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coruche à mão

preservar memória / criar valor

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MÃOS NA MÚSICA

ACORDEÃO, CONCERTINA E SEUS PROTAGONISTAS

 

O objetivo deste post é dar destaque a instrumentos populares e seus protagonistas, os quais têm perdurado em contexto  mais  popular, por via dos ranchos folclóricos,  por exemplo, mas também,  com interpretações  solistas.

Os instrumentos visados, neste primeiro momento são o acordeão e a concertina.

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Foto: Arquivo Câmara Municipal de Coruche, edição de Helena Diogo Claro

  Acordeão

O acordeão possui palhetas, fixadas em pequenos suportes de madeira chamados de castelos. O som do acordeão é criado quando o ar que está no fole passa por pequenos tubos nos castelos que o direcionam até as palhetas, com a pressão do ar as palhetas vibram gerando o som. Quanto maior o tamanho da palheta, mais grave o som produzido. Quanto mais forte o ar é forçado para as palhetas, mais intenso é o som. O movimento do fole é controlado com o braço esquerdo. A maioria dos acordeões tem quatro vozes, que são diferentes oitavas para uma mesma tecla ou botão.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Acorde%C3%A3o

Concertina

A concertina é a designação pelo qual é conhecido o acordeão diatónico. É um instrumento de palhetas livres, com fole, semelhante a um acordeão, com dois teclados dispostos de maneira a favorecer a formação de acordes pelo executante.

A concertina é um instrumento no qual, ao ser aberto o fole pressionando um botão, obtém-se uma nota musical e, ao carregar no mesmo botão mas a fechar o fole, temos outra nota.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Concertina

 

Coruche tem o número considerável de executantes dos instrumentos visados neste post, sendo que em termos mediáticos, destacaria aqui Tiago Pirralho e Luísa Martins.

Transcrevo  uma entrevista de Tiago Pirralho ao jornal  Mirante.

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 Foto: Fonte Web

 

“Tiago Pirralho, campeão nacional de acordeão no escalão sénior, superou os melhores acordeonistas de Espanha e Portugal e conquistou dois títulos de campeão ibérico de acordeão nas categorias de concerto e varieté. A consagração do jovem de Valverde, Coruche, chegou no dia 22 de Julho em Amarante. O “campeão”, como lhe chamam os amigos e vizinhos, não quer ficar por aqui. Trabalha diariamente com o objetivo de ser o melhor do Mundo. “É um sonho que alimento e hei-de lá chegar”, explica ao O MIRANTE, minutos antes de partir para mais uma jornada de trabalho na fábrica de transformação de beterraba sacarina de Coruche. O campeão ibérico e penta campeão nacional, trabalha por turnos no controlo das descargas da DAI e estuda à noite para concluir o 12º ano e tentar entrar na Faculdade. Um curso na área da música é o desejo de Tiago Pirralho, aluno do Instituto Vitorino Matono em Lisboa, onde já alcançou o 5º grau que o habilita a dar aulas de música. E é o que faz com um grupo de quatro crianças que tentam aprender com o “campeão”, a arte de encantar com o acordeão. “Tenho aqui alunos com boas condições, mas têm de trabalhar muito”, alerta. Trabalho é uma palavra frequente no vocabulário simples do rapaz que nasceu numa família de comerciantes e acordeonistas. Tiago seguiu a tradição dos “Pirralho”. O avô Manuel Francisco foi acordeonista do rancho, os pais José Manuel e Maria Quitéria tocam em festas, casamentos e batizados e a irmã, Inês Sofia, também toca acordeão, apesar de ter apenas oito anos. Enquanto decorre a entrevista, na esplanada da vivenda junto aos armazéns Valverde, a irmã projeta os sons de uma melodia popular. Acordeões não faltam na casa. Só Tiago Pirralho tem quatro, avaliados em mais de 35 mil euros. Os dois mais utilizados são um Pigini Serious para concerto (música erudita) que custou 12.500 euros e um Beltuna Varieté, para música mais popular, avaliado em 7.500 euros.“Fizemos um grande investimento na minha carreira”, explica. A juntar aos instrumentos há o pagamento das propinas na escola, as deslocações para Lisboa e Alcobaça, onde prepara os concursos com o mestre Aníbal Freire ( bi campeão mundial).Tiago fala do professor como um ídolo e uma referência. Orgulha-se de ter sido convidado para ser o solista da Orquestra Típica e Coral de Alcobaça dirigida por Aníbal Freire. No palmarés do acordeonista de Valverde estão várias atuações em Portugal e no estrangeiro. O jovem tem sido um embaixador do município de Coruche com participações em festivais e programas de rádio e televisão. A autarquia elegeu-o como um dos seus filhos prodígio e já lhe fez uma homenagem pública. Tiago Pirralho garante que o sucesso não lhe sobe à cabeça e, com humildade, trabalha para chegar ainda mais longe. “Se tudo correr bem”, em Outubro, vai tentar o título mundial na Sérvia. Sem pressões, porque os adversários são os melhores do mundo e merecem respeito. “Os russos e os sérvios são barras”, explica. Tiago dedica várias horas por dia ao acordeão. Para além das aulas em Lisboa e Alcobaça ainda tem os ensaios da orquestra e os concertos. À sexta-feira regressa de Alcobaça às 02h00 da manhã e levanta-se às 06h00 para passar o sábado no Instituto Vitorino Matono a preparar-se para os grandes desafios. “Temos que lutar pelo que queremos”, diz com o sorriso de um campeão humilde.

In: Jornal  Mirante 2006

 

A Luísa Martins, natural do Rebocho – Coruche, tem 12 anos e encheu o  palco de um programa de televisão, com o seu enorme talento a tocar acordeão.

A inspiração da pequena Luísa é a avó que trata dela e que a fez apaixonar-se pelo acordeão.

Ela tem um sonho: “eu gostava de ir um dia tocar fora do país, em Paris ou assim…”

O seu professor de acordeão é Tiago Pirralho.

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 Foto: Arquivo Câmara Municipal de Coruche, edição de Helena Diogo Claro

 

 

Um dos acordeonistas de Coruche, Fábio Leiria,  teve a gentileza de me fornecer uma relação de instrumentistas que estão em atividade.

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Foto: Arquivo Câmara Municipal de Coruche, edição de Helena Diogo Claro

 Assim:

 

Joaquim Leiria

Acordeão / Concertina

Couço

Albino Leiria

Acordeão /  Concertina

Couço

Pedro Leiria

Acordeão / Concertina

Couço

Fábio Leiria

Acordeão / Concertina

Couço

Rodrigo Leiria

 Acordeão / Concertina

Couço

Joaquim Inácio

Acordeão

Couço

Luís Velez

Acordeão

Santa Justa

Tiago Pirralho

Acordeão

Coruche

José Manuel Henriques

Acordeão

Coruche

Manuel Pirralho

Acordeão

Coruche

Télita Pirralho

Acordeão

Coruche

António Manuel

Acordeão

Coruche

Sérgio Balcão

Acordeão

Coruche

Ruben Loureiro

Acordeão

Coruche

Valter Loureiro

Acordeão

Coruche

Paulo Cardeta

Acordeão

Malhada Alta

Hélio Alves

Acordeão

Lamarosa

Jerónimo  Neves Batista

Acordeão

Lamarosa

António Antunes

Acordeão

Lamarosa

Luísa Martins

Acordeão

Rebocho

 

 

 

REPRESENTAÇÕES PICTÓRICAS DE CORUCHE E OS SEUS PROTAGONISTAS

Hortense Gonçalves

“Sem possuir alicerces artísticos, noções de pintura ou desenho, deu ao primeiros passos na pintura de forma autodidata, sendo a sua perseverança e até obsessão pelo preenchimento do vazio o motivo que a levou a concretizar este antigo desejo.

Procura, com os conhecimentos adquiridos no atelier do mestre Artur Ventura, obter um estilo próprio, mais solto, desprendido e liberto, que lhe permita explorar novas técnicas criativas.

Participou em várias exposições: coletiva na Junta de Freguesia de Carnide, coletiva na casa do Artista, Lisboa (2006); individual Sentir Coruche no museu municipal de Coruche (2007); coletiva Telas, Tintas e às vezes, no Museu da Tapeçaria, Portalegre(2008); coletiva “Liberdade”, Coruche (2009), Bienal de Artes Plásticas / Percursos com Arte, Coruche (2013)."

In: Brochura Bienal de Artes Plásticas / Percursos com Arte, 2013.

Em baixo temos uma pequeníssima mostra de três telas, as duas primeiras do casario do centro histórico da vila de Coruche e a última da Ermida de Nª Srª do Castelo, trata-se de pintura a óleo s/ tela. 

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 Créditos fotográficos: Luis Simões e Paulo Fatela

 

Revisão: Ana Paiva

PATRIMÓNIO EDIFICADO

No âmbito do desafio lançado a amigos fotógrafos relativamente a registo do imóvel propriedade do arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles, eis que chegaram algumas fotos.

13493530_1243941065618431_1244550949_o.jpgCréditos fotográficos: Fernando Marques

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Casa Arquiteto1 (Cópia).JPGCréditos fotográficos: José Cordeiro 

 

 

MADEIRAS - MARCENARIA, CARPINTARIA, RESTAURO

MARCENEIROS

13100719_1157894160888310_4470115101206641760_n.jpCréditos fotográficos: José Cordeiro

 

Esquisso biográfico

 

Guilherme Manaia nasceu em 1914, em Coruche.

Muito novo, com onze anos de idade, iniciou a sua atividade profissional como aprendiz de carpinteiro, com o pai, que já era profissional de carpintaria.

Sempre desejou fazer móveis. Quando casou comprou madeira exótica (Andibora), a mais económica, pediu ao melhor profissional do concelho de Coruche e seu amigo, José Luís Pereira, que lhe facultasse alguns ensinamentos. Desta forma começou a realizar o seu sonho. Instalou-se num barracão cedido pelo sr. João Lopes de Carvalho e começou a copiar móveis que reparava; era , pois necessário trabalhar muitas horas diárias.

Ganhou experiência e empiricamente desenvolveu a sua atividade de marceneiro e entalhador.

Algumas peças (móveis) foram executadas propositadamente para os netos, as quais deixou como herança.

Em 1997 a convite do CEARTE deu formação em Coruche, na área de execução de algumas peças de mobiliário tradicional, empalhamentos em “palhinha inglesa”, restauro pintura de móveis. O empenho de Guilherme Manais deu frutos, algumas pessoas que frequentaram a formação optaram por desenvolver atividade nessa área.

 

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Designação: Meia cómoda

Material: Raiz de mogno

Dimensão: comp. 0,86m x alt. 0,86m x larg. 0,45m

Créditos fotográficos: Carlos M. Silva

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 Designação: Mesa de jogo

Material: Pau santo com embutidos em pau cetim e rosa

Dimensão: comp. 0,86m x alt. 0,77m x larg. 0,88m

Créditos fotográficos: Carlos M. Silva

 

Fatela, Paulo – Mão com Alma, artes e ofícios tradicionais em Coruche, edição Associação da Charneca Ribatejana, 2014, pág. 19, 160, 161.

 

 

 

 

PAPEL – FIGURADO, FLORES DE PAPEL, ENCADERNAÇÃO

As festas em honra de Nª Srª do Castelo - Padroeira de Coruche estão muito próximas, a minha memória leva-me para os anos 70, período em que o figurado de Alberto Potier era exposto nas montras do comércio na vila de Coruche.

Há cerca de cinco anos algumas das peças foram restauradas, no âmbito do meu livro Mãos com Alma,  fazem parte do acervo do museu municipal de Coruche, contudo, estão encaixotadas. Assumo que gosto imenso das peças referidas neste post, pela sua plasticidade, escala, detalhe...

 

 Esquisso biográfico

Alberto George Potier nasceu no século XIX, 1880, em Santa Catarina, Lisboa, filho de Augusto Potier e de Elizabeth George; teve três casamentos e dez filhos, seis do primeiro matrimónio e quatro da terceira relação.

Alberto Potier foi engenheiro Civil,  viveu alguns anos em Bragança / Mirandela, tendo exercido funções na CUF e Junta Autonoma das Estrada e sido, também, proprietário de uma fábrica de brinquedos em pasta de papel, em Lisboa.

O seu vínculo a Coruche deve-se ao primeiro casamento com Cristina Júlia de Menezes Alarcão. Por impulso iniciou a produção de miniaturas em pasta de papel, figuras (imitação do real) relacionadas com a atividade agrícola de Coruche (campinos, toiros, trabalhadores rurais em atividade).

Algumas peças produzidas por Alberto Potier, estiveram integradas na exposição do Museu do Brinquedo, Sintra, encerrado há relativamente pouco tempo, e também têm sido objeto de investigação por parte do prof. Manuel Miranda. 

Fontes:

Fatela, Paulo – Mão com Alma, artes e ofícios tradicionais em Coruche, edição Associação da Charneca Ribatejana, 2014, pág. 10, 146, 147.

Informações prestadas pelo sr. José Manuel de Sousa Potier, neto de Alberto George Potier (comentário do presente post)

 

 

DSC_0312.jpgTitulo: "Um lavrador"

Material: Pasta de papel

Dimensões: alt. 0.21m x comp. 0.20m x larg. 0.07m

Créditos fotográficos: João Costa Pereira

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Titulo: "Moda polquiada"

Material: Pasta de papel

Dimensões: alt. 0.14m, diâmetro: 0.34m

Créditos fotográficos: João Costa Pereira

 

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Titulo: "Eia toiro lindo!!! - 1954"

Material: Pasta de papel

Dimensões: alt. 0.16m x comp. 1.02m x larg. 0.17m

Créditos fotográficos: João Costa PereiraDSC_0304.jpg

Titulo: " A volta do casamento" - 1958

Material: Pasta de papel

Dimensões: alt. 0.20m x comp. 0.40m x larg. 0.16m

Créditos fotográficos: João Costa Pereira

 

 

 

REPRESENTAÇÕES PICTÓRICAS DE CORUCHE E OS SEUS PROTAGONISTAS

Em Coruche há artistas no âmbito das artes visuais que expressam, em papel ou tela, com vários pigmentos e outros materiais, alguns inovadores, as mais diversas representações de Coruche, o seu património edificado, as paisagens urbanas e outras...

 

Helena Diogo Claro é natural de Coruche, Mestre em Design e Cultura Visual no ramo de especialização de Design de Produção de Ambientes, pela Escola Superior  de Design de Lisboa, é atualmente Técnica Superior no Museu Municipal de Coruche, onde desenvolve trabalhos nas áreas de educação e do design.

Frequentou o ensino secundário na Escola Dr. Gienestal Machado de Santarém, na área de Artes Visuais, licenciando-se no ano de 1998 em Design pela Escola Superior de Design de Lisboa.

Foi professora, no ensino público, de Desenho, Design, Multimédia, História das Artes, Geometria Descritiva Artes Visuais durante dez anos.

Em outubro de 2001 faz a primeira exposição, na galeria da Junta de Freguesia de Coruche. No mesmo ano é convidada a participar no primeiro salão de artesanato de Coruche, Foi membro da CORART – Associação de Artesanato de Coruche e vice-presidente, de 2001 a 2005, onde desenvolveu vários projetos e participou em diversas mostras de artesanato. Em 2004, na Galeria de Artes e Ofícios da CORART, realiza nova exposição individual de pintura, Lecionou diversos cursos de pintura: aguarela em 2003, óleo (iniciação) de 2003 a 2005.

No ano de 2008 termina o Mestrado em Design e no mesmo ano profissionaliza-se como professora pela Escola Superior de Setúbal.

Desenvolveu vários projetos de design de interiores e gráficos, bem como trabalhos de ilustração. Realiza trabalhos de pintura a óleo, carvão, pastel e aguarela, pintura cerâmica, madeira, Têxtil e mural e crua peças de bijutaria.

Em 2013 participou na Bienal de Artes Plásticas de Coruche / Envolvências Locais.

 

Em baixo temos uma pequeníssima mostra de três telas, as duas primeiras intitulam-se "Namoro" e a última "A noiva", trata-se de pintura a óleo s/ tela e representam figuras do povo anos 20/30.

 

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IMG_6510.JPG Créditos fotográficos: Helena Diogo Claro

FIGURAS ICÓNICAS

O meu amigo Hélder Roque partilhou com o Coruche à mão fotos no âmbito do desafio “Património Edificado”, nomeadamente de edifícios com revestimentos em azulejo, algumas referem-se a um  edifício cujo proprietário é  Nobel da arquitetura paisagista,  arqtº Gonçalo Ribeiro Telles.

DSC_0450.JPGCréditos fotográficos: Hélder Roque

Assim,  este post tem como objetivo introduzir em contexto do Coruche à mão o arqtº Ribeiro Telles, figura icónica, notável da  sociedade contemporânea.

 

 

Esquisso Biográfico

 

Gonçalo Ribeiro Telles nasceu em Lisboa, a 19 de Maio de 1922. A sua juventude foi passada entre Coruche e Lisboa, considerando que o seu pai era natural de Coruche e aí viviam familiares, aos 2, 3 anos veio a Coruche pela primeira vez para ser mostrado ao seu avô.

Licenciou-se em engenharia agrónoma e fez um curso livre de arquitetura paisagista. Iniciou a sua vida profissional como assistente universitário, tornando-se discípulo de Francisco Caldeira Cabral. Mais tarde seria professor catedrático convidado da Universidade de Évora, criando as licenciaturas em arquitetura paisagista e em engenharia biofísica.

Iniciou a sua intervenção pública como membro da Juventude Agrária e Rural Católica. Com Francisco Sousa Tavares fundou, em 1957, o Movimento dos Monárquicos Independentes, a que se seguiria o Movimento dos Monárquicos Populares. Em 1967, aquando das cheias de Lisboa, impôs-se publicamente contra as políticas de urbanização vigentes.

Em 1969 integra a Comissão Eleitoral Monárquica, que se junta às listas da Ação Socialista Portuguesa, de Mário Soares, na coligação Comissão Eleitoral de Unidade Democrática (CEUD), para concorrer à Assembleia Nacional. Em 1971 ajudou a fundar o movimento Convergência Monárquica.

Após o 25 de Abril, fundou o Partido Popular Monárquico. Foi Subsecretário de Estado do Ambiente nos I, II e III  Governos Provisórios, e Secretário de Estado da mesma pasta, no I Governo Constitucional. Em 1979 integrou a Aliança Democrática, liderada por Francisco Sá Carneiro, coligação através da qual foi eleito deputado à Assembleia da República, em 1980 e em 1983. Entre 1981 e 1993 integrou o VIII Governo Constitucional, chefiado por Francisco Pinto Balsemão, como Ministro de Estado e da Qualidade de Vida. Durante o seu ministério, assume um papel preponderante no estabelecimento de um regime sobre o uso da terra e o ordenamento do território, ao criar as zonas protegidas da Reserva Agrícola Nacional, de as bases do Plano Diretor Municipal.

Em 1984, após sair do governo e já afastado do PPM, fundou o Movimento Alfacinha, com o qual se apresentou candidato à Câmara Municipal de Lisboa, conseguindo a eleição como vereador. Em 1985 regressa à Assembleia da República  como deputado independente, eleito nas listas do Partido Socialista. Em 1993 fundou o Movimento o Partido da Terra, cuja presidência abandonou em 2007.

Entre os seus projetos, são de assinalar o espaço público do Bairro das Estacas, em Alvalade; os jardins da Capela de São Jerónimo, no Restelo; a cobertura vegetal da colina do Castelo de São Jorge; os jardins da Fundação Calouste Gulbenkian, que assinou com António Barreto - recebendo o prémio Valmor de 1975; o Jardim Amália Rodrigues, junto ao Parque Eduardo VII, em 1996; e o conjunto de projetos que concebeu, entre 1998 a 2002, por solicitação da Câmara Municipal de Lisboa, das estruturas verdes principal e secundária da Área Metropolitana de Lisboa, e que se encontram hoje em diferentes fases de implementação: o Vale de Alcântara e a Radial de Benfica, o Vale de Chelas, o Parque Periférico, o Corredor Verde de Monsanto e a Integração na Estrutura Verde Principal de Lisboa da Zona Ribeirinha Oriental e Ocidental.

Em 2013 foi galardoado com o Prémio Sir Geoffrey Jellicoe, a mais importante distinção internacional no âmbito da arquitetura paisagista.

 

O arqtº Gonçalo Ribeiro Telles tem atualmente 94 anos de idade.

 

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Gon%C3%A7alo_Ribeiro_Telles

Catálogo da exposição temporária “Coruche na obra do arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles, patente no Museu Municipal de Coruche, Agosto de 2005

 

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Catálogo da exposição temporária “Coruche na obra do arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles, patente no Museu Municipal de Coruche, Agosto de 2005

Créditos fotográficos: Paulo Fatela

 

PATRIMÓNIO EDIFICADO

Ermida de Nª Srª do Castelo

 

" A vila de Coruche fica à margem direita do Sorraia, no sopé de um monte alto (89 m) que a domina do lado N e em cujo topo se erguia, no tempo dos mouros, um castelo, que era um miradoiro estratégico de primeira ordem para toda a vasta região da esquerda do Tejo.

Esse castelo , de que a vila parece ter herdado o nome, foi tomado aos mouros e 1166 por D. Afonso Henriques, e reparado no ano seguinte, segundo se deduz da Chronic Gothorum (P.M.H., Scriptores, p. 15-16). Os almóades reapossaram-se dele em 1180, mas destruiram-no e levaram cativos os moradores. Dois anos depois o rei de Portugal voltou a ocupar o local, restaurou o castelo e reprovou-o concedendo foral aos moradores. 

Hoje nada resta dessa velha fortaleza, cujo sitio constitui o adro ou rossio da modesta ermida da Senhora do Castelo."

 

Ribeiro, Margarida, Estudo hístórico de Coruche, Edição Câmara Municipal de Coruche, 2009, pág. 55

 

Registo fotográfico da ermida de Nª Srª do Castelo,  de três fotografos colaboradores do Coruche à mão. Obrigado Hugo, Zé e Ernesto  

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 Créditos fotográficos: Hugo Lourenço 

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 Créditos fotográficos: José Cordeiro

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  Créditos fotográficos: Ernesto dos Santos

TINTAS - CERÂMICA, MADEIRA, TÊXTIL, PORCELANA, AZULEJO

Azulejo

Azulejo é a palavra portuguesa que designa uma placa cerâmica quadrada com uma das faces decorada e vidrada. A sua utilização é comum a outros países como Espanha, Itália, Marrocos, etc., mas Portugal assume importância no contexto universal da criação artística.

O azulejo é um elemento identificativo da cultura portuguesa, considerando que a azulejaria é desenvolvida em Portugal há cinco séculos; a sua aplicabilidade como elemento que estrutura as arquiteturas, através de grandes revestimentos nas fachadas dos edifícios e no seu interior e pelo modo como tem sido entendido, não só como arte decorativa mas como suporte de renovação do gosto e de registo do imaginário.

As primeiras utilizações remontam ao século XVI (influência hispano-mourisca). Ao longo dos séculos vários momentos importantes e influências aconteceram (ex: Rococó, Neoclassicismo, etc.) até hoje. A expo´98 permitiu verificar a atual pertinência do uso do azulejo, onde o edifício do Oceanário é um bom exemplo.

 

A propósito de azulejos e daqueles que no percurso de vida tiverem ou têm relação com estes elementos artísticos em Coruche, o primeiro destaque recai sobre o mestre Esteves / Relvas.

José David Esteves nasceu em Lisboa, em 1927, iniciou com 17 anos de idade o seu percurso, na Fábrica Viúva Lamego, como modelador de cerâmica. Durante 17 anos contactou de muito perto com grandes figuras das artes plásticas, como Querubim Lapa, Leopoldo Almeida, Almada Negreiros, Manuel Cargaleiro, Jorge Barradas, Estrela Faria, entre outros. Em 1961 rumou a Lourenço Marques – Moçambique. Muito embora nessa fase a sua atividade principal não fosse associada às artes, manteve o interesse, o que o levou a colaborar, mais tarde, com a escultora alemã Ula Hanzel e também com Querubim Lapa nos painéis de entrada do Banco Nacional Ultramarino de Maputo. Regressou a Portugal em 1977, mas só um ano mais tarde voltou às artes plásticas, ao se envolver no projeto Cerâmica Artista ML Valente, Lda. Três anos mais tarde fixou residência em Coruche, aliciado pelo projeto Cerâmica Artística e, em 1981, inicia funções na Câmara Municipal de Coruche, primeiramente como desenhador. Todavia, foi nas artes plásticas que veio a centrar posteriormente toda a sua atividade. São inúmeros os trabalhos que realizou no concelho de Coruche, sendo que muitos deles podem ainda ser apreciados, tais como os painéis de azulejos do Pavilhão Municipal, das creches da Azervadinha e da Quinta do Lago, do lar de idosos da Lamarosa, as placas toponímicas da vila, o busto da República existente nos Paços do Concelho, entre muitos outros. No ano de 2002 foi-lhe atribuído um espaço de atelier no Museu Municipal de Coruche, onde  desenvolveu trabalhos diversos. O modelador/ceramista Relvas, como sempre assinou todos os seus trabalhos e por cujo nome ficou conhecido, faleceu em 2005.


Fontes:

Catálogo da exposição temporária “Coisas da Idade”, patente no Museu Municipal de Coruche de 31 de maio a 13 de julho de 2003.

Fatela, Paulo – Mão com Alma, artes e ofícios tradicionais em Coruche, edição Associação da Charneca Ribatejana, 2014.

 

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Relvas

Designação: Mural

Material: azulejo e tintas

Dimensão: alt. 1,98m, comp. 4.30m

Créditos fotográficos: Hélder Roque

 

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Relvas

Título: Fumeiro

Designação: Painel

Material: azulejo e tintas

Dimensão: alt. 0,45m, comp. 0,45m

Créditos fotográficos: Hélder Roque

 

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 Relvas

Designação: Placa toponímica

Material: azulejo e tintas

Dimensão: alt. 0,45m, comp. 0,45m

Créditos fotográficos: Hélder Roque

 

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 Relvas

Designação: Placa toponímica

Material: azulejo e tintas

Dimensão: alt. 0,35m, comp. 0,45m

Créditos fotográficos: Hélder Roque

 

Revisão: Ana Paiva

FIOS - LINHO, ALGODÃO, LÃ e OUTROS

TRAJES

No sentido de dar continuidade ao post sobre trajes tradicionais, publico mais uma fotografia, na circunstância um vestido de noiva, anos 30.

Trata-se de um vestido cujo tecido é "marrocan de lã" bordado com missangas, esta peça foi executada em ateliers do CRIC, tendo como formadora Joaquina Mendanha. 

A fotografia foi produzida no âmbito do livro Mãos com alma, artes e ofícios tradicionais em Coruche.

PICT0007.JPGCréditos fotográficos: Carlos M. Silva

Modelo: Teresa Neves

 

in: Fatela, Paulo – Mãos com Alma: artes e ofícios tradicionais em Coruche, Associação para a Promoção Rural da Charneca Ribatejana, 2014, p 89.