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coruche à mão

preservar memória / criar valor

coruche à mão

preservar memória / criar valor

GASTRONOMIA

ARROZ DOCE

 

A primeira receita enviada, face ao desafio lançado via facebook, foi de Natalina Asseiceira:

 

“Por cada chávena (almoçadeira) e meia de água a ferver leva uma de arroz e  nessa água tem de estar pau de canela, uma pitada de sal e um pouco de manteiga. Pomos 3 litros de leite a ferver à parte com uma casca de limão e depois do arroz estar cozido vai-se deitando a pouco e pouco no arroz. Só no fim do arroz estar bem cozidinho é que leva o açúcar a gosto e por fim dispõe-se em pratinhos ou tigelas polvilhado com canela e enfeitado a gosto.”

Arroz Doce 013.jpgCréditos Fotográficos: Natalina Asseiceira

 

Receita de arroz doce  partilhada por Ana Paiva:

 

“O meu arroz-doce

Houve tempos em que achava que qualquer mistura de arroz, leite e açúcar dava arroz-doce. Depois de conseguir diversas consistências de “argamassa” decidi-me a levar a efeito uma investigação nos diversos livros de culinária que tinha e, após variadas experiências, umas melhores que outras, encontrei uma deliciosa receita de “arroz-doce de cesto”, da Beira Alta, numa recolha feita por Maria de Lourdes Modesto.(1) Fica um arroz-doce muito cremoso, tipo leite-creme. O arroz tem que ser carolino, claro, e o leite tem que ser gordo, de preferência do dia. Ponho casca de limão, o que lhe dá um gostinho especial. Também já aconteceu esquecer-me da casca de limão; então, no fim, juntei raspa de um limão e de uma lima e ficou bom; a lima dá-lhe um toque exótico. Uso canela q.b., já que não sou grande fã… E não, não uso o guardanapo nem o cesto, coloco-o numa travessa normalíssima, larga, para ficar bem espalhado. Com as claras, quando tenho oito, faço um bolo. Vou-as congelando, ficam fresquíssimas…"

 

"Arroz-doce de cesto

2,5dl de água; 1 chávena de café de arroz carolino; 1 pitada de sal; cascas de limão; 1 litro de leite gordo; 4 gemas; 200g de açúcar; canela

Coloca-se a água ao lume e, quando ferver, deita-se o arroz (não lavado), uma pitada de sal e cascas de limão. Quando a água tiver evaporado adiciona-se o leite, de preferência quente, e deixa-se cozer bem. Entretanto, misturam-se as gemas com o açúcar e, fora do lume, juntam-se ao arroz. Leva-se novamente ao lume só para cozer as gemas. Retiram-se as cascas do limão, deita-se numa travessa e polvilha-se com canela."

 

(1) Cozinha tradicional portuguesa, “levantamento do património culinário português” efetuado por Maria de Lourdes Modesto (Lisboa: Verbo, 4.ª ed., 1983, p. 103).”

 

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  Créditos Fotográficos: Ana Paiva

 

 

MADEIRAS - MARCENARIA, CARPINTARIA, RESTAURO

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É curioso que quando falo sobre  marcenaria e carpintaria, em regra, as pessoas têm dificuldade em perceber as diferenças, considerando que ambas utilizam a madeira como matéria-prima. Importa dissociar esta duas atividades: digamos que a primeira permite usar criatividade e a outra tem de ser desenvolvida de forma exata e rigorosa.

 

A saber:

O marceneiro dedica-se quase exclusivamente à produção de móveis, conservação e restauro de objetos decorativos em madeira. O trabalho de um marceneiro é substancialmente artesanal. Importa salientar que, apesar do marceneiro ser um artesão, nos dias hoje é comum usar bastante maquinaria  para desenvolver a sua atividade.

O carpinteiro trabalha essencialmente com  madeira maciça, no seu estado natural. O ofício da carpintaria vem já desde os primórdios da humanidade e abrange desde a construção de carros de tração animal, telhados, cofragens, escadas, portas, soalhos, até obras de muito maior dimensão, por exemplo na construção naval.

 

Fonte: https://www.zaask.pt/blog/qual-a-diferenca-entre-marceneiros-e-carpinteiros/, 2016/02/04

 

 Os últimos marceneiros de Coruche

 

Já são poucos os marceneiros em Coruche. Estão referenciados no livro “Mãos com Alma – artes e ofícios em Coruche”  três dos artesãos que ainda estão no ativo, são eles:

João Manuel de Sousa Manaia

Moisés Oliveira Batista

Joaquim Manuel Marques Hilário

Há relativamente pouco tempo o fotógrafo Hugo Lourenço publicou na sua página de facebook uma foto que me tocou, não só pela plasticidade mas, sobretudo, pela mensagem, a qual confirma que os efeitos da globalização são evidentes. A foto mostra as marcas do tempo, quer ao nível do espaço, do artesão, mas também o facto de a porta estar entreaberta, quase fechada, denota que o fim pode estar próximo...

 

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 Créditos fotográficos: Hugo Lourenço

 

Transcrevo aqui uma nota biográfica do artesão visado:

“João Manuel de Sousa Manaia nasceu em 1937, natural e residente em Coruche. Terminada a escolaridade, João Manaia, aos nove anos de idade, começou a trabalhar na oficina de carpintaria/marcenaria, propriedade do seu pai, Carlos Manaia, e do seu irmão Guilherme Manaia. No início começou com a função de auxiliar, limpava a oficina, mais tarde como aprendiz, até que chegou o momento de desenvolver as suas próprias peças. Tem dedicado grande parte da sua atividade profissional à construção de móveis e restauro. Marcenaria é a profissão da sua vida, desenvolvida ao longo de mais de sessenta anos. À data está no ativo, a funcionar na sua pequena oficina, marcada pelo tempo, na travessa dos Guerreiros – Coruche.”

in, Fatela, Paulo – Mãos com Alma: artes e ofício tradicionais em Coruche, edição Associação  para a Promoção Rural da Charneca Ribatejana, 2014, pág. 20 e 21.

 

No âmbito da carpintaria, e neste primeiro post sobre este assunto, o destaque vai para o  Manuel Marques Hilário, o qual conseguiu realizar o seu sonho: construiu um barco que navega nas águas do Sorraia. O projeto desenvolveu-se entre 2012/2013.

 

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 Fotos: Arquivo Câmara Municipal de Coruche

  

Transcrevo aqui uma nota biográfica do artesão visado:

“Manuel Marques Hilário nasceu em 1934, natural e residente em Coruche. Aos treze anos de idade Manuel Hilário deu início à sua atividade de marceneiro, na oficina de Joaquim da Silva. Mais tarde, já adulto, estabeleceu-se por conta própria, fazendo as mais diversas peças de mobiliário, desde o tradicional ao mais requintado. Dedicou-se, também, ao restauro de móveis. Em 2012/2013 construiu um barco que permite navegar.”

in, Fatela, Paulo – Mãos com Alma: artes e ofício tradicionais em Coruche, edição Associação  para a Promoção Rural da Charneca Ribatejana, 2014, pág. 27.

 

Dinâmica:

Propor a fotografos de Coruche, que registem artesãos e/ou peças no âmbito deste post.

Enviar fotografias para o e-mail: paulo.fatela@sapo.pt, no prazo de um mês, contado a partir da data deste post.

Talvez esta dinâmica dê lugar a uma exposição em espaço fisico.

 

Revisão: Ana Paiva

 

FIOS - LINHO, ALGODÃO, LÃ e OUTROS

TRAJES

 

"O concelho de Coruche, devido à sua grande extensão e riqueza, engloba no seu todo uma diversidade de usos e costumes que são uma mescla dos hábitos e princípios trazidos pelos primitivos colonos oriundos de outras regiões do País a que se dava o nome de Barrões, Béus ou Bimbos. Vinham das zonas da Figueira da Foz, Montemor-o-Velho e outras.

A maneira de vestir era diferente, tanto no homem como na mulher.

O lavrador vestia calça justa, jaqueta e chapéu de abas largas e direitas. O trabalhador rural vestia fato de surrebeco, cinta e barrete preto. Dedicava-se aos trabalhos mais pesados: cava, planta, aduba, trata das vinhas e lagaragem. O campino, ex-libris da lezíria, em dias festivos ou gala, vestia camisa branca de coloreta e frentes bordadas, colete encarnado bordado a preto, calção de veludinho roxo ou azul escuro, meia branca de renda, sapato de prateleira, cinta vermelha e barrete verde.

A mulher vestia ceroulas de ganga azul, apertadas no joelho para poder arregaçar as saias: três das saias, mais rodadas atrás do que à frente, sendo a de cima de chita; uma blusa de quartinhos; avental; lenço e chapéu de mescla, garridamente enfeitado com uma fieira, na qual segurava penas de pavão, fios de contas e pequenos objetos; calçava canos e tamancos, usando sempre um taleigo bordado a ponto de cruz."

 

in: Fatela, Paulo – Mãos com Alma: artes e ofícios tradicionais em Coruche, Associação para a Promoção Rural da Charneca Ribatejana, 2014, p 88.

 

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Chapéu de mescla, garridamente enfeitado com uma fieira, na qual segurava penas de pavão, fios de contas e pequenos objetos

Créditos fotográficos: Carlos Siilva

 

 

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O campino vestia camisa branca de coloreta e frentes bordadas, colete encarnado bordado a preto, calção de veludinho roxo ou azul escuro, meia branca de renda, sapato de prateleira, cinta vermelha e barrete verde.

Créditos fotográficos: Carlos Siilva

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 O trabalhador rural vestia fato de surrebeco, cinta e barrete preto

Créditos fotográficos: Carlos Siilva

FIOS - LINHO, ALGODÃO, LÃ e OUTROS

TRAJES

 Camponesas dos arrozais (1930/40)

 

Fazer a “coisa” de forma empírica, do meu ponto de vista, é tão interessante  como desenvolvê-la com conhecimentos académicos, é também disso que trata este post. Contudo o objetivo primeiro é mostrar os trajes usados pelas mulheres camponesas dos arrozais (1930/40) através de desenhos. As imagens publicitadas neste post são de José Luiz Pereira e mais tarde divulgarei outros de Helena Diogo Claro (mestre em design de comunicação).

Os desenhos de José Luiz Pereira estão publicados no livro “Aqui está Coruche” e foram feitos no âmbito da sensibilidade estética e empírica do autor.

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 A propósito de José Luiz Pereira,  reitero que foi um artesão de mão cheia, está referenciado no livro “Mãos com Alma – artes e ofícios tradicionais em Coruche”. Transcrevo aqui uma nota biográfica:

“José Luiz Pereira nasceu em 1916, em Coruche.

Cedo se viu privado de seus pais. A morte levou-os. Ele e seu irmão João enfrentaram a vida e foram em frente.

O jeito para o desenho manifestou-se cedo e acompanhou-o a vida toda.

Marcenaria, a arte que amou intensamente, aprendeu-a desde muito novo com aquele a quem orgulhosamente chamava Mestre – Luís Marceneiro. Estudou-a e desenvolveu-a.

Foi polivalente na profissão. Quando a oportunidade surgiu aprendeu a dourar com folha de ouro e das suas mãos saíram trabalhos apreciados. O restauro da talha dourada dos altares-mores da Igreja da Misericórdia e Ermida de Nossa Senhora do Castelo, executado pelas suas mãos, enchia-o de orgulho. Dedicou muito do seu tempo a restaurar peças do artesanato local feito em madeira; peças feitas pelos Carpinteiros agrícolas que copiou ou restaurou.

Estudioso de tudo o que lhe chamava a atenção, desde os usos e costumes da região à 'alquimia' dos materiais usados em marcenaria, dedicou algum do seu tempo a divulgar, pelas escolas primárias e ensino médio e junto de quem o procurava, o seu saber.

Publicou um livro sobre usos e costumes de Coruche intitulado “Aqui está Coruche”.

in: Fatela, Paulo – Mãos com Alma: artes e ofícios tradicionais em Coruche, Associação para a Promoção Rural da Charneca Ribatejana, 2014, p. 24.

 

O prefácio do livro “Aqui está Coruche”, da prof.ª Maria Emília Veiga Lopes, da qual ainda tenho memória, é interessante para compreender o autor e o seu livro.

 

“Nas páginas deste livro encontrará o leitor muita da vida vivida pelo autor, no seu dia a dia de criança observadora, que soube guardar para mais tarde a lembrança desses tempos, como se fosse presente.

São páginas escritas e gravadas durante esses anos todos, através da sua sensibilidade e presença constante.

São a expressão do apego e do amor à terra onde nasceu, cresceu e se fez homem, e cultivou como flores as suas recordações.

Palavras simples, sem pretensões, mescladas a cada passo da expressão popular, garrida e quente, arrancada do chão e das gentes, com a ingenuidade das coisas singelas, que o povo sente e diz.

Aqui estão elas, pois, vivas e vividas, num contributo mais para a história da sua terra.

E a história de cada vila, da cada cidade, de cada aldeia, de cada cantinho esquecido, é bom que se escreva e se conheça mais e mais, porque nela estão as raízes de cada um de nós.

Maria Emília Veiga Lopes”

in: Pereira, José Luiz – Aqui está Coruche, Coruche: ed. autor, 1983, p. 7.

Revisão: Ana Paiva

 

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GASTRONOMIA

ARROZ

 (Oryza sativa), planta da família das gramíneas

 

Este é o primeiro post no Coruche à Mão sobre gastronomia. O ponto de partida é o livro “Coruche à mesa e outros manjares”, de José Labaredas, o enfoque vai para o arroz, como produto de excelência do Vale do Sorraia e a proposta de confeção é o tradicional “arroz doce”.

Apesar de não ser apreciador de arroz doce, este remete-me para a minha infância. Quando é confecionado há sempre alguém, sobretudo os mais novos, que se lambuza a rapar o tacho, memórias...

A simplicidade da confeção e o baixo custo da receita fazem desta sobremesa uma delícia desejada por quase todos (eu sou exceção).

Existem diversas receitas, com uma ou outra variante. Aquela que aqui reporto faz parte do receituário do livro “Coruche à mesa e outros manjares”, de José Labaredas.

 

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 Créditos fotográficos: Paulo Fatela 

 

Contudo, e a anteceder a descrição da receita e proposta de dinâmica, importa fazer aqui uma, pequena, contextualização histórica:

O arroz pode ter sido introduzido entre nós pelos árabes, no século VIII. Não são conhecidas notícias da sua cultura antes da formação da nossa nacionalidade nem durante a sua conciliação; o primeiro testemunho surge-nos tardiamente, em 1650, na obra de Frei Francisco Brandão, “Monarquia Lusitana”, em que se afirma já existirem arrozais no reinado de D. Dinis (1279-1325).

O Vale do Sorraia prefigurou-se até ao fim dos anos 70 como a maior reserva orizícola do país.

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 Fotos: Arquivo da Câmara Municipal de Coruche

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Créditos fotográficos: http://www.arrozgarcabranca.pt)

 

Receita:

“2 litros de leite, 1 chávena de chá de arroz, 1 colher de sopa de manteiga, 1 pitada de sal, 150/175g de açúcar, canela e cascas de limão ou laranja.

Num tacho deita-se o leite com uns paus de canela e as cascas de limão ou laranja e uma pitada de sal (que vai espevitar todo o sabor), e deixa-se abrir fervura e ferver um pouco para se impregnar dos sabores da canela e das cascas dos citrinos.

Deita-se depois o arroz, que se vai cozendo em lume muito brando. Quando o arroz estiver quase cozido, deita-se o açúcar e a colher de manteiga. Polvilha-se com canela em pó, depois de vertido nos recipientes.

Nota: No concelho, o arroz-doce confeciona-se da mesma maneira que um pouco por todo o país, não se empregando porém, aqui, gemas de ovo na sua confeção. Nos tempos de carestia, confecionava-se com água e muito pouco leite ou nenhum, pelo que o arroz, pouco depois de estar confecionado, endurecia bastante.”

in Labaredas, José – Coruche à mesa e outros manjares, Lisboa: Assírio e Alvim, 1999, p. 260.

 

A propósito do autor do livro visado transcrevo, aqui, uma nota biográfica:

“Labaredas, José Pinto Ribeiro, nasceu na vila do Couço a 12 de janeiro de 1946 e faleceu a 8 de Abril de 2000, em Lisboa. Paixão é talvez a palavra mais correta para caraterizar todo o empenho empreendido na feitura das suas pesquisas relacionadas com a arte Gastronómica. Desde muito jovem que o teatro, a música, bem como outras atividades de índole cultural, começaram a fazer parte da sua vivência diária, amadurecidas e refinadas posteriormente com a passagem pela vida académica em Coimbra. Grande admirador e entusiasta do tango, chegando inclusive a participar num programa de televisão, na Argentina, com Carlos do Carmo, e na RTP, sobre o referido género musical. Gravou discos de fado, foi colaborador em diversas publicações, destacando-se o Jornal de Letras, foi o principal impulsionador das Jornadas de Gastronomia em Coruche e, para além de outros escritos, deixou a obra sublime Coruche à mesa e outros manjares, que retrata com mestria todo o património gastronómico de um região que lhe serviu de berço.”

in: Escritos e escritores: brochura, Biblioteca Municipal de Coruche

 

Dinâmica:

Partilhar neste post receitas de arroz-doce e fotografias do resultado final.

Eleger o prato de arroz-doce mais criativo.

Enviar para o e-mail: paulo.fatela@sapo.pt, no prazo de um mês, contado a partir da data deste post, as receitas e/ou fotografias desta famosa sobremesa.

Talvez esta dinâmica dê lugar a um encontro coletivo para a devida degustação...

 

Como nota, Coruche; à data tem três das grandes indústrias arrozeiras responsáveis por uma quota significativa do mercado nacional, são elas:

Arrozeiras Mundiarroz, S.A. - marca Cigala;

Atlantic Meals, Industria e Comércio Agro Alimentar, S.A. - marca Ceifeira;

Cecílio – S.A. -  marca Arroz d´Avó.

 

Revisão: Ana Paiva

 

03/02/2016 

 

Atividade nos canteiros de arroz - Vale do Sorraia (1920/40)

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 Fotos: Arquivo Câmara Municipal de Coruche

As fotografias ilustram a atividade nos canteiros de arroz e a vida dura das mulheres camponesas. Trabalhavam de sol a sol e,  para além da atividade laboral  acumulavam com a lida da casa, em exclusividade.

Estas mulheres não viviam, limitavam-se a existir...

 

FIOS - LINHO, ALGODÃO, LÃ e OUTROS

BORDADOS

O bordado é uma expressão de luxo e pode-se dizer que nasceu em grande parte do desejo de introduzir cor em objectos pessoais para serem usados em circunstâncias especiais, em peças de vestuário e para o lar, nomeadamente toalhas

Os bordados inspiram-se, pois em motivos quotidianos tradicionais e alguns elementos geométricos de interligação. Claro que há a interpretação pessoal da bordadeira dos seus sentimentos resultando daí alguns desenhos que são por ela criados de improviso em pontos como o "ponto cadeia", "ponto pé de flor", ponto grilhão", "ponto de cruz", entre outros.

 

Ponto- de- Cruz

De entre os vários pontos de bordados manuais tradicionais entre nós, o ponto de cruz é sem dúvida o ponto eleito, praticamente o exclusivo na decoração dos mapas/mostruários no século XIX.

Trata-se de um ponto em toda a Europa desde épocas remotas, de características geométricas, bastando cortar os fios para obter a execução perfeita. Não necessitando de grande tempo de aprendizagem nem de prática intensa, tornando-se acessível, mesmo àqueles que o tempo é escasso e não sobra para esmeros.

Em certas zonas  do país também é conhecido pelo ponto de marca, em várias terras do norte de Portugal. 

A par do ponto pé de flor era o ponto de iniciação à arte de bordar praticado por gerações de raparigas, ensinadas pelas mulheres mais velhas do agregado familiar.

in: Fatela, Paulo - Mãos com Alma, 2014como-fazer-ponto-cruz-1.jpg

Maria Marques, Docelina Cardoso, Manuela Paulos, Manuela Mesquita e Marlene Pereira são algumas das bordadeiras cuja sua vida profissional ou actividade paralela se desenvolve ou desenvolveu no âmbito dos bordados em ponto de cruz.

Manuela Mesquita tem um atelier de bordados, aberto ao público, centro comercial Horta da Nora - Rua de Olivença - Coruche.

Marlene Pereira é proprietária de uma retrosaria "Tradição da Vila" - Rua de S. Pedro - Coruche.

Maria Marques, faleceu.

Docelina Cardoso é utente do Centro de Dia da Fajarda.

Manuela Paulos deixou o seu hobby,  por dificuldades de visão.

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Créditos fotográficos: Paulo Fatela

È minha intensão publicar neste fórum um passo-a-passo de um bordado a ponto de cruz, numa peça com características tradicionais de Coruche. 

 

07/01/2016

 

Bordado de ponto de cruz / passo- a -passo

 

 Antes de bordar

Corte 40 a 45 cm de linha. Para saber quantos fios de linha usar, faça a relação: quanto mais quadradinhos a trama tiver por centímetro, menos fios são necessários. Entre com a agulha no direito do tecido, deixando uma ponta de 1 cm no avesso para prender nos pontos seguintes.

 

Como saber se o motivo vai caber no tecido?

Descubra o tamanho do gráfico em centímetros: divida o número de pontos do gráfico (largura e altura) pela quantidade de quadradinhos que tem 1 centímetro de tecido. Use uma régua para contar: gráfico de 20x40 pontos, bordado em quadrilé de 4 pontos por centímetro. 20:4=5 cm (largura) e 40:4= 10 cm (altura).

 

Carreira de ida

Entre um quadradinho acima e à direita e saia abaixo. Repita a operação até acabar a carreira da mesma cor.

 

Carreira de volta

Entre um quadradinho acima e à esquerda e saia abaixo. Volte completando os pontos da mesma cor.

 

Subida

Antes de completar a carreira, saia um quadrado acima. Entre com a agulha no quadrado inferior à esquerda e faça quantos pontos desejar. Volte completando a carreira superior e, no último ponto, saia um quadrado abaixo.

Complete a carreira inferior.

 

Descida

Depois de terminar uma carreira, saia com a agulha um quadrado abaixo. Verticalmente. Faça outra carreira com pontos de ida e volta.

 

Remate de avesso perfeito

Saia com a agulha no avesso e passe pelos últimos 5 pontos, por baixo e por cima. Não dê nós, para o avesso ficar limpo. Outra sugestão: passe a linha pelos últimos 5 pontos na parte da frente do bordado.

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QUADRILÉ

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    BASTIADOR

 

11/01/2016

 

Preparação do projeto...

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 Créditos Fotográficos: Paulo Fatela

A partir do bordado de ponto-de-cruz, primeira situação visada no “Coruche à Mão” e igualmente referenciada no livro “Mãos com Alma – artes e ofícios tradicionais em Coruche”, é intenção criar alguma dinâmica, em contexto virtual e/ou presencial, no sentido de preservar a tradição, reinventando-a.

Em 08/01/2016, via facebook, desafiei algumas amigas de Coruche, ou com ligação a Coruche, a colaborarem num projeto, sendo que não informei do âmbito deste.

A maioria das “notificadas” correspondeu à “provocação”, pelo que importa agora comunicar:

produzir peças úteis e/ou decorativas (t-shirts, malas, sacos, aventais, vestidos, camisas, capas para tablets, almofadas, taleigos, etc.) bordadas a ponto-de-cruz, com desenhos da minha autoria (iconografia de Coruche).

Quem tiver dificuldades poderá recorrer à Internet e/ou pedir esclarecimentos a outros; não esquecer que Manuela Mesquita, proprietária de um atelier de bordados – centro comercial Horta da Nora, na Rua de Olivença, Coruche –, entendida na matéria, estará disponível para esclarecer dúvidas e, no Coruche à Mão, há um passo-a-passo.

O prazo de execução será de três meses, contados a partir da publicação dos desenhos.

Terminadas as peças, deverão ser enviadas fotos para o e-mail: paulo.fatela@sapo.pt ou entregues pessoalmente, no sentido de serem publicadas no Coruche à Mão (uma vez na Internet, para sempre na Internet). A médio prazo as peças poderão integrar uma exposição com conteúdos do Coruche à Mão, em espaço físico.

É intenção, no processo de produção, efetuar alguns registos de imagens (fotografia e vídeo) e depoimentos, no sentido de recolher o “saber-fazer...”

MÃOS à obra minhas amigas, vamos manter vivo em Coruche o bordado de ponto-de-cruz, património que nos foi legado há séculos...

 

Como nota final gostaria de referir que, por mero acaso, vi um programa de TV (RTP2) que referenciava o ponto-de-cruz como um bordado esteticamente muito interessante e que acrescenta valor (produzido manualmente) às peças de criativos de vestuário (alta costura) e assessórios, nomeadamente a dupla Dolce & Gabbana.

 

Alguns exemplos:

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 Fotos - Fonte WEB

 

O 1º projeto  consiste numa coruja estilizada, elemento iconográfico de Coruche. A imagem já foi pintada por mim s/ vários materiais, agora é objetivo partilha-la por forma  a ser bordada em ponto-de-cruz.

O  gráfico foi desenhado à mão.

O cromático:

azul (Coruche);

azul (claro);

branco;

preto;

amarelo (ocre). 

O gráfico será enviado via facebook (msg privada).

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Créditos Fotográficos: Paulo Fatela

Mãos à obra... E não se esqueçam que temos por objetivo perservar memória ...

 

20/01/2016

 

O gráfico projetado à mão, deu lugar a um desenho técnico.  

 

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Desafio confirmado por:

Ana Maria Ribeiro; Ana Paiva; Clara Palminha; Clotilde Fatela; Carlota Branco; Docelina Cardoso; Eunice Silva; Fátima Esteves; Guilhermina Simões; Laura Vicente; Luísa Portugal; Luísa Serrão; Lurdes Martinho; Manuela Machado; Manuela Mesquita; Mariana Neves; Rosa Lagriminha; Tânia Prates; Vânia Cardoso.

 

Mãos à obra... E não se esqueçam que temos por objetivo perservar memória ...

 

 

25/01/2016

 

A propósito do fio de algodão utilizado no bordado de ponto-de-cruz:

 

ALGODÃO

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Fonte:  http://www.bolsademulher.com/medicina-alternativa/1934

 

O algodão provém de uma planta denominada algodoeiro. Conforme a variedade, pode ser uma árvore ou um arbusto, com folhas alternadas e que dão folhas amarelas ou vermelhas. A qualidade do algodão varia de acordo com o tipo de algodoeiro, pois umas variedades fornecem fibras mais compridas que outras.

O algodão é colhido quando os frutos amadurecerem e as cápsulas que envolvem as sementes se abrem, podendo então ser retirada a matéria fibrosa constituida de pelos que revestem as sementes.

Estas fibras brutas passam, como a lã, por uma série de operações preparatórias antes de serem transformadas em fios.

Fonte:Kippci, àquila - O algodão

http://tecelagemmanual.com.br/algodão.htm

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Fonte: http://www.bolsademulher.com/medicina-alternativa/1934 

Justificação

Coruche à Mão é um blog onde pretendo abordar assuntos associados às artes e ofícios tradicionais em Coruche, que nos reportam para atividades do passado, mas que podem e devem alavancar o presente e o futuro.

Os posts terão como premissas alguns livros de autores de Coruche e/ou com ligação a Coruche, nomeadamente:

“Mãos com Alma – artes e ofícios tradicionais em Coruche”  -  Paulo Fatela

“A Madeira em Coruche” - João Cravidão

“Comeres de Coruche” - Associação de Defesa do Património de Coruche

“Coruche à Mesa e outros Manjares” - José Labaredas

Objetivos:

Registar o “saber fazer...”;

Noticiar eventos, relevantes à divulgação e promoção das artes e ofícios em Coruche;

Criar dinâmicas virtuamente e/ou  presencialmente;

O ponto de partida será o livro “Mãos com Alma – artes e ofícios tradicionais de Coruche”, cujo lançamento aconteceu em 01/02/2014 e que deu lugar, igualmente, a uma exposição na galeria municipal, com a mesma nomenclatura.

 Algumas fotos da apresentação do livro Mãos com Alma e abertura da exposição com o mesmo nome:

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Fotografias: Arquivo Municipal da Câmara Municipal de Coruche 

 

Mãos com Alma é um livro em que esteve subjacente a inventariação de artesãos / artífices, desde finais do séc. XIX até  à  atualidade, reportando  notas biográficas dos visados, curiosidades sobre a temática e registos fotográficos que resultaram da colaboração de sete fotógrafos,  na dicotomia da arte pela arte.

 

O 1º post sobre a matéria que me proponho desenvolver, acontecerá em Janeiro de 2016.

Até breve.

Paulo Fatela