forcados, matadores e bandarilheiros encontram-se figuras reconhecidas no panorama taurino, algumas já retiradas, como David Ribeiro Telles, José Simões ou os irmãos Badajoz.

Coruche foi um concelho de mão cheia no que respeita a figuras taurinas em todas as categorias profissionais, incluindo as de retaguarda, como o ferrador, o embolador, o correeiro, o alfaiate, o condutor do camião dos cavalos, o cocheiro, o moço de espadas.

A Praça de Touros de Coruche há décadas que é palco das designadas corridas de toiros, sobretudo nas tradicionais festas em honra de Nossa Senhora do Castelo.

 

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Foto arquivo Câmara Municipal de Coruche 

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 Arquivo -  Museu Municipal de Coruche

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FCB 1972.08.16 Coruche (65).jpg Arquivo Fotográfico Museu Municipal de Coruche

Fotografias de Carlos Brito

Corrida em Coruche, 1972.08.16

Cavaleiro: David Ribeiro Telles

Matador: José Simões

Forcados: Amadores de Coruche

 

TOURADA

A tourada é um espetáculo em que o artista, a pé ou a cavalo, executa a lide de touro bravo até lhe dar a morte (real ou simulada). Na Península Ibérica, como mostram as pinturas rupestres, já lidavam touros muitos séculos antes de Cristo. Praticada a tourada a cavalo durante toda a Idade Média, sobretudo como preparação da guerra, só a partir de 1726 começou a ser praticado o toureio a pé. Em Portugal a tourada praticou-se desde sempre, como provam as referências no livro Ensinamentos de bem cavalgar toda a sela, de D. Duarte.

Fonte: Lexioteca – Moderna Enciclopédia Universal, edição Círculo de Leitores, pág. 274

 

O paradigma está a mudar, hoje há grupos de defesa dos animais que contestam as tradicionais corridas de touros, já não se verifica tanta regularidade na realização da festa brava.

Desde 2003 os corredores da praça de touros de Coruche passaram a ser palco do evento gastronómica “Sabores do Touro Bravo”, organizado pela Câmara Municipal.

 

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São vários os restaurantes do concelho que povoam a praça de toiros, entre eles O Farnel, que partilhou no Coruche à mão uma receita de touro bravo. Obrigado Carlos Peseiro.

  

FICHA TÉCNICA

 Naquinhos de vitela brava com carqueja

(4 pessoas)

 Ingredientes:

  • 800g de rojões de vitela brava
  • Sal, pimenta, colorau q.b.
  • 8 dentes de alho picados
  • 2,5 cl de vinho branco e tinto (misturados)
  • 4 cl de azeite
  • Ramo de carqueja
  • 4 folhas de louro
  • 100g de banha
  • 4 cebolas picadas
  • 400g de batata roleira
  • 1 molho de grelos

PREPARAÇÃO:

Temperam-se os rojões com sal, alho picado, louro, um pouco de pimenta e azeite o suficiente para ligar os ingredientes à carne. Deixe este preparado de um dia para o outro.

Num tacho coloca-se um pouco de azeite, banha e o preparado anterior; deixam-se corar os rojões. De seguida coloca-se a cebola picada, deixa-se corar novamente, tapa-se com a mistura dos vinhos e junta-se o ramo da carqueja. Tapa-se o tacho e deixa-se cozinhar até a carne ficar tenra.

Acompanhamentos:

Batata roleira temperada com sal, alho picado, colorau e azeite assada no forno, e grelos salteados.

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 Créditos fotográficos por Carlos Peseiro

 

Outra receita:

 

Naco de touro bravo

A carne de touro bravo tempera-se de véspera com sal, alho, cravinho, noz-moscada e louro. Deixa-se dentro de um recipiente em  vinho tinto.

Num tacho coloca-se azeite, margarina e cebola picada. Deixa-se refogar um pouco e depois insere-se o naco de touro bravo e cobre-se com vinho. Coze durante duas horas.

Serve-se com batatas, ervilhas e cenouras cozidas.

 

No contexto do evento Sabores do Touro Bravo desenvolvi uma coleção e peças úteis e decorativas (pintura – acrílico s/ madeira, cerâmica e têxtil), as quais foram apresentadas em 2007. Foi produzido um catálogo com fotografia de Carlos Silva. Aconteceram várias exposições/vendas, mas o tempo encarregou-se de diluir a vontade de persistir contra uma corrente não identitária.

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  Créditos fotográficos por Carlos M. Silva

 

Revisão: Ana Paiva

PATRIMÓNIO EDIFICADO

Clarisse Henriques veio a este forum partilhar registo fotográfico, o seu olhar, as suas memórias,  no âmbito do desafio "Sinalizar em Coruche, através de registo fotográfico, elementos arquitetónicos cuja execução surgiu através da mão…"

Diz-nos:

"Depois de muito protelar chegou o momento de ir ao desafio! Para iniciar voltei às minhas origens, fui fotografar a casa dos meus avós no lugar do Feixe Freguesia da Erra Concelho de Coruche. Não está a ser fácil, mostrar cada detalhe cada imagem que ali fiz, porque  foi o recordar o tempo em que ali vivi, do que ali brinquei e do que ali fui feliz! Uma saudade imensa, pior que quando entro nas ruínas e me deparo com pertences que tanto vincaram a minha meninice! Amo este lugar e acima de tudo a saudade dos meus avós os quais tanta referencias eu tenho! Onde quer que estejam continuam no meu coração!"

Obrigado Clarisse

 

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 Créditos fotográficos por Clarisse Henriques

PATRIMÓNIO EDIFICADO

No âmbito do desafio colocado no 1º post sobre património edificado, "Sinalizar em Coruche, através de registo fotográfico, elementos arquitetónicos cuja execução surgiu através da mão…" chegaram mais fotografias que registam a passagem do tempo nas edificações e seus detalhes, no caso implantadas em pleno centro histórico de vila de Coruche. 

Hoje publico, mais uma vez,  o olhar do fotografo Hélder Roque (2ª série de fotografias). Obrigado e abraço

São revestimentos em azulejo de casas "senhoriais" :

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Créditos fotográficos por Hélder Roque

 

 

FIOS - LINHO, ALGODÃO, LÃ E OUTROS

O cobertor de papa

 

O cobertor de papa era utilizado nos anos 20/40 pelos trabalhadores rurais para proteção do frio e da Chuva.

 

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Desenho de José Luiz Pereira

 

O cobertor de papa constitui o produto final de um longo processo, que carrega um entrelaçar de memórias, sejam elas as dos homens que os produziram, sejam as daqueles que, ao longo do tempo, os consumiram.

Feito em tear manual, o cobertor de papa serrana, habitualmente usado por pastores, é feito com lã churra de ovelha, uma lã mais grossa e comprida do que o habitual.

Também é conhecido por cobertor de pelo, manta lobeira, amarela e espanhola, podendo ser produzido numa só cor (branco, verde, vermelho, etc.), com a cor “barrenta” (branco e castanho), bordado a azul, verde e vermelho (destinado ao Minho e ao Norte do País) ou fabricado com tiras coloridas de castanho, amarelo, verde e  vermelho (típico da zona do Ribatejo).

Tosquiada a ovelha, a lã é levada para o “lavadouro” para ser lavada. Para que se possa tecer é preciso urdir a teia. Nesta operação utiliza-se o fio chamado barbim, que é montado no casal e depois na urdideira, em comprimento e número de fios necessários para tecer as pisas. A pessoa que urde marca na teia, a carvão, a medida dos cobertores. Urdida a teia, já designada de meias, é tirada e enrolada no órgão do tear manual. A nova teia é atada nos fios que sobram da teia anterior, passando os nós pelas liçeiras e pente.Tradicionalmente são os homens que tecem, ocupando-se as mulheres de encher as canelas e ajudar com a urdidura. Depois de tecida é cortada e levada para o pisão. A pisa é metida em água e batida pelos maços até ficar encorpada, mais forte e espessa. A meio da operação tira-se a pisa fora para se esticar e coloca-se, depois, novamente dentro do pisão. Terminado este trabalho passa-se para a percha para fazer o pelo. Quando o pelo está pronto,molha-se, vira-se a pisa e cortam-se os cobertores. Devido ao aperto e água os cobertores precisam enxugar e ser esticados. Este processo realiza-se ao ar livre, na râmbola. A râmbola é uma armação em ferro com picos nas extremidades, onde são presos os cobertores até secarem.

 

Fontes: http://www.eaomacainhas.com/index.html, 2015.05.10. http://aervilhacorderosa.com/2010/10/cobertores-de-papa/, 2015.07.07. http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=1070519, 2015.07.07.Reis, Maria do Céu Baía Oliveira - “Notas sobre o cobertor de papa de Maçainhas”, O Fio da Memória, 12, Guarda: Câmara Municipal, 2003.

 

Em 1901 Sebastião Henriques Simões estabeleceu-se em Coruche com os Armazéns Primavera, uma das maiores casas comerciais do Ribatejo. Tinha indústria de moagem e descasque de arroz, armazéns de mercearia e estabelecimentos de venda ao público. Os Armazéns Primavera exploravam os negócios de mercearias, adubos, combustíveis, petróleo, seguros, tabacos. Na loja havia secções de calçado, chapelaria, camisaria, louças, tecidos (sedas, algodões, lanifícios, malhas interiores e exteriores, mantas lobeiras e outras), alfaias agrícolas, móveis de ferro, esmaltes, colchões, torrefação de café [fonte: Heraldo Bento]

In, Brochura – Espaço Malhas – Bienal de Artes Plásticas - Envolvências Locais – 2015 - Paulo Fatela e Ana Paiva 

 

[PD] Heraldo Bento (20) [010.00859].jpg

 Foto arquivo CMC / Armazéns Primavera

 

Várias foram as casas comerciais em Coruche que venderam as mantas/cobertores de papa,  atualmente apenas em centros turísticos, nomeadamente nas lojas “A vida portuguesa” em Lisboa e Porto é possível encontrar estas peças. As mantas/cobertores de papa são ainda produzidas em Maçainhas pelo único tecelão dessa aldeia no distrito da Guarda. É muito interessante a filosofia subjacente ao negócio da empresa “A vida portuguesa” na perspetiva dar continuidade ao produto.

 

 

LOGOTIPO

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 Versão cores

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 Versão fundo branco

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Versão fundo preto

 

O meu blog - Coruche à mão já tem logotipo, foi produzido pela minha amiga Helena Diogo Claro, mestre em design de comunicação.