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coruche à mão

preservar memória / criar valor

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FIOS - LINHO, ALGODÃO, LÃ e OUTROS

TECELAGEM

A visada neste post é uma daquelas artesãs que me faz lamentar o facto de eu não ter estrutura para a apoiar e incentivar a continuidade da sua arte, tudo me leva a crer que Lourdes Sousa faz parte do grupo "Os últimos artesãos de Coruche". Contudo não está no âmbito do Coruche à mão fazer análise relativamente ao desaparecimento, em Coruche, destas artes milenáres. Assim sendo,  fica aqui o registo de alguns que fizeram percurso, no caso em tecelagem.

Hoje reporto um esquiço biográfico de Lourdes Sousa e duas peças por ela produzidas:

 

"Maria de Lourdes Luís de Sousa (Lourdes (Sousa) nasceu em 1968, em Santarém.

Foi em Coruche que cresceu, passou a adolescência e parte da vida adulta. Fez formação na área do artesanato, no Instituto Ricardo Espírito Santo nos anos de 1992 e 1993 e no CEARTE de 1994 a 1997.

Em 2002, por razões familiares, optou por mudar a sua residência de Coruche para Castelo de Vide, onde instalou um atelier/loja de artesanato, a maioria das peças que comercializava eram executadas por si.

Uma das áreas do artesanato a que mais se dedicou foi a tecelagem, executando cortinados, toalhas, etc."

 

Fatela, Paulo – Mão com Alma, artes e ofícios tradicionais em Coruche, edição Associação da Charneca Ribatejana, 2014, pág. 30.

 

 

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 Designação: Colete

Material: Linho com tela de cores e ráfia

Dimensão: 034m x 0.65m

Créditos fotográficos: Hélder Roque

 

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  Designação: Cortinado

Material: Linho 

Dimensão: 1.35m x 1.95m

Créditos fotográficos: Hélder Roque

MÃOS NA MÚSICA

Sociedade de Instrução Coruchense (SIC)

 

A Sociedade de Instrução Coruchense foi constituída em 9 de abril de 1896, sendo a mais antiga associação em Coruche.

Os seus fundadores foram Artur Peixoto Ferreira (Landal), David Augusto da Silva Sousa, Miguel Teotónio Mendanha, João Maria Gonçalves Júnior, António Lopes Carvalho e Joaquim Valério dos Santos.

Na base da sua existência estiveram desde sempre trabalhadores por conta própria, barbeiros, alfaiates, sapateiros, albardeiros, funileiro, marceneiros, entre outros, residentes na vila de Coruche, manifestando-se logo desde o início uma enorme pluralidade de proveniências geográficas, profissionais e graus de escolaridade.

 

A histórica da SIC cruza-se com várias gerações. Durante longos anos a SIC teve uma atividade cultural relevante, sendo exemplo disso os encontros de bandas regionais e das festividades. A SIC foi, em tempos, a única presença cultural de destaque nas programações festivas de Coruche.

 

Ao longo de mais de um século foram vários os Regentes e Maestros que passaram pela SIC, nomeadamente:

 

Joaquim Valério dos Santos (1.º regente)

José Alboim Foes

Capitão Serra e Moura

António Joaquim Ferreira Andrade

Manuel Vargas

José Esteves Graça

Capitão Fontora Rebelo

António Pereira Preguiça

Luís de Castro

Raul Moreno

António de Almeida

Frederico Coelho Vargas

Basílio Monteiro

Elói José

Tenente José Alves Ribeiro

Portalete

Alberto Nunes Formigão

Ricardo Vieira

José Marquês

Armando Reigota

Gualberto Fonte Santa

Rogério Paulo Martins da Silva

Carlos Eduardo Gaudêncio da Silva (atual regente-maestro)

 

O meu avô João foi músico na SIC e eu tenho memória disso, bem como de uma fotografia emoldurada que estava colocada num dos compartimentos da casa dos meus avós. Essa fotografia ficou na minha posse e, mais tarde, oferecia-a à Banda, quando o meu amigo António João Bacalhau foi diretor da coletividade.

 

Fonte: Bacalhau, António João – “Memória da SIC” ,editado aquando do centenário da SIC – 1896-1996

 

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Revisão: Ana Paiva

 

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1960 -  Fotos: Arquivo Câmara Municipal de Coruche

MADEIRAS - MARCENARIA, CARPINTARIA, RESTAURO

Este post pretende mostrar as principais ferramentas outrora utilizadas pelos carpinteiros nas abegorias, em regra eram feitas pelos próprios. Normalmente utilizavam a madeira de azinho ou de freixo.

 

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garlopa - plaina grande, usada para aplainar tábuas

 

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rebaixador - para fazer rebaixos em tábuas

 

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guilherme-parafazer correções em juntas de madeira

 

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plaina pequena - para desbaste em superfície lisa

 

 

 

 

 

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plaina de asa - para usar em pequenas superfícies

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 plaina de volta - para aplainar superfícies curvas

 

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Machadinha, com mais de 80 anos, da família Cravidão "Instrumento utilizado pelo madeireiro para fazer a contagem das árvores a abater, calcular o seu valor e fazer uma oferta ao proprietário. Fazia uma pequena marca, com a lâmina, em cada árvore, do lado (de dentro)". Depois de cortadas, marcava cada toro, com as iniciais, de um lado e de outro; quando o toro levava duas marcas de cada lado"

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Serra de sambrar

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Serra

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Serra de rodear 

  

Fonte: Cravidão, João - A Madeiras em Coruche: historial de artes e ofícios já extintos em Coruche”, Coruche: Museu Municipal/Câmara Municipal, 2015, págs. 93 e 94 (peças propriedade de Simão Nunes)

PELES E COUROS - CORREEIROS, SAPATEIROS, PEÇAS DECORATIVAS E ÚTEIS

Para iniciar esta rúbrica publico um bonito texto produzido pelo meu amigo Joaquim Santos, que teve a gentileza de partilhar e colaborar no Coruche à mão. 

 

"Lembranças de outros tempos….

 

A mente humana é um lugar desafiante onde, entre outras coisas, está muita informação guardada.  Alguma dessa informação que vai sendo revelada ao longo da nossa vivencia faz parte do mistério da vida….

Desta forma dei por mim a pensar como e onde terei eu aprendido o significado da palavra Burnil,  a mesma que também é conhecida na gíria como Mulim, Melim ou Moleira. O que é e para que serve?

A primeira vez que ouvi estas palavras foi num mundo que já não existe, que faz parte do meu imaginário. Era um mundo onde eu cabia dentro de uma cesta de verga, que a senhora minha Avó orgulhosamente usava nas idas diárias ao mercado municipal de Coruche. Recordo-me de muita gente em meu redor. Tudo era gigante, as bancas preenchidas de vendedores de produtos hortícolas frescos, peixe, carne, bolos de mel (meus preferidos), era uma azafama total. Percorríamos demoradamente todas as bancas em busca dos produtos mais frescos ou simplesmente para que a senhora minha avó cumprimentasse cada uns dos vendedores(as).

Era uma vivencia cheia de cores e cheiros e nesse percurso havia também lugar a outro dos pontos altos da manhã. A visita às traseiras do mercado, onde por entre o amontoado de carrinhas e carros ainda restavam as ultimas carroças e respetivas mulas, que aguardavam pacientemente que seus donos vendessem os seus produtos para voltarem a casa.

 Foi numa dessas visitas que me foi apresentada a peça fundamental no equilíbrio da relação entre a carroça e a tração animal e o seu condutor e que se destacava pela sua exuberância na decoração. O Burnil, Mulim, Melim ou Moleira.

De que é feito? Pelas mãos sábias de artesãos antigos fazia-se o Mulim de um braçado de palha entrançado com uma determinada configuração e medida. Era revestido a cabedal, cozido à mão e decorado com apliques de lã de cores variadas e garridas. Cada Mulim, representava na sua decoração a zona do país a que pertencia, bem como, o bom gosto do seu proprietário. Era comum serem ricamente decorados com apliques de lã ao longo do “castelo”, reforçado com pequenos guizos, espelhos, apliques de tecido de cores garridas, enfim tudo era válido para dar nas vistas e tornar aquele conjunto ainda mais interessante e vivo.

A função desta peça é simplesmente a de proteger o pescoço  do animal na zona da entrada do garrote de forma a que o animal consiga sem desconforto puxar a carroça. Nesta peça encostava a canga da carroça, que depois de bem apertada pela “tiradeira” e pela “barrigueira” ajustava na perfeição a carroça ao animal que a iria puxar.

O Mulim é composto por um Arco ou Arção, parte interior que envolve o pescoço do animal e pelo Castelo que pode ter vários tamanhos . Naturalmente que quanto maior  o Castelo, mais festivo e ornamental se torna. Contudo, os mulins de trabalho têm normalmente castelos pequenos de forma a não embater em árvores baixas quando utilizados para lavrar, por exemplo; Na parte superior do Mulim e atrás do Castelo existe o vaso onde encaixa a canga da carroça e se fixam os cangalhos; a sua zona inferior é rematada pelas “orelhas” ou “bolas”, onde se aperta os dois gomos do Mulim e se ajusta em redor do pescoço do animal atando com o atilho, onde se encaixa a guizeira.

Passei os anos seguintes a ver no sótão da minha avó um Mulim pendurado. Resistiu anos à poeira e a outros condicionalismo e mais tarde chegou até mim. É uma peça da história e a prova viva de um mundo rural que já não existe. Desta peça dependia o rendimento da tração animal nos trabalhos agrícolas, transporte de géneros e pessoas, que com o evoluir dos tempos foi sendo substituída por outras formas mais modernas e mais adaptadas à realidade atual até às máquinas agrícolas.

Existem relíquias destas  em vários sótãos e arrecadações esperando a sua oportunidade de serem restaurados ou recuperados para orgulhosamente contarem a sua historia, ou simplesmente mostrados e postos a uso. Poucos são já os mestres capazes de os recuperar e cada vez há menos interessados na sua utilização. Mas ainda assim ainda existe quem teime em não deixar estas peças ao abandono, retrato de vivências de um Portugal rural difícil e duro."

 

Joaquim Santos

"Escreve ainda num misto entre novo e antigo acordo ortográfico. Um curioso sobre questões ligadas à etnografia."

 

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Vista geral de um mulim

Créditos fotográficos: Ana Marques

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Pormenor do castelo

Créditos fotográficos: Ana Marques

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Orelhas e atilho de prender

Créditos fotográficos: Ana Marques

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 Adornos no topo do castelo

Créditos fotográficos: Ana Marques

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 A mula Mourisca e o seu mulim

Créditos fotográficos: Ana Marques

 

GASTRONOMIA

AS AROMÁTICAS (ervas) 

No âmbito da rubrica de gastronomia  venho colocar no Coruche à mão alguma informação de ervas aromáticas existentes em Coruche, as quais dão sabor e perfumam os melhores pratos tradicionais e elevam as experiências mais contemporâneas.

Assim o enfoque, neste primeiro momento, vai para o alecrim e a hortelã.

 

Alecrim (Rosmarinus officinalis)

O alecrim é um arbusto comum na região do Mediterrâneo, desenvolve-se preferencialmente em solos de origem calcária. Devido ao seu aroma característico, o romanos designaram-no como rosmarinus, que em latim significa orvalho do mar. É um arbusto muito ramificado, sempre verde, com hastes lenhosas, folhas pequenas e finas, opostas, lanceoladas.

A parte inferior das folhas é de cor verde-acinzentado enquanto a superior é verde brilhante. As flores reúnem-se em espiguilhas terminais e são de cor azul ou esbranquiçada. O fruto é um aquênio. Floresce quase todo o ano e não necessita de cuidados especiais nos jardins.

Toda a planta exala um aroma forte e agradável. Utilizada com fins culinários, medicinais e religiosos, a sua essência também é utilizada em perfumaria, como por exemplo, na produção da água-de-colónia.

A sua flor é muito apreciada pelas abelhas produzindo assim um mel de extrema qualidade. Há quem plante alecrim perto de apiários, para influenciar o sabor do mel.

Devido à sua atratividade estética e razoável tolerância à seca, é utilizado em arquitetura paisagística.

O alecrim é facilmente podado em diferentes formas e tem sido utilizado em topiária. Quando cultivado em vasos, deverá ser mantido de preferência aparado, de forma a evitar o crescimento excessivo e a perda de folhas nos seus ramos interiores e inferiores, o que poderá torná-lo um arbusto sem forma e rebelde. Apesar disso, quando cultivado em jardim, o alecrim pode crescer até um tamanho considerável e continuar uma planta atraente.

Fresco (preferencialmente) ou seco, é apreciado na preparação de aves, caça, carne de porco, salcichas, linguiças e batatas assadas.

A medicina popular recomenda o alecrim como um estimulante às pessoas atacadas de debilidade, sendo empregado também para combater as febres intermitentes e a febre tifóide.

Em templos e igrejas o alecrim é queimado como incenso desde a antiguidade. Na igreja Ortodoxa o seu óleo é utilizado até aos nossos dias  para unção. Nos cultos de religiões afro é utilizado em banhos e como incenso.

Fonte: https://www.google.pt/?gws_rd=ssl#q=wikipedia+ervas+aromaticas+alecrim

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 Créditos fotográficos: Ana Marques

 

HORTELÃ

A hortelã-verde (Mentha spicata), também conhecida como hortelã-de-leite, hortelã-das-cozinhas, hortelã-dos-temperos, hortelã-vulgar, hortelã-das-hortas, hortelã-comum ou simplesmente hortelã, é uma planta herbácea perene, da família Lamiaceae (Labiadas), atingindo 30 cm a 100 cm.

É uma planta originária da Ásia, mas prolifera  em todo o mundo, porque tolera bem diferentes condições climáticas, desde que não falte água. Em climas frios pode perder as partes aéreas no Inverno, sobrevivendo através dos seus rizomas, que só morrem se o solo congelar completamente.

É utilizada como tempero em culinária, como aromatizante em certos produtos alimentares, ou para a extração do seu óleo essencial. Por vezes, simplesmente cultivada como planta ornamental. É uma das plantas mais usadas do mundo.

É também utilizada como planta medicinal.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Hortel%C3%A3-verde

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 Créditos fotográficos: Ana Marques

Revisão Ana Paiva 

FIOS - LINHO, ALGODÃO, LÃ E OUTROS

TECELAGEM

 

A tecelagem é milenar; acompanha o ser humano desde os primórdios da civilização. Está identificada com as próprias necessidades do Homem, de agasalho, de proteção e de expressão. São fibras de algodão, de lã, de linho, fiadas e tingidas por processos manuais, que nos teares, através das mãos do Artista, se unem em cores e formas.

É conhecida por ser uma das formas de artesanato mais antigo, ainda existente nos dias de hoje. Teve início no período neolítico, desenvolvendo-se ao redor do mundo, primeiramente no oriente com os chineses, hindus, egípcios. Na Europa com os gregos, romanos e a partir do século XIV com a Itália (veludos e brocados de Veneza, seda de Milão e Turim). Na França, no século XVI, com as tapeçarias Gobelin, Savonnerie. No século XIX a Inglaterra inventa o tear mecânico a vapor e a produção industrial em larga escala. Nas Américas, a tecelagem manual  começou nos Andes peruanos, com os aztecas. Teve nos povos indígenas os seus grandes artesãos nas três Américas.

Tecelagem é o ato de tecer, através do entrelaçamento de fios de trama (transversais) com fios de teia (longitudinais), formando tecidos. Os tecidos produzidos no processo de tecelagem são também conhecidos como tecidos planos ou de cala. Nos tecidos planos há somente duas posições possíveis para os fios de trama: ou ele passa por baixo ou passa por cima dos fios da teia.

A tecelagem propriamente dita pode ser resumida em três operações: abertura da cala: operação onde certos liços sobem e outros descem, para selecionar os fios da teia, formando duas mantas de fios, uma superior e outra inferior; inserção da trama; batida do pente.

O que determina os tipos de entrelaçamento do fio é o chamado debuxo e é realizado pela seleção dos fios da teia que sobem ou que descem para a formação da cala. Há três padrões (desenhos) básicos de tecidos: a tela (também conhecida por tafetá), a sarja e o cetim.

Fontes: http://tearnobrasil.blogspot.pt/, 09.09.2015; http://sobretecelagem.blogspot.pt/, 09.09.2015; http://conceitotear.blogspot.pt/, 09.09.2015

Ana Paiva

 

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Fotografia no âmbito do espaço malhas, projeto Envolvências locais, Bienal de Artes  Coruche 2015

artesã: Lourdes Sousa

Créditos totográficos: Paulo Fatela 

 

“Udir a tela, tecer a vida”, é o título do livro que Ana Maria Braga da Cruz, escreveu (1991) a propósito de alguns dos mais interessantes projetos de revitalização de artes têxteis e através desta atividade encontramos a história da comunidade que os originou, a história de um momento de encontro e descoberta, tal como diz Spohia de Mello Breyner “ Como se o tecedor a si próprio se tecesse.”

 

A cultura do linho tem tanto de fascinante como de complexa: da sementeira ao tear, doze fases completam o ciclo: semear, arrancar, ripar, enriar, secar, malhar, marcear ou moer, espadear, assedar, fiar, dobar e tecer.

 

A este ritual, junta-se um tear manual e a arte magistral do trabalhador, a arte feita sabedoria adquirida ao longo de gerações e enriquecida através dos tempos e felizmente preservada em aldeias e serras de Portugal.

Em Coruche, a memória leva-me a duas tecedeiras: Maria Augusta Marques e Maria de Lourdes Luís de Sousa.

 

Fatela, Paulo – Mão com Alma, artes e ofícios tradicionais em Coruche, edição Associação da Charneca Ribatejana, 2014, pág. 53.

 

 

Ensalmo de Santa Luzia

Santa Luzia

Três filhas tinha.

Uma curava,

Outra desfazia,

Outra três novelos

Na mão trazia:

Um com que urdia,

Outro com que tecia,

Outro com que névoas,

Cataratas e belidas,

Unheiros e carnigões

Curava e desfazia,

E mais todo o mal

Que neste olho havia.

À milagrosa Santa Luzia,

Padre-Nosso e Ave-Maria.

 

Fonte: Etnografia Portuguesa, J. Leite de Vasconcellos, vol. 9, Lisboa: INCM, 1985, p. 482.

 

TEAR MANUAL

Ferramenta simples, que permite o entrelaçamento, de uma maneira ordenada, de dois conjuntos de fios, denominados trama e teia (ou urdume), formando, como resultado, uma malha denominada tecido (C).

Teia (A): é formada por um conjunto de fios tensos, paralelos e colocados previamente no sentido do comprimento do tear.

Trama (B): é o segundo conjunto de fios, passados no sentido transversal com auxílio de uma agulha, também denominada navete. A trama é passada entre os fios da teia, em movimentos de ida e volta, por uma abertura denominada cala. 

Pente (D): peça básica no tear pente-liço, que permite levantar e baixar alternadamente os fios da teia, para permitir a abertura da cala e posterior passagem da trama.

Cala (E): espaço entre os fios ímpares e pares da teia, por onde passa a navete com a trama (F).

A teia é colocada através do pente e os seus fios são mantidos com uma tensão constante. O movimento vertical do pente faz surgir a abertura denominada cala, por onde é passada a trama, sucessivamente de um lado para outro, entrelaçando-se desta maneira os dois conjuntos de fios.

 

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Estrutura de um tecido plano

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Pesos de tear do período romano encontrados no vale do Sorraia, presentes na exposição “Coruche: o Céu, a Terra e os Homens”, patente no Museu Municipal.

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MADEIRAS - Marcenaria, Carpintaria, Restauro

RESTAURO

Neste post menciono nomes de alguns artífices que se dedicaram à macenaria e restauro, nomeadamente:

Veríssimo,  António dos Santos,  Luís dos Santos, José Luís Pereira, Guilherme Manaia, Arlindo Pires e Manuel Marques Hilário.

José Luís Pereira fez o restauro dos altares da igreja da misericórdia e da ermida de nª srª do Castelo. Hoje publico duas fotografias de autoria de Carlos M. Silva relativas ao altar de da igreja da misericórdia.

 

Fatela, Paulo – Mão com Alma, artes e ofícios tradicionais em Coruche, edição Associação da Charneca Ribatejana, 2014, pág. 154.

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 Créditos fotogáficos: Carlos M. Silva

 

 

 

 

 

 

 

 

FIOS - LINHO, ALGODÃO, LÃ e OUTROS

FIOS - FATOS DE ANJO

 

Comemoram-se, este ano,  os 500 anos da  Procissão em Honra de Nossa Senhora.

Através da carta-ordem de D. Jorge de Lencastre, datada de 13 de junho de 1516, cumprindo a ordem de D. Manuel I, emanada por carta régia de vinte e sete de maio desse ano, na qual se mandava fazer uma solene procissão no dia da Visitação da Mãe de Jesus. A cumprir logo nesse ano.

 

Fonte: Catalogo “500 anos da Procissão em Honra de Nossa Senhora  – Coruche”, Edição - Museu Municipal de Coruche,  2016,  pág. 112.

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Créditos fotográficos: Duarte Delgado - Reportagens fotográficas - Lisboa (1966) (PF)

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FFC_111528.jpg Fotografias: Arquivo Museu Municipal de Coruche (anos 1960) 

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A assistir à procissão em honra de Nª Nª do Castelo, três gerações, a minha avó materna, as tias Rita e Susana e eu.

 Créditos fotográficos: Duarte Delgado - Reportagens fotográficas - Lisboa (1966) (PF)

 

O Museu Municipal de Coruche realizou uma exposição temporária e um catálogo relativos à efeméride.

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 Fatos de Anjo

 

Aquando da preparação do livro Mãos com Alma – artes e ofícios tradicionais em Coruche, solicitei colaboração ao meu amigo Pde João Luís Silva para que produzisse um texto sobre "Fatos de Anjo" para apresentar o tema. Mais uma vez para introduzir esta temática publico o texto do Pde João Luís.

 

"Os anjos são uma das mais belas imagens que habitam no espírito humano. Estes seres celestres graciosos, espíritos puros. cheios de força e da santidade de Deus, impregnam a nossa história desde o início.

Mesmo o nascimento do Filho de Deus, teve a interação dos Anjos. Foi o Arcanjo Gabriel quem anunciou a Maria que Ela era a escolhida para a Mãe de Jesus.

Não admira pos, que nas tradições populares, concretamente nas Festas em honra de Maria e dos Santos, se façam presentes estes "Fatos de Anjo" que são atríbuidos para os mais pequenos das comunidades paroquiais, as crianças, pois, quem melhor que elas para espelharem o que são os anjos.

Não é pelas crianças que se renova o milagre da vida, o olhar inocente da realidade, a alegria gratuita, o maravilhamento e as mensagens de amor?

Nos "anjos" que desfilam alegremente nas nossas procissões com as suas asas com mais ou menos expressão, isto é, nos fatos de anjo" mantemos viva a presença dos que entre a natureza Divina e a natureza humana, estabelecem o elo de ligação e comunicação com Deus, e de Deus, são portadores fièis de mensagens de Bem e de Amor para todos nós.

Que mistério tão sublme conntém "os Fatos de Anjo"!"

Padre João Luìs Silva 

 

Algumas pessoas em Coruche até aos anos 70/80 confecionavam e alugavam fatos de anjo e de santos, para cumprimento de promessas na Procissão de Nª Srª do Castelo. Com o passar do tempo a procura deste tipo de produtos foi-se esbatendo. Atualmente já não existem pessoas com essa atividade. As irmãs Manuela e Jesus Cordeiro têm um espólio considerável que herdaram da sua mãe Clementina Cordeiro. Hoje o ênfase vai para Docelina Cardoso.

Docelina Cardoso, natural de Fajarda – Coruche, tem oitenta e três anos de idade, fez o seu percurso profissional, essencialmente, utilizando os tecidos como matéria prima. Confencionou trajos tradicionais, vestiu vários ranchos folclóricos,  produziu peças em trapologia e  imensos fatos de anjos e santos, os quais desfilavam nas profissões locais e não só.

Em baixo um conjunto de três fotografias do autor Hélder Roque, cujos modelos foram os seus filhos, Jéssica, Afonso e Mariana de . As fotografias foram produzidas no âmbito do livro Mãos com Alma, editado em 2014.

20100906 Docelinda Cardoso HR (15).jpg Docelina Cardoso

Designação: Vestido de "VirgemSantíssima"

Material: Tafetá, rendas e galões

Créditos fotográficos: Hélder Roque

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Docelina Cardoso

Designação: Fato de " São José"

Material: Tafetá, galões e cordão de algodão

Créditos fotográficos: Hélder Roque

 

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 Docelina Cardoso

Designação: Fato de " Menino Jesus"

Material: Tafetá, rendas e galões 

Créditos fotográficos: Hélder Roque

 

Agradecimentos:

Ana Paiva

Hélder Roque

GASTRONOMIA

RECEITAS COM TOMATE

O tomate é um dos produtos hortícolas de maior importância no Ribatejo. O tomate tem a vantagem de poder ser consumido em fresco ou transformado: concentrado, em polpa ou pelado. Por cá produz-se o tomate especialmente para transformação.

Grandes empresas industriais, situadas em Almeirim, Benavente e Azambuja, são os parceiros dos agricultores ribatejanos.

 

Receita com tomate como ingrediente principal, partilhada por Ana Maria Ribeiro:

 

SOPA DE TOMATE COM FIOS DE OVOS

 

Era uma sopa de Verão que se fazia em casa de meus pais, em Lisboa e à qual não dava grande importância, talvez pela sua simplicidade, mas como tudo que marca a nossa infância, dei por mim a introduzi-la habitualmente em minha casa e todos a apreciam.

 

INGREDIENTES:

Tomate redondo (tomate maçã)

Cebola

Alho

Coentros

Azeite

Água

Sal

Ovos

 

Vamos lá preparar a sopa: Numa panela juntam-se o tomate e a cebola picados bastante miúdo, visto que esta sopa não é triturada, um dente de alho esmagado, água, azeite e sal a que  junto um ramo de coentros, já influenciada pelos sabores ribatejanos e alentejanos.

Ferve bastante tempo até cozer e desfazer bem todos os ingredientes.

Numa tigela batem-se bem alguns ovos inteiros, conforme o tamanho da panela e deitam-se em fio para dentro da panela com a sopa, mexendo rápido para que fiquem fios bem fininhos, tudo isto já com o lume apagado.

Pode servir-se esta sopa com croutons ou coentros frescos picados."

 

13940895_1127467100623287_911069491_n.jpg Créditos fotográficos: Fernando Serafim 

 

 

Hoje sou eu que partilho uma receita, como diz o ditado “no tempo do tomate não há maus cozinheiros”.

 

OVOS  DE TOMATADA

No verão, em casa dos meus avós maternos, comíamos ovos de tomatada. Para mim tornou-se tradição, pelo que todos o verões faço ovos de tomatada,  traz-me muitas e boas  memórias ...

 

INGREDIENTES (Uma dose):

Uma folha de louro

Tomate

Uma cebola (grande)

Dois ovos

Pão (caseiro)

Azeite

Sal, qb

Óregãos (secos)

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Num tacho coloca-se o louro, a cebola cortada em rodelas finas e o tomate, previamente pelado e sem grainhas, rega-se com azeite. Leva-se o preparado ao lume com um pouco de água. Deixa-se cozinhar e apurar a gosto, contudo é conveniente que a tomatada fique com textura. Escalfam-se os ovos, em água e vinagre.

Torram-se fatias de pão.

 

Empratamento:

Colocam-se as fatias de pão torrado  e em cima a tomatada, para finalizar os ovos escalfados, salpicados com óregãos secos.

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Créditos fotográficos: Paulo Fatela

 Acompanha com batata frita, em palitos, salpicada com oregãos.

 

Receitas com tomate como ingrediente principal, partilhadas por Rosa Nunes:

 

OVOS COM TOMATE

Leva-se ao lume uma frigideira com azeite. Quando quente junta-se um (ou mais) tomate lavado e cortado em pedaços pequenos. Vai-se mexendo, até o tomate se desfazer. Juntam-se os ovos que se quiserem, ligeiramente batidos com um garfo e mexe-se bem. Pode temperar-se de sal a gosto.

A minha mãe ensinou-me a fazer "Ovos com tomate", que julgo ser uma receita típica na zona dela (Almodôvar - Baixo Alentejo).

 

SOPA DE TOMATE

INGREDIENTES:

1 kg de tomate chucha (tomate de cacho também é adequado)
2 colheres (sopa) de azeite (de boa qualidade)
2 cebolas médias
4 dentes de alho
3 colheres (sopa) de tomate em pedaços
1 pacote pequeno de açúcar
Sal, pimenta, hortelã e orégãos q.b.
5 ovos (1 ovo por pessoa)

Preparação:

Tira-se a pele e as sementes dos tomates e reservam-se.
Numa panela, coloca-se o azeite a aquecer e junta-se as cebolas em meia lua e os alhos fatiados grosseiramente. Deixa-se refogar muito bem mas sem queimar.
Junta-se o tomate limpo, o tomate em pedaços e o ramo de hortelã. Deixa-se cozinhar um pouco. Retira-se a hortelã e tritura-se tudo com a varinha mágica. Adiciona-se o sal, a pimenta, o açúcar e deixa-se cozer durante 10 minutos em lume brando.
Entretanto, numa tigela, coloca-se os ovos (sem a casca) e, quando a sopa estiver a ferver, juntam-se (sempre em lume brando) e deixa-se cozinhar até que estes cozam.
Num terrina de servir, colocam-se algumas fatias de pão (há quem prefira colocar as fatias de pão directamente no prato). O pão deve ser de véspera.
Quando os ovos estiverem cozidos, coloca-se a sopa na terrina e serve-se de imediato.

 

SOPA DE TOMATE

INGREDIENTES:

1 cebola
4 tomates maduros (ou uma lata de tomate inteiro pelado)
2 dentes de alho
2 batatas médias
4 punhados de arroz agulha (1 por cada pessoa)
4 ovos
Sal e pimenta
Azeite q.b.

Preparação:

Picar as cebolas e os alhos.
Cortar as batatas em fatias muito finas e pelar os tomates.
Aquecer um tacho, cobrir o fundo com azeite e juntar a cebola, o alho, sal e pimenta a gosto. Deixar refogar até a cebola estar translúcida e juntar os tomates em pedaços generosos. Juntar as batatas e adicionar água quente (cerca de um litro). Deixar ferver durante 5 minutos.
Adicionar então o arroz e deixar cozer. Assim que o arroz estiver cozido, juntar mais água, se necessário, verificar o sal e partir os ovos directamente para dentro do tacho (de preferência em sítios diferentes para ficarem separados).
Cozinhar durante 5/6 minutos, tirar do lume e cobrir com a tampa até à hora de servir.

 

QUICHE DE TOMATE

INGREDIENTES:

Para a massa:
300g de farinha
130g de margarina
70g de água
1 colher (chá) de sal
1 colher (chá) de açúcar

Para o recheio:
3 tomates de rama, maduros, às rodelas
1 lata de cogumelos laminados
Azeitonas pretas, sem caroço, às rodelas q.b.
Queijo ralado q.b.
3 ovos
1 pacote de natas
Orégãos q.b.
Sal e pimenta q.b.

Preparação:

Prepare a massa, colocando no copo todos os ingredientes pela ordem indicada. Programe 15seg, Vel 6.
Forre uma tarteira com a massa e pique-a com um garfo antes de cozer para que esta não enrole.
Para o recheio, disponha os cogumelos, o tomate, as azeitonas e o queijo ralado. Polvilhe com orégãos.
Numa taça, bata os ovos e as natas, tempere com sal e pimenta, e deite por cima da massa.
Leve ao forno pré-aquecido a 180ºC durante cerca de 25 minutos, ou até ficar dourado.

 

BRUSCHETTAS DE TOMATE

INGREDIENTES:

2 pães de mistura
3 tomates lavados, sem sementes e cortados em cubos
2 dentes de alho picados
Queijo flamengo ralado (podem ser outros queijos)
Salsa e sal grosso q.b.
4 colheres (chá) de azeite

Preparação:

Cortar os pães a meio, misturar os tomates, o alho e o sal grosso e barrar o pão com o preparado e polvilhar com queijo. Colocar numa tabuleiro e levar ao forno a 200ºC, até o pão tostar e o queiho derreter. Por fim regar com azeite e polvilhar com salsa. 

Fonte: http://kitchenet.aeiou.pt/

 

Receita com tomate como ingrediente principal, partilhada por Luzia Santos:

 

"DOCE DE TOMATE

 
Uma receita tradicional adaptada aos apressados tempos modernos.
 
Na panela de pressão coloque dois quilos de tomate, de boa qualidade,  bem limpo de peles e grainhas, com 1 kg de açúcar, uma casquinha de limão e um pau de canela. Leve a ferver por cerca de quinze minutos.
Findo o tempo necessário desligue o fogão mas deixe que a panela perca toda a pressão no seu ritmo próprio. Destape a panela e volte a ligar o fogão. Deixe ferver por cerca de mais dez minutos para secar um pouco e engrossar, mexendo sempre.
Deixe arrefecer e delicie-se com este doce maravilhoso.
Umas tostas ou fatias finas de pão alentejano e uma bebida fresca vão muito bem com o doce agora no verão.
Se lhe sobrar algum aproveite as tardes frias de inverno e saboreio com um belo chá a acompanhar.
 
Bom apetite!"

 SAM_1264.JPG Créditos fotográficos: Luzia Santos

 

Receita com tomate como ingrediente principal, partilhada por Lurdes Martinho:

 

"TOMATES RECHEADOS

INGREDIENTES:

8 tomates médios
800g de carne picada (porco e vaca)
2 colheres de sopa de azeite
1 cebola
1 dente de alho

2 ovos

1 chávena de arroz cozido. (o arroz pode ser substituído por cous cous).
1 colher de chá de oregãos

sal , tomilho e pimenta q.b.

Preparação:

Lavam-se os tomates, corta-se uma tampinha e com uma colher escava-se o interior. Deixam-se escorrer sobre papel absorvente e guarda-se a polpa retirada.
Aloura-se a cebola e o alho, junta-se a carne picada e deixa-se cozinhar. Deita-se a polpa do tomate sem sementes e tempera-se com o sal, pimenta, orégãos e o tomilho. Deixe cozinhar cerca de 20 minutos em lume brando até a carne estar apurada. Mistura-se o arroz cozido (convém cozer com antecedência para secar bem), os ovos batidos e envolve-se tudo
Colocam-se os tomates num prato de ir ao forno e salpicam-se com umas pedrinhas de sal. Enche-se cada tomate com a carne picada e coloca-se a tampinha em cada um.
Vai ao forno previamente aquecido (180ºC) cerca de 15 a 20 minutos para cozinhar o tomate. Este deve ficar macio mas não muito mole.
Servem-se com uma salada de alface e um pouco de arroz branco (opcional)."

tomate_recheado.pngCréditos fotográficos: Lurdes Martinho 

 

Receita com tomate como ingrediente principal, partilhada por Natalina Asseiceira:

 

"SOPA DE TOMATE COM QUEIJO PARMESÃO

 

 

INGREDIENTES:

750gr de tomate maduro

7,50dl de água

Queijo parmesão (ralado)

Cebola

Azeite

Sal


Faz-se um refogado ao qual se junta 750gr de tomate bem maduro, adiciona-se sal e 7,50 dl de água e vai à cozer. Por fim passa-se pelo passe vite ou com a varinha mágica e junta-se uns coentros.

Serve-se de imediato com queijo parmesão ralado."

 

14102075_10206568419040273_1614918065_n.jpgCréditos fotográficos: Natalina Asseiceira 

 

Receita com tomate como ingrediente principal, partilhada por Manuela Mesquita:

 

"ARROZ DE TOMATE COM FEIJÃO

 

INGREDIENTES:

Tomate

Azeite

Cebola,

Louro,

Alho,

Feijão (cozido)

Vinagre

Coentros

 

Faz-se um refogado com azeite, cebola, alho picadinho,  e louro. Junta-se o tomate limpo de peles e sementes e deixa-se cozinhar em lume brando. Adiciona-se uma medida de arroz carolino e envolve-se bem o arroz no refogado. Junta-se três medidas de água e tempera-se  sal. Após o arroz ferver um pouco coloca-se o feijão cozido, mistura-se um pouco de vinagre, tapa-se o tacho e deixa abrir o arroz. Antes de servir.polvilha-se com coentros."

IMG_20160818_133035 (1).jpg Créditos fotográficos: Manuela Mesquita 

 

Receita com tomate como ingrediente principal, partilhada por Natalina Asseiceira:

 

"DOCE DE TOMATE

 
INGREDIENTES:
 
1 kg de tomate maduro
650g de açúcar
Um pau de canela
Raspa de limão.
 
 
Retira-se a pele e as sementes ao tomate, corta-se em pedaços e coloca -se numa panela, junta-se o açúcar, o pau de canela e a raspa de limão. Quando ferver reduz-se o lume e mexe -se com frequência. O ponto  é o que se desejar, mais líquido ou mais expesso, conforme o gosto.
 

14182315_10206633859516244_1997220162_n.jpgCréditos fotogáficos: Natalina Asseceira 

 

Receita com tomate como ingrediente principal, partilhada por Hortense Gonçalves:

 

"SOPA DE TOMATE

 

Sopa de tomate à moda da minha mãe ( come-se em dias mais frescos )

 

 

INGREDIENTES:

Azeite a tapar o fundo do tacho

Batatas

Ovos

2 cebolas cortadas grosseiramente ;

5 a 6 tomates sem pele cortados tb grosseiramente;

1 ramo de salsa pequeno;

pimentão doce pimenta

sal

 

Refoga-se tapado sem deixar queimar a cebola Junta-se água e deixa-se apurar Bate-se com varinha mas não muito Juntam-se 2 batatas médias às rodelas grossas Escalfam-se 2 ovos por pessoa Cortam-se  fatias de pão que se colocam numa saladeira e se escaldam com o caldo já pronto."

 

Foto Hortense.jpg

 Créditos fotogáficos: Hortense Gonçalves

 

Receitas com tomate como ingrediente principal, partilhadas por Eunice Silva:

 

"BERINGELAS RECHEADAS COM CARNE E TOMATE

 

 

INGREDIENTES

2 Beringelas
3 Tomates maduros
1 Cebola
2 Dentes de Alho
2 Colheres de sopa de Azeite
300 gr. Carne picada
Sal e pimenta q.b.
1 Colher sopa de salsa picada


PREPARAÇÃO

Lave bem as beringelas e corte-as ao meio no sentido do comprimento. Com a ajuda de uma colher ,escave o interior da beringela sem rasgar a casca. Pique a polpa da beringela em pequenos pedaços  , assim como a cebola e alho. Pele o tomate , retire as sementes e pique-o também em  pequenos pedaços. Leve um tacho ao lume com o azeite e refogue a cebola e o alho. Junte depois a beringela , o tomate e carne picada. Tempere com sal ,pimenta e deixe cozinha 10 minutos . Junte a salsa picada e envolva bem. Recheie as beringelas com este preparado. Se quiser pode colocar por cima queijo ralado.
Coloque-as num tabuleiro e leve ao forno quente (180ºC) durante 30 a 40 minutos, até estar cozinhada."

 

IMG_0027 (2).JPGCréditos fotográficos: Eunice Silva

 

 

 

                                                             "SARDINHAS FRITAS DE TOMATADA


Passar as sardinhas por farinha e fritar em óleo bem quente .

Faz-se uma cebolada com um fio de azeite, cebola em rodelas e alhos picados, tempera-se com sal e um fio de vinagre, junta-se o tomate cortados em pedaços, 1 colher café de açúcar, 1 ramo de manjericão e deixa-se apurar.

Coloca-se este molho por cima das sardinhas e reserva-se até ao dia seguinte."

1235.JPG Créditos fotográficos: Eunice Silva

GASTRONOMIA

 TOMATE

Conforme referido em posts anteriores no âmbito da gastronomia, é meu objetivo  publicar algumas receitas da brochura/opúsculo editada pela Associação para o Estudo e Defesa do Património Cultural e Natural do Concelho de Coruche, em 1993, intitulada “Comeres de Coruche”.

Agora publico uma receita de sopa de tomate, contudo, vou colocar alguma informação associada ao tomate e contextualiza-la em terras do Vale do Sorraia, considerando tratar-se de  uma cultura com muita expressão.

FCMC-d-04782_1996.jpgFoto: Arquivo da Câmara Municipal de Coruche (1996)

 

 O Tomate é o fruto do tomateiro - Solanum lycopersicum.

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 Fonte Web

As espécies são originárias das Américas Central e do Sul. A sua utilização como alimentos teve origem no México espalhando-se por todo o mundo depois da colonização das Américas pelos europeus.

Após a colonização espanhola das Américas, o  tomate foi distribuído ao longo de suas colónias no Caribe, foi, igualmente, levada para as Filipinas, de onde se espalhou para o sudeste da Ásia e, em seguida, todo o continente asiático. O tomate desenvolveu-se facilmente em climas mediterrânicos, o seu e cultivo começou em 1540.

Provavelmente o seu consumo ocorreu logo após ter sido introduzido, e foi certamente  utilizado como alimento no início do século XVII em Espanha. O mais antigo livro com receitas de tomate foi publicado em Nápoles em 1692, embora o autor tinha aparentemente obtido estas receitas a partir de fontes espanholas. Em  Itália, como Florença, no entanto, o tomate foi usado apenas como uma tabletop decoração antes de ser incorporada a cozinha local no final dos anos XVII ou início do século XVIII.

 As plantas crescem tipicamente em altura,  desenvolvendo hastes fracas que se estendem sobre o chão ou trepam . É uma planta perene no seu habitat nativo, embora seja muitas vezes cultivada em climas temperados. Um tomate comum médio pesa cerca de 100 gramas (4 oz).

Características:

O tomateiro é uma planta espermatófita. Trata-se de um frutos, uma vez que é o produto do desenvolvimento do ovário e do óvulo da flor, formando o pericarpo e as sementes, respetivamente, após a fecundação.

O tomate é rico em licopeno e contém vitamina C.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Tomate

 

Existem alguns tipos de tomate, como por exemplo:

Tomate coração de boi;

Tomate xuxa;

Tomate cereja;

Tomate maçã.

 

Relativamente às cores do tomate, para além do vermelho, mais comum, existem outras cores como o amarelo, rosa, branco, verde ou laranja.. Por exemplo, alguns tomates amarelos têm um sabor suave, doce e com baixo teor de ácido.

Fonte:http://www.plantarportugal.org/index.php/horticultura/1167-plantar-tomates.html#sthash.2PFOYiYM.dpuf

 

Como plantar tomate:

Há diversas variedades de tomateiro, com coloração, tamanhos e formatos diferentes. molhos. 
As temperaturas mais indicadas para o cultivo do tomateiro são as noturnas moderadas, entre 15 e 19 ºC, e ,durante o dia, as que se mantêm na faixa de 19 a 24ºC. No entanto, a planta também tem bom desenvolvimento em áreas de clima tropical de altitude – acima de 800 metros –, subtropical e temperado.

As plantas são produzidas a partir de sementes colocadas em células de bandejas de isopor, preenchidas com substrato. Os materiais e produtos utilizados nessa etapa inicial podem ser comprados em lojas especializadas. Faça irrigações diárias nas plantas, sem excesso de água.
Assim que as plnatas contarem com quatro ou cinco folhas ou atingirem de sete a dez centímetros de altura, estão prontas para o transplante. Na escolha do local definitivo, dê preferência a ambientes ensolarados, para que o tomateiro não fique fino e quebradiço. A cultura se dá bem em solos areno-argilosos, permeáveis e bem drenados.

O tomateiro de porte indeterminado precisa ser tutorado para assegurar seu desenvolvimento. Use varas de bambu ou de madeira na medida de dois metros de altura. Ao amarrar os suportes em cada planta, não aperte muito as hastes. Variedades do tipo “meia-estaca” podem ser conduzidas usando estruturas mais simples como os fitilhos, enquanto para processamento industrial as indicadas são as rasteiras, em contato direto com o solo ou sob cobertura vegetal ou plástica. 

Entre plantas, a recomendação é de 50 a 60 centímetros e, entre os sulcos, de um a 1,20 metro. Uma dica para um crescimento mais vigoroso do tomateiro é combinar o cultivo com ervas aromáticas.

O tomate não precisa estar maduro para a colheita, que, em geral, inicia-se de 90 a 100 dias após a realização do transplante. Fora do pé, o fruto ainda continua a amadurecer. 

Fonte: http://revistagloborural.globo.com/Revista/Common/0,,EMI222661-18293,00-COMO+PLANTAR+TOMATES.html

 

Sopa de Tomate

1 kg de Tomate

Um pouco de Azeite

2 fatias de toucinho

2 fatias de toucinho entremeado

4 cebolas

250 g de pão torrado

1 ramo de salsa

1 litro de água

Sal

 

Cortam-se cebolas às rodelas finas e o toucinho em pedaços.

Pelam-se os tomates e tiram-se-lhes as sementes. Coloca-se tudo num tacho com azeite e salsa. Ferve-se  10 a 12 minutos em lume brando. Junta-se a água e o sal, deixa-se ferver.

Depois de pronta serve-se com quadradinhos de pão torrado.

In: “Comeres de Coruche”, Associação para o Estudo e Defesa do Património Cultural e Natural do Concelho de Coruche, 1993, pág. 13