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coruche à mão

preservar memória / criar valor

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PALAVRAS ESCRITAS

PALAVRAS ESCRITAS é um subtítulo do CORUCHE À MÃO. Pretendo referenciar autores,  coruchenses ou com vinculo a Coruche, de livros publicados.

Neste primeiro post o foco vai para Ana Falusino  (esquiço biogáfico) e para o seu livro Inquietudes dos Meus Cristais (três poemas).

 

 

ANA  FLAUSINO

 

Esquiço biográfico

 

Formada pelo Magistério Primário de Évora, possui uma especialização na área da deficiência mental assim como uma licenciatura em problemas graves de cognição pela ESE de Lisboa.

 

A vida profissional foi exercida entre o ensino regular e a educação especial tendo passado por Coruche e Lisboa.

Em 1975 foi em Comissão de Serviço para a Alemanha Federal onde trabalhou com filhos de emigrantes portugueses residentes em Waldquirch e Wolfag.

 

Colaborou com o jornal de Coruche “O Sorraia” com diferentes Artigos de Opinião “Todos diferentes, todos iguais”; “ Tio Bell e as criancinhas”; “ A princesa mal amada”; e “À beira de um ataque de nervos”;

 

Foi também Autora de diferentes projetos… nomeadamente “Ludoteca Municipal de Coruche” (2000);  “ENCOSTATAMIM” (2009) e “ODAC- Oficina de Artes de Coruche” (2013).

 

Nutre interesse na arte de escrever e na arte do pintar. No seu entender o pintar é uma outra forma de fazer poesia, uma outra forma de comunicar, através da libertação pictórica e estética das formas, o que permite ao autor da Obra entrar em diálogo permanente com o observador, num diálogo aberto, sem tabus nem preconceitos.

 

No campo da literatura infantil escreveu várias peças de teatro, contos e poesia. Autora de livro de Poemas: As Inquietudes dos Meus Cristais, Chiado Editora, setembro 2011.

 

Fontes:

FLAUSINO, Ana – Inquietudes dos Meus Cristais, edição Chiado Editora -2011

Catálogo Bienal de Artes Plásticas – Percursos com Arte, Coruche – 2013

 

Publico aqui três poemas que constam no livro Inquietudes dos Meus Cristais. 

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 Créditos fotográficos: Paulo Fatela

 

 Poemas

 

MÃOS

 

Essas mãos de trabalho

São o ouro do baralho

De uma vida descontente

Fruto de um Deus menor

Que se impõe pela sua dor

Aonde a felicidade parece ausente

 

Mãos enrugadas, agruras

Mãos entreabertas, ternuras

Esperanças que vêm e vão

Se comprimem, se espelham

Entre os dedos e se ajoelham

Joias do mundo…são

 

E em todas as madrugadas

Um sem fim de jornadas

Postam-se firmes e imortais

Mãos ágeis e experientes

Fortificam, são sementes

Luz do sol de muitos sais

 

O mundo falado e escrito

É um pulsar humano com sentido

Caixinha de Pandora do momento

Património tão escondido

Que de muitos é foragido

Tudo liberdade, pensamento

 

 

 

INQUIETUDES

 

Inquietudes quem as não tem

Na frenética busca de se estar bem

São provas inequívocas de uma existência

Painel de muitos conflitos

Ecos de uma liberdade… gritos

Onda selvagem, doce adolescência

 

 

 

MULHER

 

És a força que brota da terra

Melodia que sopra da serra

És flor de uma primavera a parir

E nesse teu corpo de esplendor

Corre a mais nobre seiva de amor

Alimento para filho teu…florir

FIOS - LINHO, ALGODÃO, LÃ e OUTROS

TALEIGO

 

Taleigo é um saco de tecido que pode ser usado para múltiplas finalidades. Por si só, o próprio taleigo pode ser um presente, mas, sobretudo, pode diminuir o consumo de papel e plástico quando utilizado como embalagem..

 

O  principio do taleigo é reaproveitar tecidos que, de outro modo, acabariam no lixo. Antigamente faziam-se taleigos dos pedaços de tecidos que se tinham e até roupa velha era usada. O resultado final dependia da imaginação de cada um.

 

Há taleigos que resultam da junção de retalhos (patchwork) mas também os há bordados e, ornamentados com diversos detalhes, como as designadas “vassouras”; pequenas esferas em crochet, quadrados de tecido, etc.

 

Para fechar os sacos / taleigos em regra é utilizada fita de nastro, contudo também há quem faça um cordão manualmente.

 

Alguns exemplos de utilização de taleigos:

Guardar o pão

Ir às compras

Guardar a roupa suja

Guardar o pijama

Saco da dança

 Saco do tricot

Guardar o smartphone / tablet, ...

 

Entre muitas outras ideias, que pode partilhar no Coruche  à Mão!

 

Projeto Taleigo

 

Rebuscando esta nossa antiga tradição e tendo em conta que a costura voltou e está para ficar, proponho a todos os que souberem costurar que produzam um taleigo, CERTO?

 

O projecto Taleigo pretende proteger o ambiente e manter viva a tradição:

 

A proposta é de que produza um taleigo cuja foto será publicada no âmbito do blog,  Coruche à Mão e posteriormente  realizar-se-á uma exposição das peças, em local a definir.

 

A calendarização definida para o projeto é de 2 meses (março e abril) para produção da peça, e deverá ser-me entregue até final de maio para registo fotográfico e publicação.

 

Publico nesta fase algumas fotos de taleigos em contexto de cortejo etnográfico e de algumas peças que fazem parte do meu espólio e da amiga Joaquina  Mendanha.

 

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Taleigo bordado a ponte de cruz

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Detalhe

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Taleigo produzido com retalhos / composição simétrica

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Detalhe

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Taleigo produzido com retalhos / padrões diversos / harmonia cromática

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Detalhe

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Taleigo para pão / bordado e arte aplicada (composição floral com tecidos recortados)

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Taleigo para pão / bordado à máquina

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Taleigo com padrão de retalhos

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Taleigo bordado a ponto pé de flor

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Detalhes

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Taleigo em tecido floral e cercadura em crochet

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Detalhes

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Taleigo (grande) para roupa / tecidos de padrões diversos - peça anos 30 (sec. XX)

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Detalhes

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Taleigo (pequeno) / produzido com retalhos de padrões diversos e unidos de forma aliatória

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Taleigo (pequeno) em tecido de bolinhas e cercadura em crochet

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Cordão

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Terminais para taleigos

Créditos fotográficos: Paulo Fatela

 

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 Arquivo fotográfico / CMC

 

 Adelaide Casinhas partilhou com o Coruche à Mão três taleigos:

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Taleigo bordado a ponte de cruz

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Taleigo  bordado à máquina

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Detalhe

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Taleigo  bordado à máquina

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Detalhe

 

Créditos fotográficos: Paulo Fatela

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ARTES PLÀSTICAS

Margarida Caçador Marques

 

Esquiço biográfico:

 

Margarida Caçador Marques nasceu em 1985, em Santarém, mas viveu cerca de 30 anos em Coruche. Em 2008 licenciou-se em Artes Visuais, na vertente de pintura, pela Universidade de Évora. Atualmente vive em Lisboa e é professora. É na criação artística que encontra grande parte da sua satisfação.

No âmbito das artes visuais tem interesse por várias áreas e gosta de utilizar diferentes tipos de linguagens. No desenho e ilustração gosta de usar marcadores, aguarelas e lápis de carvão. Na gravura e carimbos utiliza a repetição. O quotidiano é um tema que lhe é caro.

No seu trabalho mais recente explora as potencialidades da mancha através da aguarela.

Tem realizado várias exposições individuais e coletivas, nomeadamente a participação no projeto Envolvências Locais integrado na Bienal de Artes Plásticas de Coruche – Percursos com Arte, nas edições de 2013 e 2017.

 

26696356_1636616376386222_1859218811_n.jpg Gravuras em linólio

26696891_1636616476386212_175394472_n.jpgIlustrações em aguarela

"As duas da direita têm a tematica da dor de cabeça, a do canto inferior esquerdo é o miúdo da minha tia a fazer uma birra e a do canto superior direito é uma personagem chamada farrusca."

26753778_1636616539719539_1980473777_n.jpg Exploração da mancha em aguarela

14359087_1166059376773769_4538592467331310671_n.jp Pormenor de um quadro em que é utilizada a técnica de carimbos

14102300_1147359225310451_856200008894307782_n.jpgPeça da série colagens

 
 

Créditos fotográficos: Margarida Caçador Marques

Revisão: Ana Paiva

 

 

FIBRAS VEGETAIS - CESTARIA, EMPALHAMENTOS

Ainda sem folego para produzir novos posts, considerando o projeto que desenvolvi no âmbito das "Envolvências Locais / 2017" integrado na Bienal de Artes Plásticas - Percursos com Arte. Contudo publico aqui os textos de enquandramento da intervenção artística "Entre Pontes", os quais foram adaptados pela minha colega Ana Paiva e que fazem sentido, também, na sequência do post sobre fibras vegetais divulgado em 03/04/2016.

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 O RIO SORRAIA

O Sorraia é um rio singular. Não nasce. Forma-se. É resultado da junção, perto do Couço, das ribeiras de Sor e da Raia, no sítio chamado de Entre-Águas. Tem aproximadamente 60 quilómetros de extensão e atravessa, de nascente para poente, o concelho de Coruche; desagua na Ponta d’Erva, para lá de Samora Correia, sendo um dos mais importantes afluentes do Tejo.

 

A Obra de Rega do Vale do Sorraia, concluída em 1959, possibilita o aproveitamento da água armazenada nas barragens de Maranhão e de Montargil e a respetiva distribuição através de estações elevatórias e de canais de rega. Representa a mais importante mudança ao nível da exploração agrícola do vale. As culturas de sequeiro passaram para segundo plano, sendo desde então exploradas as culturas de regadio, onde predomina o milho, o arroz e o tomate.

 O RIO NA HISTÓRIA

A utilização do rio como eixo de comunicação privilegiado remonta à Pré-História, sendo de realçar, ao período de ocupação romana, a existência de um povoamento concentrado ao longo do vale. Ao período dos Descobrimentos deverão remontar as jangadas usadas para dirigir a madeira flutuante rio abaixo, até à foz do Tejo, matéria-prima fundamental para a indústria de construção naval. O escoamento dos produtos agrícolas e a circulação de mercadorias fez-se, durante séculos, através do rio Sorraia. No século XVIII a navegabilidade do Sorraia está comprovada durante todo o ano por bateiras até aos rápidos do Furadouro. Já para os finais do século XIX, inícios do XX, é confirmada pela subida das fragatas até ao Couço. Em meados do século XX, devido ao assoreamento, já só era navegável por pequenos barcos de pescadores locais.

 Era comum ver as lavadeiras a lavar a roupa na água corrente do rio, esfregando-a com sabão na “trapeça”.

Lavadeiras do rio Sorraia junto à ponte do caminh

Lavadeiras junto à ponte do caminho de ferro. Coruche, séc. xx (MMC/EM)

 

Apenas no registo toponímico e documentação antiga subsiste a memória de alguns portos fluviais outrora existentes nas margens do Sorraia: o Porto João Felício, o Porto João Ferreira, a Travessa do Porto Zambado. Ainda o Porto de Évora e o Porto da Palhota eram mencionados em documentos.

  

PONTES - PASSAGEM ENTRE MARGENS

A fixação e importância da passagem do vale do Sorraia frente a Coruche deveu-se, seguramente, à existência do castelo no alto do monte. Consequentemente, mesmo depois do seu desaparecimento, a vila foi-se munindo de todo o equipamento de passagem (pontes e barca) e de acomodamento para apoio dos viajantes e da realeza.

A par da existência de uma barca de passagem sobre o rio Sorraia, uma ou mais pontes de madeira terão sido construídas pelos habitantes de Coruche, com o apoio dos monarcas. Também com o apoio da coroa foi (re)construída em tijolo, no ano de 1828, a Ponte da Coroa.

A persistência de pontes de madeira e de barca de passagem foram uma constante ainda durante o século XX, seja em Coruche, até à inauguração da ponte General Teófilo da Trindade, seja no Couço, até à construção da ponte de betão, onde a barca de Joaquim Casanova do Couço substituiu, por altura das cheias, a ponte de madeira.

No século XXI, em 2012, o açude-ponte pedonal veio assegurar a ligação entre as duas margens, promovendo uma maior aproximação física e afetiva dos coruchenses ao rio e incentivando a um estilo de vida mais saudável com a criação de uma rede de percursos pedestres. Também melhorou as condições de migração dos peixes, através da incorporação de um dispositivo de passagem.

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Ponte da Coroa. Coruche, anos 1960 (MMC/CMC)

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Barca de passagem. Couço. séc. XX (MMC/JC)

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Presidente Óscar Camona inaugura a ponte Teófilo da Trindade. Coruche, 1930 (MMC/HB)

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Açúde - ponte sobre o rio Sorraia. Coruche - 2012 (MMC/TP)

 

O RIO E AS CHEIAS

As cheias acompanham toda a história de Coruche. Durante largos séculos puseram em causa a passagem do vale, dada a recorrente destruição das pontes, deixando atrás de si áreas pantanosas e braços mortos de rio que importava transpor. No entanto, é inquestionável a sua forte ação benéfica ao nível da fertilidade dos solos, em proveito da prática agrícola.

As barragens de Maranhão (1957) e Montargil (1958), ainda que sendo duas obras de grande importância do ponto de vista agrícola, não vieram anular a questão das cheias em Coruche, ainda que contribuíssem para a sua menor frequência.

Ainda em fevereiro de 1978 uma cheia provocou a inundação de toda a planície e invadiu a parte baixa da vila de Coruche, atingindo a cota de 18,35m. No entanto, estas imagens fazem parte do passado. A grande obra do emissário e dique de proteção à vila, bem como o intercetor de cintura e os novos coletores de águas pluviais, vieram evitar que as cheias invadissem as ruas de Coruche. 

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Cheias na Rua de Santarém - Coruche. séc XX (MMC/JOS)

 

 FLORA E FAUNA DO RIO

O rio Sorraia, ao longo do seu traçado, é acompanhado por um diversificado ecossistema, que tipifica as características de uma zona ribeirinha. A acompanhá-lo estão amplas áreas agrícolas que interferem significativamente no seu equilíbrio ecológico.

As suas margens foram já dominadas por salgueiros, freixos e choupos. Atualmente resistem exemplares de choupais e salgueirais, acompanhados por tímidas comunidades de caniços e juncais.

O Sorraia é um importante corredor ecológico de fauna, em particular de avifauna. Destaca-se o facto da lontra ainda utilizar este corredor para as suas migrações anuais, que efetua ao longo das linhas de água, deslocando-se para o interior do país, onde se alimenta e reproduz.

Possuindo uma biodiversidade rica e variada, o vale do Sorraia é fértil em espécies de aves, tanto residentes todo o ano como migratórias. Assim, podem-se destacar, entre muitas outras, a cegonha-branca, o peneireiro-cinzento, a tarambola-dourada, o abibe-comum, o abelharuco-comum, a alvéola-branca e a coruja-das-torres. Nas suas margens muitas espécies residentes encontram na vegetação nidificação, onde se pode observar o pato-real, a garça-branca e a garça-real, o rouxinol-pequeno-dos-caniços, a galinha-de-água, o mocho-galego, o guarda-rios, o cartaxo-comum, o pintarroxo-comum ou o trigueirão.

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Alvéola-branca (MMC/AP)

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Patos-reais (MMC/AP)

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Garça-boeira (MMC/AP)

 

OS PEIXES E A PESCA DO RIO

O leito do rio Sorraia foi fértil em cardumes de fataças, sáveis e lampreia, assim como barbos, bogas, bordalos, enguias, pardelhas, camarão de água doce, pimpões e sarmões. Hoje pode encontrar-se barbo, carpa e tainha-fataça.

Os pescadores, utilizando uma bateira, empregavam nas suas pescarias vários instrumentos, de entre os quais as redes fixas, como a nassa e o tresmalho, e as redes móveis. A nassa, constituída por arcos e de forma cónica, era utilizada sobretudo na pesca da enguia. Os pescadores fixavam-na no fundo do rio, em locais pouco profundos e onde a água era de corrente forte. O tresmalho, por seu lado, era utilizado na apanha do peixe mais pequeno. Era composto por três panos de rede retangular sobrepostos, sendo os panos exteriores de malhagem mais larga e o do meio de malhagem mais apertada.

As redes móveis, atingindo algumas delas até cinquenta metros de comprimento, eram colocadas de modo a cercar o peixe, sendo depois arrastadas para a margem. As redes de malha mais larga eram utilizadas na pesca do sável, pois era o peixe que atingia as maiores dimensões.

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António Ramusga a reparar uma rede. Coruche. 2006 (MMC)

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O "Figuras" com um barbo pescado no rio Sorraia. Coruche (MMC/TF) 

 

O RIO E OS PESCADORES

Apesar de não ter grande tradição no concelho de Coruche, a atividade piscícola sempre existiu e foi até há cerca de cinquenta anos o sustento de várias famílias não se podendo referir a existência de uma comunidade piscatória. Na vila podiam encontrar-se os Tanoeiros e os Robertos, naturais de Coruche, e os Ramusgas, vindos da Praia de Vieira.

Embora em alguns casos se dedicassem exclusivamente à pesca, havia pescadores que trabalhavam também a terra, praticavam a caça e tinham mesmo outras atividades como a tanoaria. As mulheres tornaram-se conhecidas por venderem o peixe, dando visibilidade ao vestuário fortemente marcado pelas características da Beira Litoral.

Durante o inverno as sucessivas cheias tornavam difícil a prática da pesca no rio, pelo que alguns pescadores ganhavam a vida mais com o transporte de pessoas entre as margens do que propriamente com a pesca.

O sável e a lampreia, abundantes no início do século XX, já não existem, mas é frequente verem-se os pescadores desportivos, ora aos fins de semana de cana às costas ora marcando presença em campeonatos, que passaram a fazer do Sorraia ponto de referência a nível nacional e internacional.

As pistas de pesca do rio Sorraia na frente ribeirinha de Coruche e em Santa Justa (Couço), consideradas das melhores a nível mundial, apresentam excelentes condições para a prática da pesca desportiva, fruto das características do espelho de água e da sua riqueza piscícola.

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Pesca desportiva feminina no rio Sorraia, na zona das Baleias - Coruche. século XX (MMCMNC)

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Pescadores colocando as nassas no rio Sorraia. Coruche. anos 1950 (MMC/HB)

 

 

 

 

ADAPTAÇÃO DE TEXTOS

Ana Paiva

TEXTOS ADAPTADOS

Galhardo, Fátima; Carvalho, José Alberto Lima; Calais, Cristina; Batalha, Luís – Vagas leves, rostos do rio: catálogo, Coruche: Câmara Municipal/Museu Municipal, 2003. Coruche Magazine n. 38, jan./fev. 2010; Coruche Magazine n. 47, jan./abr. 2012; Bento, Heraldo – O rio Sorraia e Coruche, Coruche: Câmara Municipal, 1996; Pena, António – Um roteiro natural do concelho: Coruche, Coruche: Câmara Municipal, 2002; Coruche inspira 2017

 

 

 

Bienal de Artes Plásticas - Percursos com Arte - 2017- Envolvências Locais

MURAL de pintura coletiva

  

Local: Avª Luís de Camões (entre o Mira Rio e o Museu)

  

Partilhar foi o mote deste projeto 

 

"Numa base previamente definida, considerando a localização do mural, duas premissas levaram ao desenvolvimento gráfico da peça: Património natural com os peixes associados ao nosso rio Sorraia e património edificado presente na azulejaria do casario existente no centro histórico da Vila de Coruche.

A opção cromática não surge de forma espontânea, as cores eleitas são o verde (esperança), o amarelo (anárquico/marginal) em contraponto com o branco (paz) e o negro, por mais que não queiramos está sempre, sempre presente...

 

Não obstante tratar-se de uma obra de caráter efémero está subjacente ao projeto o registo pictórico de várias mãos. Grupos heterogéneos que de forma coordenada irão durante o evento – Bienal de Coruche – Percursos com Arte dar corpo e cor ao projeto.

 

Paulo Fatela"

 

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Projeto / simulação

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 Produção: Paulo Fatela; Manuela Fonseca; Equipa de pintores da DOEM/CMC (José Rosado e Joaquim José)

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Produção base finalizada

 

Work in progress

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Produção de áreas de pintura: Margarida Vicente 

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Produção de áreas de pintura: Laura Vicente e Eva Mendes

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Produção de áreas de pintura: Lourdes Oliveira e Clotilde Fatela

23584611_1701233643242928_1579683823_n.jpgProdução de áreas de pintura: Manuela Fonseca

23584762_1701236319909327_1269796176_n.jpgProdução de áreas de pintura: Ana Paiva

23602022_1701229979909961_1256233934_n.jpgProdução de áreas de pintura: Luís Marques

23602174_1701231023243190_465322131_n.jpgProdução de áreas de pintura: Fernando Marques

23602224_1701231933243099_1390458291_n.jpgProdução de áreas de pintura: Maria Lubélia Raposo

23619153_1701231506576475_183296434_n.jpgProdução de áreas de pintura: Ana Maria Marques

23634840_1701232243243068_373389219_n.jpgProdução de áreas de pintura: Maria do Carmo Alves

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Produção de áreas de pintura: Margarida Esteves

23635559_1701234026576223_542882592_n.jpgProdução de áreas de pintura:Márcia Branco e Carlota Fonseca

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Produção de áreas de pintura:Margarida Marques 

 

 

23574434_1701235736576052_697683655_n.jpg Work in progress

22309068_10155058961616313_5527841494819213311_n.jPeça finalizada

 

Participantes:

Ana Maria Marques

Maria Lubélia Raposo

Margarida Marques

Helena Diogo

Dulce Patarra

Luís Marques

Ana Paiva

Fernando Marques

Manuela Fonseca

Manuel Casa Branca

Clotilde Fatela

Lourdes Oliveira

Marlene Pereira

Margarida Vicente

Laura Vicente

Eva Mendes

Márcia Branco

Carlota Fonseca

Maria do Carmo Alves

Beatriz Pereira

Margarida Esteves

Maria João Lima

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Documentário "Ponto da avó" de Mariana Frieza

Após alguns meses  sem publicações, face ao desenvolvimento do projeto Envolvências Locais, integrado na Bienal de Artes Plásticas - Percursos com Arte de Coruche / 2017. Hoje partilho o link de um video "Ponto da avó", no âmbito da prova de aptidão profissional de Mariana Frieza, finalista de um curso profissional de multimédia: O meu blog Coruche à Mão foi permissa para o seu projeto, foi um prazer não obstante ter acontecido numa fase de imenso trabalho.

Obrigado Mariana :

https://www.youtube.com/watch?v=KBwBlxMf1os

FIOS - LINHO, ALGODÃO, LÃ e OUTROS

TRAPOLOGIA

O conceito de trapologia é conhecido internacionalmente como “Patchwork”. São muitos os artesãos que produzem almofadas, sacos, colchas e muitas outras peças úteis e/ou decorativas, utilizando a técnica de cozer retalhos de tecidos, sendo que para além de ser uma tarefa que exige muita paciência, também o produto final terá impacto se houver a adequada conjugação das texturas dos tecidos e das cores.

Há várias artesãs em Coruche, no âmbito da trapologia, neste primeiro post sobre esta temática é referênciada Emília Ferreira.

 

  Esquisso biográfico

Maria Emília de Brito Rodrigues Ferreira

(Emília Ferreira)

Maria Emília de Brito Rodrigues Ferreira nasceu em 1960, em Coruche.

Aos catorze anos de idade começou a fazer as primeiras peças em trapologia; para o efeito comprava alguns tecidos e outros eram oferecidos. O seu contato com os “trapos” surgiu muito cedo, ou seja, deixou a escola primária e foi aprender costura. Após alguns anos de aprendizagem foi trabalhar para uma loja onde desenvolvia atividade não só de atendimento ao balcão, mas também, muito do seu tempo era dedicado aos bordados, visto tratar-se de uma loja de venda de enxovais.

Em 1997, aquando das primeiras mostras de artesanato no âmbitos das festas em honra de Nª Srª dos Castelo foi-lhe lançado o desafio de expor peças em trapologia.

Desde esse período que desenvolve atividade de artesã, como hobbie.

Em 2002, a convite de Paulo Fatela, integrou um grupo de pessoas interessadas em artesanato, tendo assim sido um dos membros fundadores da CORART – Associação de Artesanato de Coruche.

As peças que produz são diversas: taleigos, tapetes, mochilas, etc, utilizando chitas e tecidos de algodão de preferência coloridos, e também a designada chita da terra, como forma de contribuir para a preservação deste material caraterístico de Coruche.”

Fontes:

Fatela, Paulo – Mão com Alma, artes e ofícios tradicionais em Coruche, edição Associação da Charneca Ribatejana, 2014, pág. 29 e 71.

 

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Designação: Almofada

Material: Vários tecidos de algodão

Dimensão: 0,35m x 0,35m

Créditos fotográficos: José Fatela

2.tif

Designação: Taleigo

Material: Vários tecidos de algodão

Dimensão: 0,30m x 0,36m

Créditos fotográficos: José Fatela

3.tif

Designação: Saco

Material: Vários tecidos de algodão e chita da terra

Dimensão: 0,34m x 0,27m

Créditos fotográficos: José Fatela

4.tif

Designação: Colcha

Material: Vários tecidos de algodão e fita de seda

Dimensão: 2,00m x 1,75m

Créditos fotográficos: José Fatela

MATERIAIS NATURAIS - COMPOSIÇÕES, PEÇAS ÚTEIS, PIROGRAVURA, VELAS

Composições

 

Arte Naif

Arte naif, genericamente é designada como arte produzida por artistas sem preparação académica. Arte naif ou arte primitiva moderna, carateriza-se, em termos gerais pela simplicidade, as formas desajeitadas como se relacionam determinadas qualidades formais; dificuldades no desenho e no uso da perpestiva que resultam numa beleza desiquilibrada mas, por vezes bastante sugestiva, uso frequente de padrões e cores primárias, simplicidade no lugar da subtileza, etc.

 

A arte de Bernnardino de Oliveira Esgueira, reúnio todas as cracteristicas que define a arte naif de todas as outras, curiosamente, as suas produções resultaram de colagem de diversos materiais naturais, nomeadamente os pigmentos que utilizava para colorir eram preparados por ele.

 

Nota biográfica:

Bernadino Esgueira nasceu em 1921, na aldeia da Lamarosa - Coruche. 

Desde os quinze anos de idade que se dedicou ao artesanato, nomeadamente aos embalsamentos. Mais tarde enveredou por uma outra vertente, as composições (colagem de materiais naturais) dos quais resultaram quadros figurativos, na sua maioria a nossa realidade rural. Nunca comercializou as suas peças. Somente expôs uma vez para o público em geral, aconteceu no âmbito da CORART- Associação de Artesanato de Coruche, em 2014.

As suas obras estiveram sempre num "anexo" à sua habitação, onde permanecem até hoje, são propriedade dos seus familiares, considerando que Barnardino Esgueira faleceu há cerca de dez anos. 

Fonte: Fatela, Paulo – Mão com Alma, artes e ofícios tradicionais em Coruche, edição Associação da Charneca Ribatejana, 2014, pàgs 15 e 243

 

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 Autor: Bernardino Esgueira

Titulo: Lago dos cisnes

Designação: Quadro

Materiais: Areias; cola e tintas

Dimnsão: 0.49m x 0,39m

Créditos fotográficos: Paulo Fatela

 

GASTRONOMIA

 

“Sorraia. Nome de rio. Se hoje a ele arribassem cardumes mananciosos de sáveis de outros tempos, logo lhes aproveitaríamos as ovas opulentas que, incorporadas em açorda iriam, rescendentes à mesa…”

 

Caldeirada de Sável

 

Ingredientes:

Cebola

Alho

Pimento doce

Louro

Salsa

Batatas

Sável

Vinagre

Pão

 

Um bom refogado de cebola, alho, pimentão doce, loro e salsa.

Depois de bem apurado sem deixar escurecer, junta-se água suficiente para a sopa. Juntando batatas cortadas às rodelas, deixando abrir fervura para juntar a cabeça do sável, as ovas, o rabo e mais uma ou duas postas a seguir ao rabo. Leva também um pouco de vinagre.

Depois de bem apurado, devagarinho, escaldam-se fatias de pão duro.

In: “Comeres de Coruche”, Associação para o Estudo e Defesa do Património Cultural e Natural do Concelho de Coruche, 1993, pág. 14 e 15

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Alguns dos ingredientes que entram na caldeirada de sável

Créditos fotográficos: Paulo Fatela

 

Chegaram fotos, cortesia do meu amigo José António Martins, relativamente a peixes de água doce, no caso pescados no nosso rio Sorraia e açude do Monte da Barca.

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Peixe Gato

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 Pimpão

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 Barbo

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 Ablete

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Achigã

Cortesia de Fábio Leiria:

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 Achigã

 

 

 

FIGURADO E OUTROS

Este post visa reportar alguns artesão que desenvolveram e/ou desenvolvem figurado com os mais diversos materiais.

 

Joaquim David Ferreira (Joaquim Ferreira)

Joaquim Ferreira nasceu em 1925, em Coruche.

As miniaturas que executou surgiram entre finais dos anos 80 e meados dos anos 90. Joaquim foi trabalhador rural durante a vida ativa. Quando se reformou, no final dos anos 80 dedicou-se à produção de miniaturas. Os materiais eram em madeira e cortiça; Custódia (esposa) apanhava na estrada essas matérias primas. As miniaturas foram totalmente construídas por Joaquim sendo que Custódia apenas ajudava em algumas pinturas que exigiam maior promenor. O autor ter-se-á inspirado nas suas vivências com especial incidência no seu trabalho, da habitação, da comensalidade e do lazer; cenas de carácter tauromáquico; aspetos da fauna. Não trabalhava sob encomenda, nem as raras vendas destas miniaturas se traduziam num complemento à reforma; fazia-as para passar o tempo. Ainda participou numa exposição na Praça da Liberdade, em Coruche, e, por diversas vezes, as exibiu à porta do Mercado Municipal.

Algumas peças de Joaquim fazem parte do acervo do Museu Municipal de Coruche.

Fonte: Fatela, Paulo – Mão com Alma, artes e ofícios tradicionais em Coruche, edição Associação da Charneca Ribatejana, 2014, pàg 21

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 Autor: Joaquim Ferreira

Material: Madeira e cortiça

Dmensão: alt 0.20m, larg: 0.19m

Créditos fotográficos: Carlos Silva

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Autor: Joaquim Ferreira

Material: Madeira e cortiça

Dimensão: alt 0.22m, larg: 0.18m

Créditos fotográficos: Carlos Silva

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Autor: Joaquim Ferreira

Material: Madeira e cortiça

Dimensão: alt 0.20m, larg: 0.20m

Créditos fotográficos: Carlos Silva