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coruche à mão

preservar memória / criar valor

coruche à mão

preservar memória / criar valor

GASTRONOMIA

 

“Sorraia. Nome de rio. Se hoje a ele arribassem cardumes mananciosos de sáveis de outros tempos, logo lhes aproveitaríamos as ovas opulentas que, incorporadas em açorda iriam, rescendentes à mesa…”

 

Caldeirada de Sável

 

Ingredientes:

Cebola

Alho

Pimento doce

Louro

Salsa

Batatas

Sável

Vinagre

Pão

 

Um bom refogado de cebola, alho, pimentão doce, loro e salsa.

Depois de bem apurado sem deixar escurecer, junta-se água suficiente para a sopa. Juntando batatas cortadas às rodelas, deixando abrir fervura para juntar a cabeça do sável, as ovas, o rabo e mais uma ou duas postas a seguir ao rabo. Leva também um pouco de vinagre.

Depois de bem apurado, devagarinho, escaldam-se fatias de pão duro.

In: “Comeres de Coruche”, Associação para o Estudo e Defesa do Património Cultural e Natural do Concelho de Coruche, 1993, pág. 14 e 15

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Alguns dos ingredientes que entram na caldeirada de sável

Créditos fotográficos: Paulo Fatela

 

Chegaram fotos, cortesia do meu amigo José António Martins, relativamente a peixes de água doce, no caso pescados no nosso rio Sorraia e açude do Monte da Barca.

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Peixe Gato

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 Pimpão

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 Barbo

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 Ablete

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Achigã

Cortesia de Fábio Leiria:

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 Achigã

 

 

 

FIGURADO E OUTROS

Este post visa reportar alguns artesão que desenvolveram e/ou desenvolvem figurado com os mais diversos materiais.

 

Joaquim David Ferreira (Joaquim Ferreira)

Joaquim Ferreira nasceu em 1925, em Coruche.

As miniaturas que executou surgiram entre finais dos anos 80 e meados dos anos 90. Joaquim foi trabalhador rural durante a vida ativa. Quando se reformou, no final dos anos 80 dedicou-se à produção de miniaturas. Os materiais eram em madeira e cortiça; Custódia (esposa) apanhava na estrada essas matérias primas. As miniaturas foram totalmente construídas por Joaquim sendo que Custódia apenas ajudava em algumas pinturas que exigiam maior promenor. O autor ter-se-á inspirado nas suas vivências com especial incidência no seu trabalho, da habitação, da comensalidade e do lazer; cenas de carácter tauromáquico; aspetos da fauna. Não trabalhava sob encomenda, nem as raras vendas destas miniaturas se traduziam num complemento à reforma; fazia-as para passar o tempo. Ainda participou numa exposição na Praça da Liberdade, em Coruche, e, por diversas vezes, as exibiu à porta do Mercado Municipal.

Algumas peças de Joaquim fazem parte do acervo do Museu Municipal de Coruche.

Fonte: Fatela, Paulo – Mão com Alma, artes e ofícios tradicionais em Coruche, edição Associação da Charneca Ribatejana, 2014, pàg 21

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 Autor: Joaquim Ferreira

Material: Madeira e cortiça

Dmensão: alt 0.20m, larg: 0.19m

Créditos fotográficos: Carlos Silva

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Autor: Joaquim Ferreira

Material: Madeira e cortiça

Dimensão: alt 0.22m, larg: 0.18m

Créditos fotográficos: Carlos Silva

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Autor: Joaquim Ferreira

Material: Madeira e cortiça

Dimensão: alt 0.20m, larg: 0.20m

Créditos fotográficos: Carlos Silva

 

FIOS - LINHO, ALGODÃO, LÃ e OUTROS

Há algumas bordadeiras em Coruche que desenvolveram e desenvolvem diversas peças com bainhas abertas, hoje ilustro a referência a este trabalho artesanal com peças da artesã Loudes Sousa.

 

Bainhas abertas

As bainhas abertas constituem um trabalho em que se retiram fios ao tecido.

Há que referira a existência de dois pontos: o ponto a direito e o ponto cruzado. Com estas designações pretende-se colocar em evidência o facto de no ponto a direito se manipularem conjuntos de fios que são os mesmos que correm de cima a baixo do trabalho. No ponto cruzado, tal não acontece e o trabalho parece feito em viés ou na diagonal, conforme é referido por algumas bordadeira.

As bainhas abertas constituem uma técnica, que sobretudo valoriza toalhas e lençóis, embora desde sempre, tenha sido usada num contexto decorativo mais amplo. De há algum tempo a esta parte têm tido diversas aplicabilidades, nomeadamente em peças como cortinas ou cortinados.

Fonte: Fatela, Paulo – Mão com Alma, artes e ofícios tradicionais em Coruche, edição Associação da Charneca Ribatejana, 2014, pág 57

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Bordadeira:Lourdes Sousa

Designação: Naperon

Bainhas abertas 

Dimensão: 1.10m x 0,65m

Créditos fotográficos: Hélder Roque

 

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Bordadeira: Lourdes Sousa

Designação: Toalha de rosto

Bainhas abertas 

Dimensão: 1,50m x 0,77m

Créditos fotográficos: Hélder Roque

 

 

BALANÇO 2016

1º aniversário do blog Coruche à mão!!!

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Em jeito de balanço

Foram publicados 68 posts sobre:

MADEIRAS - Marcenaria, carpintaria, restauro;

FIOS - Linho, algodão, lã e outros;

GASTRONOMIA;

PATRIMÓNIO EIFICADO;

INOVAÇÃO;

FIBRAS VEGETAIS; Cestaria, empalhamentos; 

REPRESENTAÇÕES PICTÓRICAS;

REGISTOS RELIGIOSOS;

MÃOS NA MÚSICA;

PAPEL - Figurado, flores de papel, encadernação;

FIGURAS ICÓNICAS;

TINTAS - Cerâmica, madeira, têxtil, porcelana, azulejo;

TRINDADES;

CORTIÇA - Figurado, peças úteis;

BARRO - Olaria, cerâmica figurativa;

ARTES PLÁSTICAS;

PELES E COUROS - Correeiros; sapateiros; peças decorativas e úteis;

 

Publicado um video no youtube - como fazer ponto de cruz, com a artesã Manuela Mesquita e edição de video de Tânia Prates;

Uma exposição na cafetaria do Museu Municipal de Coruche sobre ponte de cruz e degustação de vários produtos publicados no blog;

Foram muitos os colaborados no Coruche à mão que partilharam fotografias, textos, saberes, experiências;

O Coruche à mão teve 12 356 visualizações;

 

Provávelmente a publicação de posts no corrente ano deverá acontecer de forma menos regular, contudo tudo farei para manter o dinamismo a que me propus quando criei o Coruche à mão.

 

Muito obrigado a todos (as).

Um abraço.

Paulo Fatela

 

 

 

BARRO - OLARIA, CERÂMICA FIGURATIVA

Cerâmica Figurativa

Desde muito cedo a produção de cerâmica deu importância fundamental à estética, já que as peças na maioria das vezes destinavam-se ao comércio, com possível exceção do fabrico de tijolos e telhas, geralmente utilizados na construção civil desde a antiguidade na Mesopotâmia. Talvez por esta razão a maioria das culturas, acabou por desenvolver estilos próprios que com o passar do tempo consolidavam tendências e evoluíam no aprimoramento artístico, a ponto de se poder situar o estado cultural de uma civilização através do estudo dos artefactos cerâmicos que produzia.

 

Não tenho memória da existência de muitos artesãos em Coruche associados à cerâmica figurativa, a minha memória leva-me a José David Esteves, já referenciado neste blog, embora em outro âmbito, e José Tanganho.

Hoje publico neste fórum um esquiço biográfico do artesão e uma foto de um Santo António da sua autoria. 


Esquiço biográfico:

José Pirralho Tanganho (José Tanganho), nasceu em 1939 em Coruche.

O pai, Jerónimo António Tanganho, era barbeiro, comerciante, e dedicava-se também a pequenos negócios, entre eles a produção de tijolo cerâmico, motivo pelo qual desde muito cedo José Tanganho começou a brincar com barro. Em criança as imagens do seu presépio eram feitas por si e colocadas na barbearia do pai. 

Quando completou 11 anos foi trabalhar no comércio. Diz ter-se esquecido por completo do barro. Viveu na Bélgica de 1968 a 1998, teve dois filhos.

Em 1999 regressou definitivamente  a Portugal, reencontrou um amigo com o qual tinha cumprido o serviço militar em Angola. Foi numa visita a casa do amigo e companheiro de “guerra”  que descobriu que este, para além de poeta, também era pintor e fazia modelagem de barro, pediu-lhe que fizesse um  Santo António. O seu  amigo Diogo ofereceu-lhe então a peça solicitada, foi o despertar daquilo que durante 50 anos esteve adormecido. 

A imagem de Santo António foi inspiradora, pelo que começou a concebe-la  numa primeira  instância procurando o realismo e posteriormente de uma forma mais estilizada, sendo que também tem executa outras peças, nomeadamente: Sagrada Família, peregrino de S. Tiago de Compostela, rainha Santa Isabel, S. Francisco de Assis, S. Tomás, entre outras peças associadas ao sagrado. Começou por expor em Coruche,  nas festas da Nossa Senhora do Castelo, CORART – Associação de Artesanato de Coruche, Torres Novas, Porto de Mós, Salvatierra de los Barros – Espanha, Reguengos de Monsaraz. Têm peças em vários países.

José Tanganho elege a imagem de Santo António, porque foi a primeira peça que executou e por ser um Santo Popular do qual é devoto.

Possui carta de Artesão desde 03/03/2010.

Fonte: Fatela, Paulo – Mão com Alma, artes e ofícios tradicionais em Coruche, edição Associação da Charneca Ribatejana, 2014, pág 25

IMG_0761.JPGTítulo: Santo António

Designação: Figurado

Material: Barro de cor branca e vermelha 

Dimensão: 0,48m x 0,10m 

Créditos Fotográficos: Paulo Fatela

 

 

 

 

 

 

GASTRONOMIA

Sabores de Natal

Estamo-nos a aproximar do 25 de dezembro, é tradicionalmente um dia santificado cristão, o Natal é amplamente celebrado, sendo que alguns de seus costumes populares e temas comemorativos têm origens pré-cristãs seculares. Os costumes típicos do feriado incluem a troca de presentes, a ceia, músicas, festas de igreja, refeições especiais, decorações diferentes, incluindo as árvores de Natal.  Na mesa  não podem faltam as filhós.

As filhós são uma tradição gastronómica da festividade do Natal, assim divulgo neste forum uma receita publicada no opúsculo Comeres de Coruche e outra no Coruche. Contudo lanço, também, o desafio os vários amigos para partilharem receitas.

 

"Filhós

Ingredientes:

Farinha q.b.

250 gr. de banha

6 ovos

Sumo de 3 laranjas

1 Cálice de aguardente

Sal (derretido em água)

Fermento de padeiro (15 gr)

 

Juntam-se todos os ingredientes e amassam-se muito bem.

Deixa-se levedar a massa durante algumas horas.

Estendem-se retângulos fininhos que se cortam com carretilha e se fritam, polvilhando depois com açúcar e canela."

 

in: “Comeres de Coruche”, Associação para o Estudo e Defesa do Património Cultural e Natural do Concelho de Coruche, 1993, pág. 44

 

003.JPGCréditos fotográficos: Paulo Fatela 

 

Receita  partilhada por Raquel Marques

 

"Filhós

 Ingredientes:

1 Kg de Farinha

Sumo de 4 Laranjas

4 ovos

250 de Banha

Aguardente

Fermento de Padeiro

1 pitada de Sal

1 pouco de água

 

Coloca-se a farinha num alguidar, abre-se um buraco no meio e juntam-se todos os ingredientes (a banha é derretida em banho Maria). Num púcaro mete-se a água o fermento e o sal e deixa-se amornar até derreter o fermento, depois amassa-se como se fosse pão. Deixa-se levedar até crescer. Estendem-se com o rolo da massa e fritam-se em óleo ou azeite bem quente. 

No final  polvilha-se de açúcar ou açúcar e canela conforme o gosto."

DSC09260 (1).JPGCréditos fotográficos: Tânia Prates

 

Receita partilhada por Céu B. Reis

 

"Filhós

 Ingredientes:

10 ovos

1kg de farinha sem fermento

Fermento de padeiro

1 copo de vinho de água quente para dissolver o fermento

2 chávena de chá de azeite quente

2 colheres de sopa de aguardente

Uma mão fechada de sal.Bom apetite!

Misturam-se todos os ingredientes com a colher de pau e amassam-se com a mão até esta descolar das mãos e do alguidar, sempre que seja necessário molhar as mãos em azeite. A massa finalizada quando formar bolhas. Fazem-se pequenas bolas na mão e tendem-se para fritar.

 

Nota: Eu deixo fintar a massa, normalmente a maioria das pessoas fazem-no até a massa duplicar."

 

"Azevias

 

Para a massa: farinha, banha, sal, sumo de laranja e um cálice de aguardente.

Para o recheio: grão-de-bico cozido com pele e ralado, mel, açúcar e raspa de limão.

Amassa-se muito bem a farinha com a banha, uma pitada de al, o sumo de laranja e o cálice de aguardente. Deixa-se a massa repousar durante algum tempo (uma hora).

Passa-se o grão-de-bico previamente cozido pelo passe-vite e depois juntam-se-lhe, misturando-os muito bem, todos os outros ingredientes e leva-se num tacho a lume brando até fazer ponto.

Estende-se a massa, corta-se com a carretilha em círculos, põe-se no meio de cada círculo um pedaço da espécie, tapa-se com a massa e fritam-se em bom azeite. Depois de fritas deixam-se a escorrer sobre papel pardo e quando estiverem sequinhas polvilham-se com açúcar e canela."

in Labaredas, José – Coruche à mesa e outros manjares, Lisboa: Assírio e Alvim, 1999, págs. 260 e 261. 

006.JPGCréditos fotográficos: Paulo Fatela

 

 

Receita partilhada por Maria Antónia:

 

 “Sonhos de cenoura

1 laranja

4 ovos

750 gr. de cenouras

125 gr. de farinha

70 gr. de açúcar

Uma pitada de sal

2 colheres de sopa de fermento em pó

 

Cozem-se as cenouras, deixam-se escorrer bem e trituram-se. Batem-se as claras em castelo. Envolvem-se todos os ingredientes. Com o auxilio de um colher doseam-se os sonhos que se fritam em óleo. Depois de fritos polvilham-se com açúcar e canela a gosto." 

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 Créditos fotográficos: Tânia Prates

 

Receita partilhada por ML Mesquita:

"Filhós de Nata

 

Ingredientes:

1 pacote de natas pequeno

3 gemas

1colher de sopa de aguardente

400 grs de farinha

uma pitada de sal facultativo

 

Misturam todos os ingredientes, não precisam de.ser amassadas. Tendem-se as filhós com o rolo e de seguida fritam-se. São passadas por açúcar e canela.

Muito rápidas de fazer e a massa não precisa de descansar."

15621658_1902850746604674_5286228169462385934_n.jp Créditos fotográficos: ML Mesquita

 

Receita partilhada pelo amigo Fernando Serafim:

 

 

"Filhós da Avó

1Kg de farinha

6 ovos

Sumo de 4 laranjas

Banha 200 grs

1cálice de aguardente

Óleo q.b.

Fermento de padeiro 30 grs

Sal derretido em água morna

 

Esta receita é semelhante a outras do nosso concelho e já publicadas no teu blog tal como a que foi transcrita do “Comeres de Coruche”, publicação da Associação do Património.

 

Coloca-se num recipiente a farinha, onde se juntam os restantes ingredientes que depois de bem misturados e amassados vão fintar ou levedar por 4 ou 5 horas perto de uma fonte de calor.

Depois é só colocar pequenos pedaços de massa numa superfície plana, estendê-la com o respetivo rolo e cortá-la em pequenas e finas fatias retangulares que se põem a fritar em óleo bem quente.

Depois de fritas colocam-se num prato ou travessa cobertas com açúcar e canela a gosto. 

 

Bom apetite!"

200.jpgCréditos fotográficos: Paulo Fatela

 

 

 

 

 

BARRO - OLARIA, CERÂMICA FIGURATIVA

A memória de Maria de Jesus  Sousa Quintas, filha do oleiro António Cipriano Rodrigues Quintas, remete-nos para a olaria do seu bisavô: José Evaristo de Sousa, situada em Santo Antonino, o qual teria iniciado ativividade provavelmente em 1850.

José Evaristo de Sousa Quintas teve três filhos homens: Guilherme, José e António, que também lhe seguira o gosto pela olaria, tendo constituído as suas próprias oficinas, criando inclusive vários postos de trabalho.

As olarias de Guilherme e José desenvolveram-se, após as suas mortes. A olaria de António esteve em atividade durante décadas tendo sido vários os artesãos que por lá passaram: Afonso de Sousa; Manuel Maia; António Quintas; “Chico Doutor” (alcunha pelo facto de se vestir bem); João Mesquita; Américo; Amadeu; Canhoto (alcunha pelo facto de ser de Canha); Jacinto; José da Justa e outros.

As suas peças eram vendidas numa loja no Mercado Municipal de Coruche por Maria Guilhermina, mulher de António. As produções eram sobretudo peças úteis, alguidares usados nas matanças dos porcos ou também para lavar roupa, ânforas para armazenar alimentos constituem alguns exemplos.

A tradição das olarias em Coruche perdeu-se; o oleiro António Cipriano Rodrigues Quintas foi o último a desenvolver atividade profissional nessa área e apenas Afonso Sousa (reformado) até há pouco tempo produzia algumas peças para ocupar o seu tempo.

 

 Fonte: Fatela, Paulo – Mão com Alma, artes e ofícios tradicionais em Coruche, edição Associação da Charneca Ribatejana, 2014, pág. 106

 

Publico algumas fotos de peças outrora produzias e esquiços biográficos dos seus autores, hoje o enfoque recai para Carlos Casimiro Marques e António Cipriano de Sousa Quintas.

Carlos Casimiro Maques (Carlos Marques) nasceu em 1921, em Coruche. Iniciou a sua atividade numa olaria situada na Travessa Fonte do Grilo – Coruche, do “Carlos oleiro”. Mais tarde trabalhou numa olaria em Lavre, cerca de dois anos, sendo que regressa a Coruche e estabelece-se por conta própria, inclusivamente com um ponto de venda no Mercado de Coruche.

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Designação: Bilha para àgua

Material: Barro

Dimensão: o,29m x 0,19m

Créditos fotográficos: José Fatela 

 

António Cipriano Rodrigues Quintas (António Quintas) nasceu em 1926, em Marinhais.

Quintas começou como aprendiz de oleiro muito novo, logo após ter terminado a escola primária, tal como quase todos os da sua geração.

Aprendeu a profissão com o oleiro Barroca que era proprietário de uma oficina na Fajarda. Depois de casado e perto do nascimento da sua segunda filha decidiu trabalhar na olaria do sogro: António Evaristo de Sousa.

Após a morte do sogro, em 1974, passou a desenvolver atividade individualmente, tendo mais tarde aberto uma loja na travessa do Lagar em Coruche, para venda das suas peças, com a colaboração da sua mulher Laurentina Quintas. Comercializava as peças na tradicional Feira de São Miguel em Coruche, teve inúmeras participações nas Festas em honra de Nª Sr.ª do Castelo (exposições e cortejo etnográfico), colaborou com as escolas do ensino básico sob forma de permitir visitas à sua olaria e dando informações aos alunos e professores.

As mostras das suas peças não aconteceram somente a nível de Coruche, mas também um pouco por todo o país.

Em 1999 Quintas foi convidado pela Câmara Municipal Coruche a ocupar um atelier no Museu Municipal, e ai desenvolver ativiade permitindo dessa forma o desenvolvimento de atividades pedagógicas.

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Designação: Saladeiras

Material: Barro vidrado

Dimensão: Diâmetro - 0,32m, 0,27, 0,20m

 Créditos fotográficos: Nuno Capaz

 

Fonte: Fatela, Paulo – Mão com Alma, artes e ofícios tradicionais em Coruche, edição Associação da Charneca Ribatejana, 2014, págs 12 e 15

 

 

 

ARTES PLÀSTICAS

PINTURA

 

A pintura refere-se genericamente à técnica de aplicar pigmento em forma pastosa, líquida ou em pó a uma superfície, a fim de colori-la, atribuindo-lhe matrizes, tons e texturas

Há controvérsias sobre essa definição de pintura. Com a variedade de experiências entre diferentes meios e o uso da tecnologia digital, a ideia de que pintura não precisa se limitar à aplicação do "pigmento em forma líquida". Atualmente o conceito de pintura pode ser ampliado para a

A pintura acompanha o homem em toda a sua história.  Durante o período grego clássico não se desenvolveu tanto como a escultura. A pintura foi uma das principais formas de representação dos povos medievais,  e do Renascimento.

Mas é a partir do século XIX com o crescimento da técnica de reprodução de imagens, graças à Revolução Industrial, que a pintura de cavalete perde o espaço que tinha no mercado. Até então a gravura era a única forma de reprodução de imagens, trabalho muitas vezes realizado por pintores. Mas com o surgimento da fotografia, a função principal da pintura de cavalete, a representação de imagens, enfrenta uma competição difícil. Essa é, de certa maneira, a crise da imagem única e o apogeu de reprodução em massa.

No século XX a pintura de cavalete  mantém-se  através da difusão da galeria de arte.

A longo do século XX vários artistas experimentam com a pintura e a fotografia, criando colagens e gravuras, artistas como os dadaístas e os membros do pop art, só para mencionar alguns. Mas é com o advento da computação gráfica que a técnica da pintura se une completamente à fotografia. A imagem digital, por ser composta por pixeis, é um suporte em que se pode misturar as técnicas de pintura, desenho, escultura (3D) e fotografia.

A partir da revolução da arte moderna e das novas tecnologias, os pintores adaptaram técnicas tradicionais ou as abandonaram , criando novas formas de representação e expressão visual.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Pintura

 

Maria Ribeiro Telles

 

Licenciada em Artes Plásticas – Pintura pela Universidade de Lisboa, faculdade de Belas Artes (ULFBA). Esteve ligada ao ensino, tendo começado a lecionar em 1983 em Castelo Branco e depois Setúbal. Foi professora de desenho e técnicas de pintura em vários cursos de restauro ligados à formação profissional. Em colaboração com o Museu Municipal de Coruche produziu e executou igualmente vários atelier de expressão plástica com componente pedagógica sobre exposições temporárias que o Museu realizou em 2006, 2007 e 2009. Autora de trabalhos plásticos em cortiça, nomeadamente uma instalação para o museu municipal de Coruche, patente ao público no Observatório do Sobreiro e da Cortiça, em cujo auditório pintou mural sobre cortiça.

 

Entre as várias exposições individuais que tem realizado, desde 1992 destaca duas: Fajarda, no Instituto Camões, em Lisboa (2011), e Rio das Flores, no antigo palácio Valle Flor (2007).

 

Realizou também na Galeria Monumental (Lisboa) diversas exposições entre 1997 e 2006, assim como em outros espaços: Abraços, Galeria Casa do Bocage, Setúbal (1996); Por Entre Rios, Galeria Casa do Bocage, Setúbal (1994); Pintura, Galeria Leo, Lisboa (1992), Participa desde os anos 80 em exposições coletivas, nomeadamente: Visão do infinito – Os artistas e a fé, Galeria Municipal de Almada; Artlisboa, FIL; ARCO3 (Feira de Arte Contemporânea ,Madrid); ARTeven, Lille, França; Lágrimas de Pedro e Inês, Sala da Cidade, Mosteiro de Santa Cruz, Coimbra; Exposição de Artes Plásticas de temática religiosa, no Convento de Jesus , Setúbal, obtendo o 1º prémio; Gala Bosch, FIL, Parque das Nações; Marca Mdeira (Feira de Arte), Funchal (Galeria Monumental); bandeiras, Portugiesiche Kunsstlerfahnem in der Fachwerkstadt, Eppingen, Alemanha; Art 89, SNBA, Lisboa; Estrada Marginal, Museu do Traje, Lisboa; Salão Primavera no Casino Estoril; II e III bienais de Chaves e Bienal de Artes Pásticas de Coruche – 2013.

 

Em 2013 foi homenageada pela Câmara Municipal de Coruche no Dia Internacional da Mulher.

 

Fonte: Catálogo Bienal de Artes Plásticas – Percursos com Arte, Coruche - 2013

 

016.jpgPintura do revestimento das paredes laterais do auditório do Observatório do Sobreiro e da Cortiça em Coruche

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DSC01532.jpg Pintura em acrílico s/ tela

Tilulo: As Flores não choram

Fotos arquivo da câmara municipal de Coruche

 

 

PELES E COUROS - CORREEIROS, SAPATEIROS, PEÇAS DECORATIVAS E ÚTEIS

Sapateiros

 

Com a industrialização do calçado e as alterações da sociedade os sapateiros passaram a dedicar-se à reparação de calçado. Em Coruche ainda há algumas exceções, como é exemplo o António José Salgueira, António Simão Domingos Pereira e Manuel Luís Cláudio, os quais através de encomenda produzem essencialmente botas.

 

Nos finais do séc. XIX até meados do séc. XX foram vários os sapateiros que desenvolveram atividade em Coruche, produziam calçado por medida, sobretudo botas, botins e tamancos (calçado usado no meio rural), para senhora, homem e criança.

 

Heraldo Bento referenciou-me alguns dos homens que se dedicaram ao ofício de sapateiro, em Coruche:

Vidigal Manaia; Luís Nunes Carrapo; Evangelista; João da Costa (João Custódio); António Casimiro; Roberto da Silva; Fausto da Silva; Elias & Filho; Victor Gomes; José Carvalho; António Júlio; Galveia; Eduardo Cardoso; António Raimundo Rodrigues (Nérinha); José Rosalino Cordeiro de Almeida; António Roberto; Emídio da Silva; Alcídes da Silva; César e José Teles (Cabeço).

 

Manuel Caldinhas referenciou na Freguesia da Lamarosa três artífices:

António José Salgueira; António Simão Domingos  Pereira e Henrique Figueiras, dois dos quais ainda desenvolvem atividade.

 

Manuel Luís Cláudio indicou vários colegas de profissão que exerceram atividade na Freguesia do Couço:

José Teles Russo; Joaquim Teles Russo; Joaquim Garcia; Adelino Garcia; João Cláudio Garcia; António Gil; Henrique Figueiras; Vicente Aleixo; Manuel Ribeiro Nunes; Alfredo Teles Russo; António Belchíra; António Filipe; José David; Artur Benedito; Henrique Espada; Inácio Espada e Carlos Casanova.

Fonte: Fatela, Paulo – Mão com Alma, artes e ofícios tradicionais em Coruche, edição Associação da Charneca Ribatejana, 2014, pág. 237.

 

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DSC06384[1].jpgCréditos fotogáficos: Hélder Roque 

 

Fotos de Algumas peças utilizadas pelo sapateiros

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Ferros de burnir - para polir

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023.JPG Sevelas - para cozer

 

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027.JPGAlicates turquesa . para arrancar pregos entre outros usos 

 

029.JPGBigorna 

Créditos fotográficos: Paulo Fatela

 

 

 

GASTRONOMIA

Do pinheiro ao pinhão

  

Pinheiro manso (Pinus pinea)

 

As suas origens são antiquíssimas, remontando ao tempo de D. Sancho I.

D. Dinis utilizou os pinheiros mansos com o evidente propósito de proteger as terras aráveis com uma barreira natural.

Com o rei D. Fernando o pinhal será usado para construção naval, mas já com pinheiro bravo.

O pinheiro manso é uma gimnospérmica, da família das Pináceas, a mesma família dos abetos e larícios, subfamília das Pinóideas e género Pinus.

É uma árvore que frequentemente ultrapassa os 30 metros de altura, de folha persistente.

A copa do pinheiro manso é redonda no seu capelo, assemelhando-se a um cogumelo.

As folhas são agulhas verdes-claras, rígidas com 10 a 20cm de comprimento e 1 a 2mm de grossura, agrupadas duas a duas. As flores masculinas são cones quase cilíndricos com 15mm de comprimento, agrupados na parte terminal dos ramos de cor amarela. As pinhas estão isoladas ou agrupadas em duas ou três de dimensões apreciáveis (8 a 15cm de comprimento com cerca de 10cm de diâmetro), de cor pardo castanho-avermelhado, e escamas com um pinhão de 15 a 20mm de comprimento. Floresce de março a maio, demorando as pinhas a amadurecer três anos e libertando os pinhões ao quarto ano.

Em Portugal abundam em maior quantidade a sul do Tejo.

De acordo com os dados divulgados pelo Instituto da Floresta Nacional a área de povoamento de pinheiro manso em Coruche é de 9130ha.

Outrora o pinheiro manso tinha apenas rentabilidade na sua morte, utilizando-se a madeira para a construção marítima e construção civil. Hoje a indústria do pinhão tornou-se uma mais-valia para o mercado nacional e exportação.

Os pinhões, fruto do pinheiro manso, são uma fonte de riqueza para o país, onde a cozinha e doçaria tiram partido das suas reais qualidades.

DSCN3403.JPG Pinhas

Foto 7.JPGPinhão

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Miolo de pinhão 

 Créditos fotográficos: Paulo Fatela 

Fontes:

Cravidão, João - A madeira em Coruche: historial de artes e ofícios já extintos em Coruche, Coruche: Museu Municipal/Câmara Municipal, 2015.

http://naturlink.pt/article.aspx?menuid=55&cid=3681&bl=1&viewall=true

 

O meu amigo Amorim Alves, natural da aldeia de Santa Justa, freguesia do Couço – Coruche, teve a cortesia de me facultar peças usadas para a obtenção do miolo de pinhão, bem como fez uma descrição do saber fazer, considerando que foi e ainda é uma atividade que acontece na localidade.

 

Saber fazer:

O miolo de pinhão provém de pinhais de pinheiro manso onde, tradicional e praticamente, não se usam tratamentos fitossanitários ou adubos durante o período vegetativo, o que lhe poderá vir a conferir o direito ao uso da menção “Pinhão biológico”. As pinhas são colhidas  entre os meses de dezembro e março e colocadas depois ao sol, em eiras. As pinhas são abertas sob ação do calor solar ou, quando tal não é possível, a abertura é forçada pela aplicação de calor seco (fornos), sendo usada a caruma. São descascadas com um utensílio, em ferro, recorrendo a um cepo como suporte, e posteriormente crivadas numa rede larga. Soltos os pinhões, são partidos utilizando-se duas pedras, uma como base e outra de mão. São novamente crivados com uma malha mas fechada. Obtido o miolo, vai a torrar em forno de lenha.

 

Conjunto de imagens de utensilios e processos para obtenção do miolo de pinhão:

Foto 6.JPG Utensílio em ferro para descascar as pinhas

Foto 5.JPG Cepo - base de apoio para o descasque das pinhas

Foto 2.JPG Crivo - malha larga, permite a separação da casca da pinha do pinhão

Foto 3.JPG

Foto 4.JPG Crivo - malha apertada, permite a separação da casca do pinhão do miolo

Foto 5 (2).JPG Pedra de base e de mão - para extrair o miolo do pinhão

DSCN3407.JPG Descasque das pinhas

DSCN3404.jpg Extração do miolo do pinhão

Créditos fotográficos: Paulo Fatela

 

A industrialização do miolo do pinhão

 

O Grupo Cecílio é uma empresa sediada em Coruche, de cariz familiar, e conta com mais de sessenta anos de experiência no âmbito dos produtos alimentares. A empresa é detentora de marcas de confiança do consumidor, com destaque para os produtos miolo de pinhão e arroz.

Em 2015 alargou  a gama de produtos e passou a comercializar, também, uma gama variada de frutos secos.

No âmbito do miolo de pinhão desenvolve a marca Pinheiro 

Empresa Cecilio.png

 Fonte: http://www.cecilio.pt/pt/index.html

 

Uso: O miolo de pinhão é muito apreciado como aperitivo, mas também é usado na doçaria tradicional, como por exemplo na Pinhoada. Também se usa em alguns pratos de culinária, como ingrediente de diversas receitas de arroz e de saladas.

 

Aplicações do miolo do pinhão na doçaria tradicional de Coruche:

 

Bolinhos de pinhão (Couço)

 

Ingredientes:

3 claras

500 g de açúcar

500 g de pinhão

 

Batem-se muito bem as claras em castelo, incorpora-se em seguida o açúcar, mexendo sempre. Juntam-se por fim os pinhões, misturando-os muito bem na massa. Vão ao forno, em pequenos montículos, até ficarem loirinhos.

 

Nógados de pinhão e mel sobre folhas de laranjeira

 

Ingredientes

½ litro de mel

500 g de pinhões torrados

Folhas de laranjeira

 

Deita-se num tacho o mel até fazer um ponto espesso a que se juntam os pinhões torrados.

Ainda quente deitam-se pequenas porções sobre folhas de laranjeira previamente lavadas.

Servem-se depois de frios.

DSC07541 recortada.jpg Foto: Arquivo da Câmara Municipal de Coruche

  

In: “Comeres de Coruche”, Associação para o Estudo e Defesa do Património Cultural e Natural do Concelho de Coruche, 1993, págs. 40 e 41.

Revisão Ana Paiva

 

Fotografias no âmbito do repto lançado no facebook, as duas primeiras são cotersia de Fernando Marques.

 

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