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coruche à mão

preservar memória / criar valor

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FIBRAS VEGETAIS - CESTARIA, EMPALHAMENTOS

Ainda sem folego para produzir novos posts, considerando o projeto que desenvolvi no âmbito das "Envolvências Locais / 2017" integrado na Bienal de Artes Plásticas - Percursos com Arte. Contudo publico aqui os textos de enquandramento da intervenção artística "Entre Pontes", os quais foram adaptados pela minha colega Ana Paiva e que fazem sentido, também, na sequência do post sobre fibras vegetais divulgado em 03/04/2016.

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 O RIO SORRAIA

O Sorraia é um rio singular. Não nasce. Forma-se. É resultado da junção, perto do Couço, das ribeiras de Sor e da Raia, no sítio chamado de Entre-Águas. Tem aproximadamente 60 quilómetros de extensão e atravessa, de nascente para poente, o concelho de Coruche; desagua na Ponta d’Erva, para lá de Samora Correia, sendo um dos mais importantes afluentes do Tejo.

 

A Obra de Rega do Vale do Sorraia, concluída em 1959, possibilita o aproveitamento da água armazenada nas barragens de Maranhão e de Montargil e a respetiva distribuição através de estações elevatórias e de canais de rega. Representa a mais importante mudança ao nível da exploração agrícola do vale. As culturas de sequeiro passaram para segundo plano, sendo desde então exploradas as culturas de regadio, onde predomina o milho, o arroz e o tomate.

 O RIO NA HISTÓRIA

A utilização do rio como eixo de comunicação privilegiado remonta à Pré-História, sendo de realçar, ao período de ocupação romana, a existência de um povoamento concentrado ao longo do vale. Ao período dos Descobrimentos deverão remontar as jangadas usadas para dirigir a madeira flutuante rio abaixo, até à foz do Tejo, matéria-prima fundamental para a indústria de construção naval. O escoamento dos produtos agrícolas e a circulação de mercadorias fez-se, durante séculos, através do rio Sorraia. No século XVIII a navegabilidade do Sorraia está comprovada durante todo o ano por bateiras até aos rápidos do Furadouro. Já para os finais do século XIX, inícios do XX, é confirmada pela subida das fragatas até ao Couço. Em meados do século XX, devido ao assoreamento, já só era navegável por pequenos barcos de pescadores locais.

 Era comum ver as lavadeiras a lavar a roupa na água corrente do rio, esfregando-a com sabão na “trapeça”.

Lavadeiras do rio Sorraia junto à ponte do caminh

Lavadeiras junto à ponte do caminho de ferro. Coruche, séc. xx (MMC/EM)

 

Apenas no registo toponímico e documentação antiga subsiste a memória de alguns portos fluviais outrora existentes nas margens do Sorraia: o Porto João Felício, o Porto João Ferreira, a Travessa do Porto Zambado. Ainda o Porto de Évora e o Porto da Palhota eram mencionados em documentos.

  

PONTES - PASSAGEM ENTRE MARGENS

A fixação e importância da passagem do vale do Sorraia frente a Coruche deveu-se, seguramente, à existência do castelo no alto do monte. Consequentemente, mesmo depois do seu desaparecimento, a vila foi-se munindo de todo o equipamento de passagem (pontes e barca) e de acomodamento para apoio dos viajantes e da realeza.

A par da existência de uma barca de passagem sobre o rio Sorraia, uma ou mais pontes de madeira terão sido construídas pelos habitantes de Coruche, com o apoio dos monarcas. Também com o apoio da coroa foi (re)construída em tijolo, no ano de 1828, a Ponte da Coroa.

A persistência de pontes de madeira e de barca de passagem foram uma constante ainda durante o século XX, seja em Coruche, até à inauguração da ponte General Teófilo da Trindade, seja no Couço, até à construção da ponte de betão, onde a barca de Joaquim Casanova do Couço substituiu, por altura das cheias, a ponte de madeira.

No século XXI, em 2012, o açude-ponte pedonal veio assegurar a ligação entre as duas margens, promovendo uma maior aproximação física e afetiva dos coruchenses ao rio e incentivando a um estilo de vida mais saudável com a criação de uma rede de percursos pedestres. Também melhorou as condições de migração dos peixes, através da incorporação de um dispositivo de passagem.

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Ponte da Coroa. Coruche, anos 1960 (MMC/CMC)

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Barca de passagem. Couço. séc. XX (MMC/JC)

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Presidente Óscar Camona inaugura a ponte Teófilo da Trindade. Coruche, 1930 (MMC/HB)

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Açúde - ponte sobre o rio Sorraia. Coruche - 2012 (MMC/TP)

 

O RIO E AS CHEIAS

As cheias acompanham toda a história de Coruche. Durante largos séculos puseram em causa a passagem do vale, dada a recorrente destruição das pontes, deixando atrás de si áreas pantanosas e braços mortos de rio que importava transpor. No entanto, é inquestionável a sua forte ação benéfica ao nível da fertilidade dos solos, em proveito da prática agrícola.

As barragens de Maranhão (1957) e Montargil (1958), ainda que sendo duas obras de grande importância do ponto de vista agrícola, não vieram anular a questão das cheias em Coruche, ainda que contribuíssem para a sua menor frequência.

Ainda em fevereiro de 1978 uma cheia provocou a inundação de toda a planície e invadiu a parte baixa da vila de Coruche, atingindo a cota de 18,35m. No entanto, estas imagens fazem parte do passado. A grande obra do emissário e dique de proteção à vila, bem como o intercetor de cintura e os novos coletores de águas pluviais, vieram evitar que as cheias invadissem as ruas de Coruche. 

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Cheias na Rua de Santarém - Coruche. séc XX (MMC/JOS)

 

 FLORA E FAUNA DO RIO

O rio Sorraia, ao longo do seu traçado, é acompanhado por um diversificado ecossistema, que tipifica as características de uma zona ribeirinha. A acompanhá-lo estão amplas áreas agrícolas que interferem significativamente no seu equilíbrio ecológico.

As suas margens foram já dominadas por salgueiros, freixos e choupos. Atualmente resistem exemplares de choupais e salgueirais, acompanhados por tímidas comunidades de caniços e juncais.

O Sorraia é um importante corredor ecológico de fauna, em particular de avifauna. Destaca-se o facto da lontra ainda utilizar este corredor para as suas migrações anuais, que efetua ao longo das linhas de água, deslocando-se para o interior do país, onde se alimenta e reproduz.

Possuindo uma biodiversidade rica e variada, o vale do Sorraia é fértil em espécies de aves, tanto residentes todo o ano como migratórias. Assim, podem-se destacar, entre muitas outras, a cegonha-branca, o peneireiro-cinzento, a tarambola-dourada, o abibe-comum, o abelharuco-comum, a alvéola-branca e a coruja-das-torres. Nas suas margens muitas espécies residentes encontram na vegetação nidificação, onde se pode observar o pato-real, a garça-branca e a garça-real, o rouxinol-pequeno-dos-caniços, a galinha-de-água, o mocho-galego, o guarda-rios, o cartaxo-comum, o pintarroxo-comum ou o trigueirão.

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Alvéola-branca (MMC/AP)

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Patos-reais (MMC/AP)

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Garça-boeira (MMC/AP)

 

OS PEIXES E A PESCA DO RIO

O leito do rio Sorraia foi fértil em cardumes de fataças, sáveis e lampreia, assim como barbos, bogas, bordalos, enguias, pardelhas, camarão de água doce, pimpões e sarmões. Hoje pode encontrar-se barbo, carpa e tainha-fataça.

Os pescadores, utilizando uma bateira, empregavam nas suas pescarias vários instrumentos, de entre os quais as redes fixas, como a nassa e o tresmalho, e as redes móveis. A nassa, constituída por arcos e de forma cónica, era utilizada sobretudo na pesca da enguia. Os pescadores fixavam-na no fundo do rio, em locais pouco profundos e onde a água era de corrente forte. O tresmalho, por seu lado, era utilizado na apanha do peixe mais pequeno. Era composto por três panos de rede retangular sobrepostos, sendo os panos exteriores de malhagem mais larga e o do meio de malhagem mais apertada.

As redes móveis, atingindo algumas delas até cinquenta metros de comprimento, eram colocadas de modo a cercar o peixe, sendo depois arrastadas para a margem. As redes de malha mais larga eram utilizadas na pesca do sável, pois era o peixe que atingia as maiores dimensões.

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António Ramusga a reparar uma rede. Coruche. 2006 (MMC)

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O "Figuras" com um barbo pescado no rio Sorraia. Coruche (MMC/TF) 

 

O RIO E OS PESCADORES

Apesar de não ter grande tradição no concelho de Coruche, a atividade piscícola sempre existiu e foi até há cerca de cinquenta anos o sustento de várias famílias não se podendo referir a existência de uma comunidade piscatória. Na vila podiam encontrar-se os Tanoeiros e os Robertos, naturais de Coruche, e os Ramusgas, vindos da Praia de Vieira.

Embora em alguns casos se dedicassem exclusivamente à pesca, havia pescadores que trabalhavam também a terra, praticavam a caça e tinham mesmo outras atividades como a tanoaria. As mulheres tornaram-se conhecidas por venderem o peixe, dando visibilidade ao vestuário fortemente marcado pelas características da Beira Litoral.

Durante o inverno as sucessivas cheias tornavam difícil a prática da pesca no rio, pelo que alguns pescadores ganhavam a vida mais com o transporte de pessoas entre as margens do que propriamente com a pesca.

O sável e a lampreia, abundantes no início do século XX, já não existem, mas é frequente verem-se os pescadores desportivos, ora aos fins de semana de cana às costas ora marcando presença em campeonatos, que passaram a fazer do Sorraia ponto de referência a nível nacional e internacional.

As pistas de pesca do rio Sorraia na frente ribeirinha de Coruche e em Santa Justa (Couço), consideradas das melhores a nível mundial, apresentam excelentes condições para a prática da pesca desportiva, fruto das características do espelho de água e da sua riqueza piscícola.

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Pesca desportiva feminina no rio Sorraia, na zona das Baleias - Coruche. século XX (MMCMNC)

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Pescadores colocando as nassas no rio Sorraia. Coruche. anos 1950 (MMC/HB)

 

 

 

 

ADAPTAÇÃO DE TEXTOS

Ana Paiva

TEXTOS ADAPTADOS

Galhardo, Fátima; Carvalho, José Alberto Lima; Calais, Cristina; Batalha, Luís – Vagas leves, rostos do rio: catálogo, Coruche: Câmara Municipal/Museu Municipal, 2003. Coruche Magazine n. 38, jan./fev. 2010; Coruche Magazine n. 47, jan./abr. 2012; Bento, Heraldo – O rio Sorraia e Coruche, Coruche: Câmara Municipal, 1996; Pena, António – Um roteiro natural do concelho: Coruche, Coruche: Câmara Municipal, 2002; Coruche inspira 2017

 

 

 

Bienal de Artes Plásticas - Percursos com Arte - 2017- Envolvências Locais

MURAL de pintura coletiva

  

Local: Avª Luís de Camões (entre o Mira Rio e o Museu)

  

Partilhar foi o mote deste projeto 

 

"Numa base previamente definida, considerando a localização do mural, duas premissas levaram ao desenvolvimento gráfico da peça: Património natural com os peixes associados ao nosso rio Sorraia e património edificado presente na azulejaria do casario existente no centro histórico da Vila de Coruche.

A opção cromática não surge de forma espontânea, as cores eleitas são o verde (esperança), o amarelo (anárquico/marginal) em contraponto com o branco (paz) e o negro, por mais que não queiramos está sempre, sempre presente...

 

Não obstante tratar-se de uma obra de caráter efémero está subjacente ao projeto o registo pictórico de várias mãos. Grupos heterogéneos que de forma coordenada irão durante o evento – Bienal de Coruche – Percursos com Arte dar corpo e cor ao projeto.

 

Paulo Fatela"

 

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Projeto / simulação

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 Produção: Paulo Fatela; Manuela Fonseca; Equipa de pintores da DOEM/CMC (José Rosado e Joaquim José)

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Produção base finalizada

 

Work in progress

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Produção de áreas de pintura: Margarida Vicente 

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Produção de áreas de pintura: Laura Vicente e Eva Mendes

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Produção de áreas de pintura: Lourdes Oliveira e Clotilde Fatela

23584611_1701233643242928_1579683823_n.jpgProdução de áreas de pintura: Manuela Fonseca

23584762_1701236319909327_1269796176_n.jpgProdução de áreas de pintura: Ana Paiva

23602022_1701229979909961_1256233934_n.jpgProdução de áreas de pintura: Luís Marques

23602174_1701231023243190_465322131_n.jpgProdução de áreas de pintura: Fernando Marques

23602224_1701231933243099_1390458291_n.jpgProdução de áreas de pintura: Maria Lubélia Raposo

23619153_1701231506576475_183296434_n.jpgProdução de áreas de pintura: Ana Maria Marques

23634840_1701232243243068_373389219_n.jpgProdução de áreas de pintura: Maria do Carmo Alves

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Produção de áreas de pintura: Margarida Esteves

23635559_1701234026576223_542882592_n.jpgProdução de áreas de pintura:Márcia Branco e Carlota Fonseca

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Produção de áreas de pintura:Margarida Marques 

 

 

23574434_1701235736576052_697683655_n.jpg Work in progress

22309068_10155058961616313_5527841494819213311_n.jPeça finalizada

 

Participantes:

Ana Maria Marques

Maria Lubélia Raposo

Margarida Marques

Helena Diogo

Dulce Patarra

Luís Marques

Ana Paiva

Fernando Marques

Manuela Fonseca

Manuel Casa Branca

Clotilde Fatela

Lourdes Oliveira

Marlene Pereira

Margarida Vicente

Laura Vicente

Eva Mendes

Márcia Branco

Carlota Fonseca

Maria do Carmo Alves

Beatriz Pereira

Margarida Esteves

Maria João Lima

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Documentário "Ponto da avó" de Mariana Frieza

Após alguns meses  sem publicações, face ao desenvolvimento do projeto Envolvências Locais, integrado na Bienal de Artes Plásticas - Percursos com Arte de Coruche / 2017. Hoje partilho o link de um video "Ponto da avó", no âmbito da prova de aptidão profissional de Mariana Frieza, finalista de um curso profissional de multimédia: O meu blog Coruche à Mão foi permissa para o seu projeto, foi um prazer não obstante ter acontecido numa fase de imenso trabalho.

Obrigado Mariana :

https://www.youtube.com/watch?v=KBwBlxMf1os

FIOS - LINHO, ALGODÃO, LÃ e OUTROS

TRAPOLOGIA

O conceito de trapologia é conhecido internacionalmente como “Patchwork”. São muitos os artesãos que produzem almofadas, sacos, colchas e muitas outras peças úteis e/ou decorativas, utilizando a técnica de cozer retalhos de tecidos, sendo que para além de ser uma tarefa que exige muita paciência, também o produto final terá impacto se houver a adequada conjugação das texturas dos tecidos e das cores.

Há várias artesãs em Coruche, no âmbito da trapologia, neste primeiro post sobre esta temática é referênciada Emília Ferreira.

 

  Esquisso biográfico

Maria Emília de Brito Rodrigues Ferreira

(Emília Ferreira)

Maria Emília de Brito Rodrigues Ferreira nasceu em 1960, em Coruche.

Aos catorze anos de idade começou a fazer as primeiras peças em trapologia; para o efeito comprava alguns tecidos e outros eram oferecidos. O seu contato com os “trapos” surgiu muito cedo, ou seja, deixou a escola primária e foi aprender costura. Após alguns anos de aprendizagem foi trabalhar para uma loja onde desenvolvia atividade não só de atendimento ao balcão, mas também, muito do seu tempo era dedicado aos bordados, visto tratar-se de uma loja de venda de enxovais.

Em 1997, aquando das primeiras mostras de artesanato no âmbitos das festas em honra de Nª Srª dos Castelo foi-lhe lançado o desafio de expor peças em trapologia.

Desde esse período que desenvolve atividade de artesã, como hobbie.

Em 2002, a convite de Paulo Fatela, integrou um grupo de pessoas interessadas em artesanato, tendo assim sido um dos membros fundadores da CORART – Associação de Artesanato de Coruche.

As peças que produz são diversas: taleigos, tapetes, mochilas, etc, utilizando chitas e tecidos de algodão de preferência coloridos, e também a designada chita da terra, como forma de contribuir para a preservação deste material caraterístico de Coruche.”

Fontes:

Fatela, Paulo – Mão com Alma, artes e ofícios tradicionais em Coruche, edição Associação da Charneca Ribatejana, 2014, pág. 29 e 71.

 

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Designação: Almofada

Material: Vários tecidos de algodão

Dimensão: 0,35m x 0,35m

Créditos fotográficos: José Fatela

2.tif

Designação: Taleigo

Material: Vários tecidos de algodão

Dimensão: 0,30m x 0,36m

Créditos fotográficos: José Fatela

3.tif

Designação: Saco

Material: Vários tecidos de algodão e chita da terra

Dimensão: 0,34m x 0,27m

Créditos fotográficos: José Fatela

4.tif

Designação: Colcha

Material: Vários tecidos de algodão e fita de seda

Dimensão: 2,00m x 1,75m

Créditos fotográficos: José Fatela

MATERIAIS NATURAIS - COMPOSIÇÕES, PEÇAS ÚTEIS, PIROGRAVURA, VELAS

Composições

 

Arte Naif

Arte naif, genericamente é designada como arte produzida por artistas sem preparação académica. Arte naif ou arte primitiva moderna, carateriza-se, em termos gerais pela simplicidade, as formas desajeitadas como se relacionam determinadas qualidades formais; dificuldades no desenho e no uso da perpestiva que resultam numa beleza desiquilibrada mas, por vezes bastante sugestiva, uso frequente de padrões e cores primárias, simplicidade no lugar da subtileza, etc.

 

A arte de Bernnardino de Oliveira Esgueira, reúnio todas as cracteristicas que define a arte naif de todas as outras, curiosamente, as suas produções resultaram de colagem de diversos materiais naturais, nomeadamente os pigmentos que utilizava para colorir eram preparados por ele.

 

Nota biográfica:

Bernadino Esgueira nasceu em 1921, na aldeia da Lamarosa - Coruche. 

Desde os quinze anos de idade que se dedicou ao artesanato, nomeadamente aos embalsamentos. Mais tarde enveredou por uma outra vertente, as composições (colagem de materiais naturais) dos quais resultaram quadros figurativos, na sua maioria a nossa realidade rural. Nunca comercializou as suas peças. Somente expôs uma vez para o público em geral, aconteceu no âmbito da CORART- Associação de Artesanato de Coruche, em 2014.

As suas obras estiveram sempre num "anexo" à sua habitação, onde permanecem até hoje, são propriedade dos seus familiares, considerando que Barnardino Esgueira faleceu há cerca de dez anos. 

Fonte: Fatela, Paulo – Mão com Alma, artes e ofícios tradicionais em Coruche, edição Associação da Charneca Ribatejana, 2014, pàgs 15 e 243

 

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 Autor: Bernardino Esgueira

Titulo: Lago dos cisnes

Designação: Quadro

Materiais: Areias; cola e tintas

Dimnsão: 0.49m x 0,39m

Créditos fotográficos: Paulo Fatela

 

GASTRONOMIA

 

“Sorraia. Nome de rio. Se hoje a ele arribassem cardumes mananciosos de sáveis de outros tempos, logo lhes aproveitaríamos as ovas opulentas que, incorporadas em açorda iriam, rescendentes à mesa…”

 

Caldeirada de Sável

 

Ingredientes:

Cebola

Alho

Pimento doce

Louro

Salsa

Batatas

Sável

Vinagre

Pão

 

Um bom refogado de cebola, alho, pimentão doce, loro e salsa.

Depois de bem apurado sem deixar escurecer, junta-se água suficiente para a sopa. Juntando batatas cortadas às rodelas, deixando abrir fervura para juntar a cabeça do sável, as ovas, o rabo e mais uma ou duas postas a seguir ao rabo. Leva também um pouco de vinagre.

Depois de bem apurado, devagarinho, escaldam-se fatias de pão duro.

In: “Comeres de Coruche”, Associação para o Estudo e Defesa do Património Cultural e Natural do Concelho de Coruche, 1993, pág. 14 e 15

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Alguns dos ingredientes que entram na caldeirada de sável

Créditos fotográficos: Paulo Fatela

 

Chegaram fotos, cortesia do meu amigo José António Martins, relativamente a peixes de água doce, no caso pescados no nosso rio Sorraia e açude do Monte da Barca.

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Peixe Gato

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 Pimpão

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 Barbo

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 Ablete

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Achigã

Cortesia de Fábio Leiria:

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 Achigã

 

 

 

FIGURADO E OUTROS

Este post visa reportar alguns artesão que desenvolveram e/ou desenvolvem figurado com os mais diversos materiais.

 

Joaquim David Ferreira (Joaquim Ferreira)

Joaquim Ferreira nasceu em 1925, em Coruche.

As miniaturas que executou surgiram entre finais dos anos 80 e meados dos anos 90. Joaquim foi trabalhador rural durante a vida ativa. Quando se reformou, no final dos anos 80 dedicou-se à produção de miniaturas. Os materiais eram em madeira e cortiça; Custódia (esposa) apanhava na estrada essas matérias primas. As miniaturas foram totalmente construídas por Joaquim sendo que Custódia apenas ajudava em algumas pinturas que exigiam maior promenor. O autor ter-se-á inspirado nas suas vivências com especial incidência no seu trabalho, da habitação, da comensalidade e do lazer; cenas de carácter tauromáquico; aspetos da fauna. Não trabalhava sob encomenda, nem as raras vendas destas miniaturas se traduziam num complemento à reforma; fazia-as para passar o tempo. Ainda participou numa exposição na Praça da Liberdade, em Coruche, e, por diversas vezes, as exibiu à porta do Mercado Municipal.

Algumas peças de Joaquim fazem parte do acervo do Museu Municipal de Coruche.

Fonte: Fatela, Paulo – Mão com Alma, artes e ofícios tradicionais em Coruche, edição Associação da Charneca Ribatejana, 2014, pàg 21

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 Autor: Joaquim Ferreira

Material: Madeira e cortiça

Dmensão: alt 0.20m, larg: 0.19m

Créditos fotográficos: Carlos Silva

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Autor: Joaquim Ferreira

Material: Madeira e cortiça

Dimensão: alt 0.22m, larg: 0.18m

Créditos fotográficos: Carlos Silva

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Autor: Joaquim Ferreira

Material: Madeira e cortiça

Dimensão: alt 0.20m, larg: 0.20m

Créditos fotográficos: Carlos Silva

 

FIOS - LINHO, ALGODÃO, LÃ e OUTROS

Há algumas bordadeiras em Coruche que desenvolveram e desenvolvem diversas peças com bainhas abertas, hoje ilustro a referência a este trabalho artesanal com peças da artesã Loudes Sousa.

 

Bainhas abertas

As bainhas abertas constituem um trabalho em que se retiram fios ao tecido.

Há que referira a existência de dois pontos: o ponto a direito e o ponto cruzado. Com estas designações pretende-se colocar em evidência o facto de no ponto a direito se manipularem conjuntos de fios que são os mesmos que correm de cima a baixo do trabalho. No ponto cruzado, tal não acontece e o trabalho parece feito em viés ou na diagonal, conforme é referido por algumas bordadeira.

As bainhas abertas constituem uma técnica, que sobretudo valoriza toalhas e lençóis, embora desde sempre, tenha sido usada num contexto decorativo mais amplo. De há algum tempo a esta parte têm tido diversas aplicabilidades, nomeadamente em peças como cortinas ou cortinados.

Fonte: Fatela, Paulo – Mão com Alma, artes e ofícios tradicionais em Coruche, edição Associação da Charneca Ribatejana, 2014, pág 57

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Bordadeira:Lourdes Sousa

Designação: Naperon

Bainhas abertas 

Dimensão: 1.10m x 0,65m

Créditos fotográficos: Hélder Roque

 

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Bordadeira: Lourdes Sousa

Designação: Toalha de rosto

Bainhas abertas 

Dimensão: 1,50m x 0,77m

Créditos fotográficos: Hélder Roque

 

 

BALANÇO 2016

1º aniversário do blog Coruche à mão!!!

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Em jeito de balanço

Foram publicados 68 posts sobre:

MADEIRAS - Marcenaria, carpintaria, restauro;

FIOS - Linho, algodão, lã e outros;

GASTRONOMIA;

PATRIMÓNIO EIFICADO;

INOVAÇÃO;

FIBRAS VEGETAIS; Cestaria, empalhamentos; 

REPRESENTAÇÕES PICTÓRICAS;

REGISTOS RELIGIOSOS;

MÃOS NA MÚSICA;

PAPEL - Figurado, flores de papel, encadernação;

FIGURAS ICÓNICAS;

TINTAS - Cerâmica, madeira, têxtil, porcelana, azulejo;

TRINDADES;

CORTIÇA - Figurado, peças úteis;

BARRO - Olaria, cerâmica figurativa;

ARTES PLÁSTICAS;

PELES E COUROS - Correeiros; sapateiros; peças decorativas e úteis;

 

Publicado um video no youtube - como fazer ponto de cruz, com a artesã Manuela Mesquita e edição de video de Tânia Prates;

Uma exposição na cafetaria do Museu Municipal de Coruche sobre ponte de cruz e degustação de vários produtos publicados no blog;

Foram muitos os colaborados no Coruche à mão que partilharam fotografias, textos, saberes, experiências;

O Coruche à mão teve 12 356 visualizações;

 

Provávelmente a publicação de posts no corrente ano deverá acontecer de forma menos regular, contudo tudo farei para manter o dinamismo a que me propus quando criei o Coruche à mão.

 

Muito obrigado a todos (as).

Um abraço.

Paulo Fatela

 

 

 

BARRO - OLARIA, CERÂMICA FIGURATIVA

Cerâmica Figurativa

Desde muito cedo a produção de cerâmica deu importância fundamental à estética, já que as peças na maioria das vezes destinavam-se ao comércio, com possível exceção do fabrico de tijolos e telhas, geralmente utilizados na construção civil desde a antiguidade na Mesopotâmia. Talvez por esta razão a maioria das culturas, acabou por desenvolver estilos próprios que com o passar do tempo consolidavam tendências e evoluíam no aprimoramento artístico, a ponto de se poder situar o estado cultural de uma civilização através do estudo dos artefactos cerâmicos que produzia.

 

Não tenho memória da existência de muitos artesãos em Coruche associados à cerâmica figurativa, a minha memória leva-me a José David Esteves, já referenciado neste blog, embora em outro âmbito, e José Tanganho.

Hoje publico neste fórum um esquiço biográfico do artesão e uma foto de um Santo António da sua autoria. 


Esquiço biográfico:

José Pirralho Tanganho (José Tanganho), nasceu em 1939 em Coruche.

O pai, Jerónimo António Tanganho, era barbeiro, comerciante, e dedicava-se também a pequenos negócios, entre eles a produção de tijolo cerâmico, motivo pelo qual desde muito cedo José Tanganho começou a brincar com barro. Em criança as imagens do seu presépio eram feitas por si e colocadas na barbearia do pai. 

Quando completou 11 anos foi trabalhar no comércio. Diz ter-se esquecido por completo do barro. Viveu na Bélgica de 1968 a 1998, teve dois filhos.

Em 1999 regressou definitivamente  a Portugal, reencontrou um amigo com o qual tinha cumprido o serviço militar em Angola. Foi numa visita a casa do amigo e companheiro de “guerra”  que descobriu que este, para além de poeta, também era pintor e fazia modelagem de barro, pediu-lhe que fizesse um  Santo António. O seu  amigo Diogo ofereceu-lhe então a peça solicitada, foi o despertar daquilo que durante 50 anos esteve adormecido. 

A imagem de Santo António foi inspiradora, pelo que começou a concebe-la  numa primeira  instância procurando o realismo e posteriormente de uma forma mais estilizada, sendo que também tem executa outras peças, nomeadamente: Sagrada Família, peregrino de S. Tiago de Compostela, rainha Santa Isabel, S. Francisco de Assis, S. Tomás, entre outras peças associadas ao sagrado. Começou por expor em Coruche,  nas festas da Nossa Senhora do Castelo, CORART – Associação de Artesanato de Coruche, Torres Novas, Porto de Mós, Salvatierra de los Barros – Espanha, Reguengos de Monsaraz. Têm peças em vários países.

José Tanganho elege a imagem de Santo António, porque foi a primeira peça que executou e por ser um Santo Popular do qual é devoto.

Possui carta de Artesão desde 03/03/2010.

Fonte: Fatela, Paulo – Mão com Alma, artes e ofícios tradicionais em Coruche, edição Associação da Charneca Ribatejana, 2014, pág 25

IMG_0761.JPGTítulo: Santo António

Designação: Figurado

Material: Barro de cor branca e vermelha 

Dimensão: 0,48m x 0,10m 

Créditos Fotográficos: Paulo Fatela