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coruche à mão

preservar memória / criar valor

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REPRESENTAÇÕES PICTÓRICAS DE CORUCHE E OS SEUS PROTAGONISTAS

Em Coruche há artistas no âmbito das artes visuais que expressam, em papel ou tela, com vários pigmentos e outros materiais, alguns inovadores, as mais diversas representações de Coruche, o seu património edificado, as paisagens urbanas e outras...

 

Helena Diogo Claro é natural de Coruche, Mestre em Design e Cultura Visual no ramo de especialização de Design de Produção de Ambientes, pela Escola Superior  de Design de Lisboa, é atualmente Técnica Superior no Museu Municipal de Coruche, onde desenvolve trabalhos nas áreas de educação e do design.

Frequentou o ensino secundário na Escola Dr. Gienestal Machado de Santarém, na área de Artes Visuais, licenciando-se no ano de 1998 em Design pela Escola Superior de Design de Lisboa.

Foi professora, no ensino público, de Desenho, Design, Multimédia, História das Artes, Geometria Descritiva Artes Visuais durante dez anos.

Em outubro de 2001 faz a primeira exposição, na galeria da Junta de Freguesia de Coruche. No mesmo ano é convidada a participar no primeiro salão de artesanato de Coruche, Foi membro da CORART – Associação de Artesanato de Coruche e vice-presidente, de 2001 a 2005, onde desenvolveu vários projetos e participou em diversas mostras de artesanato. Em 2004, na Galeria de Artes e Ofícios da CORART, realiza nova exposição individual de pintura, Lecionou diversos cursos de pintura: aguarela em 2003, óleo (iniciação) de 2003 a 2005.

No ano de 2008 termina o Mestrado em Design e no mesmo ano profissionaliza-se como professora pela Escola Superior de Setúbal.

Desenvolveu vários projetos de design de interiores e gráficos, bem como trabalhos de ilustração. Realiza trabalhos de pintura a óleo, carvão, pastel e aguarela, pintura cerâmica, madeira, Têxtil e mural e crua peças de bijutaria.

Em 2013 participou na Bienal de Artes Plásticas de Coruche / Envolvências Locais.

 

Em baixo temos uma pequeníssima mostra de três telas, as duas primeiras intitulam-se "Namoro" e a última "A noiva", trata-se de pintura a óleo s/ tela e representam figuras do povo anos 20/30.

 

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IMG_6510.JPG Créditos fotográficos: Helena Diogo Claro

FIGURAS ICÓNICAS

O meu amigo Hélder Roque partilhou com o Coruche à mão fotos no âmbito do desafio “Património Edificado”, nomeadamente de edifícios com revestimentos em azulejo, algumas referem-se a um  edifício cujo proprietário é  Nobel da arquitetura paisagista,  arqtº Gonçalo Ribeiro Telles.

DSC_0450.JPGCréditos fotográficos: Hélder Roque

Assim,  este post tem como objetivo introduzir em contexto do Coruche à mão o arqtº Ribeiro Telles, figura icónica, notável da  sociedade contemporânea.

 

 

Esquisso Biográfico

 

Gonçalo Ribeiro Telles nasceu em Lisboa, a 19 de Maio de 1922. A sua juventude foi passada entre Coruche e Lisboa, considerando que o seu pai era natural de Coruche e aí viviam familiares, aos 2, 3 anos veio a Coruche pela primeira vez para ser mostrado ao seu avô.

Licenciou-se em engenharia agrónoma e fez um curso livre de arquitetura paisagista. Iniciou a sua vida profissional como assistente universitário, tornando-se discípulo de Francisco Caldeira Cabral. Mais tarde seria professor catedrático convidado da Universidade de Évora, criando as licenciaturas em arquitetura paisagista e em engenharia biofísica.

Iniciou a sua intervenção pública como membro da Juventude Agrária e Rural Católica. Com Francisco Sousa Tavares fundou, em 1957, o Movimento dos Monárquicos Independentes, a que se seguiria o Movimento dos Monárquicos Populares. Em 1967, aquando das cheias de Lisboa, impôs-se publicamente contra as políticas de urbanização vigentes.

Em 1969 integra a Comissão Eleitoral Monárquica, que se junta às listas da Ação Socialista Portuguesa, de Mário Soares, na coligação Comissão Eleitoral de Unidade Democrática (CEUD), para concorrer à Assembleia Nacional. Em 1971 ajudou a fundar o movimento Convergência Monárquica.

Após o 25 de Abril, fundou o Partido Popular Monárquico. Foi Subsecretário de Estado do Ambiente nos I, II e III  Governos Provisórios, e Secretário de Estado da mesma pasta, no I Governo Constitucional. Em 1979 integrou a Aliança Democrática, liderada por Francisco Sá Carneiro, coligação através da qual foi eleito deputado à Assembleia da República, em 1980 e em 1983. Entre 1981 e 1993 integrou o VIII Governo Constitucional, chefiado por Francisco Pinto Balsemão, como Ministro de Estado e da Qualidade de Vida. Durante o seu ministério, assume um papel preponderante no estabelecimento de um regime sobre o uso da terra e o ordenamento do território, ao criar as zonas protegidas da Reserva Agrícola Nacional, de as bases do Plano Diretor Municipal.

Em 1984, após sair do governo e já afastado do PPM, fundou o Movimento Alfacinha, com o qual se apresentou candidato à Câmara Municipal de Lisboa, conseguindo a eleição como vereador. Em 1985 regressa à Assembleia da República  como deputado independente, eleito nas listas do Partido Socialista. Em 1993 fundou o Movimento o Partido da Terra, cuja presidência abandonou em 2007.

Entre os seus projetos, são de assinalar o espaço público do Bairro das Estacas, em Alvalade; os jardins da Capela de São Jerónimo, no Restelo; a cobertura vegetal da colina do Castelo de São Jorge; os jardins da Fundação Calouste Gulbenkian, que assinou com António Barreto - recebendo o prémio Valmor de 1975; o Jardim Amália Rodrigues, junto ao Parque Eduardo VII, em 1996; e o conjunto de projetos que concebeu, entre 1998 a 2002, por solicitação da Câmara Municipal de Lisboa, das estruturas verdes principal e secundária da Área Metropolitana de Lisboa, e que se encontram hoje em diferentes fases de implementação: o Vale de Alcântara e a Radial de Benfica, o Vale de Chelas, o Parque Periférico, o Corredor Verde de Monsanto e a Integração na Estrutura Verde Principal de Lisboa da Zona Ribeirinha Oriental e Ocidental.

Em 2013 foi galardoado com o Prémio Sir Geoffrey Jellicoe, a mais importante distinção internacional no âmbito da arquitetura paisagista.

 

O arqtº Gonçalo Ribeiro Telles tem atualmente 94 anos de idade.

 

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Gon%C3%A7alo_Ribeiro_Telles

Catálogo da exposição temporária “Coruche na obra do arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles, patente no Museu Municipal de Coruche, Agosto de 2005

 

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Catálogo da exposição temporária “Coruche na obra do arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles, patente no Museu Municipal de Coruche, Agosto de 2005

Créditos fotográficos: Paulo Fatela

 

PATRIMÓNIO EDIFICADO

Ermida de Nª Srª do Castelo

 

" A vila de Coruche fica à margem direita do Sorraia, no sopé de um monte alto (89 m) que a domina do lado N e em cujo topo se erguia, no tempo dos mouros, um castelo, que era um miradoiro estratégico de primeira ordem para toda a vasta região da esquerda do Tejo.

Esse castelo , de que a vila parece ter herdado o nome, foi tomado aos mouros e 1166 por D. Afonso Henriques, e reparado no ano seguinte, segundo se deduz da Chronic Gothorum (P.M.H., Scriptores, p. 15-16). Os almóades reapossaram-se dele em 1180, mas destruiram-no e levaram cativos os moradores. Dois anos depois o rei de Portugal voltou a ocupar o local, restaurou o castelo e reprovou-o concedendo foral aos moradores. 

Hoje nada resta dessa velha fortaleza, cujo sitio constitui o adro ou rossio da modesta ermida da Senhora do Castelo."

 

Ribeiro, Margarida, Estudo hístórico de Coruche, Edição Câmara Municipal de Coruche, 2009, pág. 55

 

Registo fotográfico da ermida de Nª Srª do Castelo,  de três fotografos colaboradores do Coruche à mão. Obrigado Hugo, Zé e Ernesto  

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 Créditos fotográficos: Hugo Lourenço 

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 Créditos fotográficos: José Cordeiro

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  Créditos fotográficos: Ernesto dos Santos

TINTAS - CERÂMICA, MADEIRA, TÊXTIL, PORCELANA, AZULEJO

Azulejo

Azulejo é a palavra portuguesa que designa uma placa cerâmica quadrada com uma das faces decorada e vidrada. A sua utilização é comum a outros países como Espanha, Itália, Marrocos, etc., mas Portugal assume importância no contexto universal da criação artística.

O azulejo é um elemento identificativo da cultura portuguesa, considerando que a azulejaria é desenvolvida em Portugal há cinco séculos; a sua aplicabilidade como elemento que estrutura as arquiteturas, através de grandes revestimentos nas fachadas dos edifícios e no seu interior e pelo modo como tem sido entendido, não só como arte decorativa mas como suporte de renovação do gosto e de registo do imaginário.

As primeiras utilizações remontam ao século XVI (influência hispano-mourisca). Ao longo dos séculos vários momentos importantes e influências aconteceram (ex: Rococó, Neoclassicismo, etc.) até hoje. A expo´98 permitiu verificar a atual pertinência do uso do azulejo, onde o edifício do Oceanário é um bom exemplo.

 

A propósito de azulejos e daqueles que no percurso de vida tiverem ou têm relação com estes elementos artísticos em Coruche, o primeiro destaque recai sobre o mestre Esteves / Relvas.

José David Esteves nasceu em Lisboa, em 1927, iniciou com 17 anos de idade o seu percurso, na Fábrica Viúva Lamego, como modelador de cerâmica. Durante 17 anos contactou de muito perto com grandes figuras das artes plásticas, como Querubim Lapa, Leopoldo Almeida, Almada Negreiros, Manuel Cargaleiro, Jorge Barradas, Estrela Faria, entre outros. Em 1961 rumou a Lourenço Marques – Moçambique. Muito embora nessa fase a sua atividade principal não fosse associada às artes, manteve o interesse, o que o levou a colaborar, mais tarde, com a escultora alemã Ula Hanzel e também com Querubim Lapa nos painéis de entrada do Banco Nacional Ultramarino de Maputo. Regressou a Portugal em 1977, mas só um ano mais tarde voltou às artes plásticas, ao se envolver no projeto Cerâmica Artista ML Valente, Lda. Três anos mais tarde fixou residência em Coruche, aliciado pelo projeto Cerâmica Artística e, em 1981, inicia funções na Câmara Municipal de Coruche, primeiramente como desenhador. Todavia, foi nas artes plásticas que veio a centrar posteriormente toda a sua atividade. São inúmeros os trabalhos que realizou no concelho de Coruche, sendo que muitos deles podem ainda ser apreciados, tais como os painéis de azulejos do Pavilhão Municipal, das creches da Azervadinha e da Quinta do Lago, do lar de idosos da Lamarosa, as placas toponímicas da vila, o busto da República existente nos Paços do Concelho, entre muitos outros. No ano de 2002 foi-lhe atribuído um espaço de atelier no Museu Municipal de Coruche, onde  desenvolveu trabalhos diversos. O modelador/ceramista Relvas, como sempre assinou todos os seus trabalhos e por cujo nome ficou conhecido, faleceu em 2005.


Fontes:

Catálogo da exposição temporária “Coisas da Idade”, patente no Museu Municipal de Coruche de 31 de maio a 13 de julho de 2003.

Fatela, Paulo – Mão com Alma, artes e ofícios tradicionais em Coruche, edição Associação da Charneca Ribatejana, 2014.

 

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Relvas

Designação: Mural

Material: azulejo e tintas

Dimensão: alt. 1,98m, comp. 4.30m

Créditos fotográficos: Hélder Roque

 

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Relvas

Título: Fumeiro

Designação: Painel

Material: azulejo e tintas

Dimensão: alt. 0,45m, comp. 0,45m

Créditos fotográficos: Hélder Roque

 

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 Relvas

Designação: Placa toponímica

Material: azulejo e tintas

Dimensão: alt. 0,45m, comp. 0,45m

Créditos fotográficos: Hélder Roque

 

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 Relvas

Designação: Placa toponímica

Material: azulejo e tintas

Dimensão: alt. 0,35m, comp. 0,45m

Créditos fotográficos: Hélder Roque

 

Revisão: Ana Paiva

FIOS - LINHO, ALGODÃO, LÃ e OUTROS

TRAJES

No sentido de dar continuidade ao post sobre trajes tradicionais, publico mais uma fotografia, na circunstância um vestido de noiva, anos 30.

Trata-se de um vestido cujo tecido é "marrocan de lã" bordado com missangas, esta peça foi executada em ateliers do CRIC, tendo como formadora Joaquina Mendanha. 

A fotografia foi produzida no âmbito do livro Mãos com alma, artes e ofícios tradicionais em Coruche.

PICT0007.JPGCréditos fotográficos: Carlos M. Silva

Modelo: Teresa Neves

 

in: Fatela, Paulo – Mãos com Alma: artes e ofícios tradicionais em Coruche, Associação para a Promoção Rural da Charneca Ribatejana, 2014, p 89.

GASTRONOMIA

Pão nosso...

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  Créditos fotográficos: José Fatela

 

DSC00338.JPG Créditos fotográficos: Ana Marques

 

O meu amigo Amorim Alves, aquando da apresentação do Coruche à mão, fez pão cozido em forno de lenha. Na sequência desse momento publico mais alguma informação associada à produção de pão.

 

Utensílios usados no preparo do forno

O rodo, a pá e o forcado são os utensílios usados para preparar o forno e manobrar o pão durante a cozedura. O forcado tem a função de empurrar a lenha para dentro do forno, o rodo para remover as brasas, a pá para dispor o pão dentro do forno e, depois da cozedura, retirá-lo.

 

Amassadura do pão

Preparar a massa com farinha, água morna, fermento de padeiro, uma pitada de sal e amassar tudo muito bem.

Tradicionalmente é evocada a proteção dos santos para que a massa cresça e o pão fique bom.

 

Aquecimento do forno a lenha

Enquanto a massa repousa para levedar, o forno é aceso e aquecido, com lenha pequena, nomeadamente vides. É empurrada para dentro do forno com a ajuda do forcado.

 

Alguidar de massa  lêveda

Ao levedar, a massa duplica de tamanho e cria bolhas de ar no seu interior.

Nesta fase a massa está pronta para ser cortada nos tamanhos desejados, tendida na forma de pão e levada ao forno a cozer.

 

Fonte: SILVA, Vera Alexandra Rego da – O Moinho do Xico, Lourinhã: Câmara Municipal, 2016.

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SUNP0017.JPGCréditos fofográficos: Amorim Alves 

Revisão: Ana Paiva

 

 

 

 

 

TRINDADES

AS TRINDADES

Em Santana do Mato e em São Torcato, no domingo da Santíssima Trindade, culminando o ciclo das festividades pascais, ocorriam as cerimónias de bênção do gado. As festas da Trindade têm como referência temporal a Páscoa, contudo há informação de um outro referente temporal: em finais de maio e junho, quando se comiam os primeiros frutos trazidos da Beira Baixa, era o tempo das cerejas.

“Em São Torcato, pequena localidade a sul de Coruche, a cerimónia da bênção do gado decorria na imediação da igreja. Eram instaladas baias de proteção ao longo do caminho, por detrás das quais as pessoas se acomodavam à passagem dos animais. O padre posicionava-se num pequeno palanque sobrelevado para proceder à bênção dos animais que diante de si passavam. O gado caprino, ovino, mas sobretudo suíno e bovino, era trazido pelo lavradores e conduzido por pastores e campinos. A cerimónia era ainda precedida de uma procissão. Havia também quem, mais humildemente, levasse a benzer a sua ovelha ou o seu porco, elementos essenciais da economia doméstica. Após a bênção dos animais, as pessoas merendavam e conviviam nos terrenos circundantes à igreja, onde decorria o arraial, animado pela atuação de artistas contratados.

Segundo Florindo Brites, natural de São Torcato, a chamada de muitos rapazes para a guerra do Ultramar, nas décadas de 60 e 70 do século XX, contribuiu para que as festas deixassem de se realizar. 

Na localidade de Santana do Mato, Adelina Sofia recorda a chegada à igreja do gado primorosamente enfeitado para ser benzido. Depois era acomodado à sombra, nos terrenos adjacentes. Também aqui as pessoas se juntavam para merendarem a sua galinha ou galo e dançarem até ao final da tarde, momento de regresso às suas casas.”

Caeiro, Rosário – “O trabalho e a festa: de São Miguel a São Miguel”, in: Coruche: o Céu a Terra e os Homens, Coruche: Câmara Municipal/Museu Municipal, pp. 186-187.

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Cerimónia de bênção de gado no domingo da Santíssima Trindade. São Torcato, Coruche, final da década de 40 do século XX.

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Cerimónia de bênção de gado no domingo da Santíssima Trindade. São Torcato, Coruche, final da década de 40 do século XX

Catálogo Coruche: o Céu a Terra e os Homens, Coruche: Câmara Municipal/Museu Municipal, pp. 24 e 186.

 

Em 22 de maio de 2016, a convite do meu amigo Fernando Serafim, fui verificar “in loco” como acontecem as “Trindades” em São Torcato, uma iniciativa interrompida durante muitos anos, cerca de cinquenta, e retomada pelo padre João Luís Silva em 2012.

À luz dos registos sobre as comemorações existem de facto alterações: os animais levados à bênção são maioritariamente cavalos e alguns cães.

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A caminho da bênção - Salguerinha (em frente à casa de Fernando Serafim,  autor do texto “Histórias de (um) outro mundo” in catálogo Coruche: o Céu a Terra e os Homens, Coruche: Câmara Municipal/Museu Municipal, pp. 25-26.

2504.JPGBênção dos animais / S. Torcato - 22/05/2016

Créditos fotográficos: Paulo Fatela 

 

A missa é realizada no terreiro da igreja,  seguida de uma pequena procissão, em que o andor com o São Torcato é colocado numa carrinha de caixa aberta. A procissão percorre a rua de acesso à igreja, posteriormente é feita a bênção dos animais.

A socialização dos habitantes e forasteiros acontece no Centro Social de São Torcato e não nas imediações da igreja, completamente fora da descrição bucólica do meu amigo Fernando Serafim num texto publicado no catálogo Coruche: o Céu a Terra e os Homens, Coruche: Câmara Municipal/Museu Municipal, pp. 25-26: “Histórias de (um) outro mundo”.

Relevo algumas constatações: o facto de algumas pessoas terem cuidado com a sua apresentação, pois trata-se de um momento de festa, como tal há que usar as melhores roupas; a vontade de socializarem e  confraternizarem à volta da mesa com uma boa canja de galinha de campo; mas as mãos deixaram de produzir os ornamentos dos animais...

 

Em Santana do Mato, também no passado domingo, ocorreram  as Trindades. 

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Revisão: Ana Paiva 

 

 

FIOS - LINHO, ALGODÃO, LÃ e OUTROS

ALFAIATES

 

Fatos de Toureiro

Manuel Fernandes Marques (Manuel Marques) o primeiro e último alfaiate de fatos de toureiro, em Coruche.

Manuel Marques nasceu em 1933, na freguesia do Biscainho, em Coruche. Tal como muitos da sua geração, nascidos no meio rural, terminou a instrução primária e foi para o campo trabalhar com o seu pai. Aos onze anos de idade Manuel Marques decidiu aprender a tocar acordeão, tendo essa atividade passado a principal,  em detrimeno do trabalho do campo e dessa forma "ganhava a vida" a tocar em casamentos, batizados e outras festas. Decidiu aos 16 anos de idade que era possível desenvolver outra atividade profissional, para além de instrumentista de acordeão. Assim, veio para Coruche aprender o ofício de alfaite, tendo sido um dos seus mestres o alfaite Cabral. Mais tarde e,  já como alfaite tradicional, instalado no Bicainho, o cavaleiro João Ribeiro Telles, desafiou-o a fazer-lhe uma casaca de toureiro. Contudo, entendeu por bem frequentar uma academia em Lisboa, por forma a adquirir formação. Foi seu formador o grande mestre Alberto Armindo, discipulo de Rosário Pires, o qual teria produzido casacas para o rei D. Carlos. Após a formação, dedicou-se em exclusivo à produção de fatos de toureiro, tendo durante muito tempo tido a colaboração da bordadeira Maria Rita de Oliveira. Hà cinquenta anos na atividade de alfaite de fatos de toureiro, Manuel Marques vestiu figuras do toureiro nacional como: João Ribeiro Telles, António Ribeiro Telles, Luís Miguel da Veiga, Rui Salvador, João Salgueiro, Sónia Matias e muitos outros. Para além de clientes nacionais possuia também uma carteira de clientes dos Estados Unidos da América, México entre outros países.

 

Almeirim 3-4-11 461.jpgDesignação: Colete de cavaleiro tauromáquico

Material: Cetim de cor branca, bordado com linhas de cor azul e aplicações de rendas

Créditos fotográficos: Joaquim Mesquita

Almeirim 3-4-11 466.jpg Designação: Colete de cavaleiro tauromáquico

Material: Cetim de cor branca, bordado com linhas de cor vermelha, azul e verde azul e aplicações de rendas

Créditos fotográficos: Joaquim Mesquita

 

Fonte:

Fatela, Paulo – Mãos com Alma: artes e ofícios tradicionais em Coruche, edição   Associação para o Desenvolvimento da Charneca Ribatejana, 2004.

 

 

FIOS - LINHO, ALGODÃO, LÃ e OUTROS

Conforme já publicado, tinha intenção de ter disponivel neste forum um video passo a passo de bordado a ponto de cruz. Soliticei à artesã Manuela Mesquita e a Tânia Prates, com formação em multimédia, para concretizarem esta minha vontade.

Concretizou-se!!!

Os videos foram visualizados pela 1ª vez no dia 15/05/2016, no auditório José Labaredas - museu municipal de Coruche.

A partir de hoje estão disponiveis no youtube.

Em https://www.youtube.com/channel/UCrTUoSBR79bu-jmf40mz0Vw estão alojados os vídeos relativos a bordado em ponto de cruz com a artesã Manuela Mesquita, realizados por Tânia Prates, a ambas o meu muito OBRIGADO.

Relembro que há poucos vídeos em português, neste âmbito, mas com a nossa carolice conseguimos disponibilizar material produzido em Coruche, com mãos e cabeça.

APRESENTAÇÃO DO CORUCHE À MÃO, EXPOSIÇÃO DE BORDADOS EM PONTO DE CRUZ E DEGUSTAÇÃO GASTRONÒMICA

Aconteceu em 15/05/2016 a apresentação do Coruche à mão, foi no museu municipal de Coruche, na presença de muitos amigos e seguidores do blog.

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Com a Vice-Presidente da Câmara Municipal de Coruche - Engª Fátima Galhardo, Helena Diogo Claro, Ana Paiva e Tânia Prates da equipa do Coruche à mão

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 Auditório do museu municipal de Coruche

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 1ª exibição do passo a passo de bordado a ponto de cruz

DSC00239.JPGDetalhe da mesa de apresentação. Trata-se de um conjunto de várias peças que resultam a partir das mãos,  foram ou irão ser abordados no Coruche à mão.

Créditos fotográficos: Ana Marques

 

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Alguns detalhes da exposição e das peças produzidas: 

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 Peças de Guilhermina Simões e Ana Paiva

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 Peça de Eunice Silva 

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 Peça de Ana Ribeiro

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 Peças de Ana Paiva, Guilhermina Simões, Rosa Lagriminha, Lurdes Martinho e Eunice Silva

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 Peça de Manuela Mesquita

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 Peça em fase de produção de Helena Diogo Claro

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Peças de Helena Diogo Claro, Eunice Silva, Clara Palminha e Ana Ribeiro

Créditos fotográficos: Ana Marques

 

 Mesa de degustação

Foi uma mostra éfemera de produtos gastronomicos publicados no Coruche à mão pelas mãos de:

Ana Paiva; Luis Masques; Cristina Pereira; Natalina Asseiceira; Amorim Alves; Fernando Serafim; Luís Simões; Jacinto Rodrigo e José Alfredo Ferreira, Ldª. 

Muito obrigado pela partilha

  

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DSC00338.JPG Pão - Amorim Alves

DSC00227.JPGDetalhe decorativo

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 Bolo de mel - Cristina Pereira

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Bolos de mel - Luís Simões 

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Enchidos - Jose  Alfredo Ferreira, Ldª

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 Arroz doce - Ana Paiva

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 Arroz doce - Fernando Serafim 

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 Arroz doce - Natalina Asseiceira

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 Mel - Jacinto Rodrigo

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 Favas -  Luís Marques 

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 Créditos fotográficos: Ana Marques

 

Mais um conjunto de fotos do evento supra, agora com a cortesia de José Fatela  

IMG_6983.JPGApresentação do blog com a Vice-Presidente, Engª Fátima Galhardo (Gostei quando se referiu à minha pessoa como "agregador de particulas")

IMG_6993.JPGApresentação do video passo a passo do bordado de ponto de cruz.

IMG_6963.JPGPeça de Eunice Silva

IMG_6966.JPGPeças de Clotilde Fatela, Lurdes Martinho, Rosa Lagriminha e Guilhermina Simões

IMG_6968.JPGPeças de Ana Paiva

IMG_6973.JPGPeça de Ana Paiva

IMG_6976.JPGPeça de Guilhermina Simões

IMG_6977.JPGPeça de Ana Paiva

 

IMG_7013.JPGPeças de Fátima Esteves, Docelina Cardoso, Márcia Branco, Carlota Branco e Luisa Serrão

IMG_7023.JPGModelo desenhado por Helena Diogo Claro

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IMG_6998.JPGMel - Jacinto Rodrigo

IMG_7007.JPGBolo de mel - Cristina Pereira

IMG_7001.JPGPão - Amorim Alves

IMG_7008.JPGEnchidos - José Alfredo Ferreira, Ldª / Bolos de mel - Luís Simões

 Créditos fotográficos: José Fatela

 

Cortesia de Hugo Lourenço, colaborador do Coruche à mão.

_HGL8584.JPGApresentação do Blog Coruche à mão

_HGL8589.JPGMesa com alguns dos produtos gastronómicos para degustação

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_HGL8604.JPGMomento de socialização - O virtual não substitui o presencial!

 Créditos fotográficos: Hugo Lourenço